Banner 468x60
Banner 180x60
Boa tarde.
Terça-Feira, 24 de Abril de 2018.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 

 
 
 
Músicas diferentes exigem escutas diferentes (8/4/2013)
Por João Marcos Coelho

Uma carta me chamou a atenção na edição deste mês da Revista CONCERTO. Nela, reclama-se do excesso de música contemporânea na programação da Rádio Cultura FM, “na maioria dos casos insuportável (...)  não consigo aguentar tanto barulho e falta de musicalidade”.

A questão é mais importante do que parece. Na realidade, deve-se a uma mudança de atitude na escuta que exige a música contemporânea, quase sempre pensada como uma construção intelectual  racionalmente baseada em uma linguagem própria de cada compositor. Ao colocar a necessidade do novo a todo custo em seu horizonte criativo, o compositor acaba criando obras complexas que solicitam uma escuta atenta.

Ora, atualmente, a escuta que praticamos é aquela passiva. Somos bombardeados a todo momento por todo tipo de música, do lixo comercial à música de invenção do passado, já devidamente deglutida e reciclada como uma linguagem que nos entra pelos ouvidos redonda, aveludada, reconhecível e por isso mesmo memorável.

O bombardeio permanente que nos assola no iPod, no computador, no iPhone, na TV e no rádio acabou nos levando a praticar inconscientemente um mecanismo de defesa para salvaguardar nossos preciosos aparelhos auditivos. Nossos pavilhões auriculares rebaixam todos os sons que nos chegam. É mais ou menos como se ligássemos o piloto automático diante de todo e qualquer som que nos atinja.

Não é outro o motivo pelo qual – e como, cobertíssimo de razão já denunciava Erik Satie, que infelizmente não foi levado a sério nas primeiras décadas de seu tempo – hoje em dia “queremos” música como papel de parede sonoro, como mera trilha sonora somente agradável.

Assim, quando nos é proposto, de vez em quando, um tipo diferente de música, complexa e provocadora, nossa primeira reação é recusá-la. Música boa é aquela que nos permite continuar trabalhando em nossos afazeres em todas as horas do dia-a-dia, não aquela que ousa querer nos fazer pensar.

Quero deixar claro: não estou contra a argumentação da ouvinte da Cultura FM na citada carta. Minha intenção é só tentar explicar os motivos subliminares que a levam – e a 99,99% de todos que ouvem música – a esta postura. E não falo apenas das músicas que ouvimos em casa, no rádio, no iPod e outros aparelhos tecnológicos de última geração. Também os que compram ingressos para as salas de concerto, uma vez lá instalados, desejam aveludadas e apaziguadoras trilhas sonoras para seus ouvidos.

Como mudar isso? Sinceramente, não tenho a resposta. Já me dou por satisfeito se tiver conseguido colocar a questão em termos corretos e que levem o leitor-ouvinte a pensar, um pouco que seja, nos pressupostos de sua escuta.


Clássicos Editorial Ltda. © 2013 - Todos os direitos reservados.
A reprodução deste conteúdo requer autorização, exceto trechos com link para esta página.





João Marcos Coelho - é jornalista e crítico musical, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e apresentador do programa "O que há de novo", da Rádio Cultura FM; é coordenador da área de música contemporânea da CPFL Cultura.

Mais Textos

Oito olhos azuis e muita música Por Jorge Coli (19/4/2018)
‘Missa’ de Bernstein é destaque no Theatro Municipal de São Paulo Por Nelson Rubens Kunze (10/4/2018)
“O Corego” e os primórdios da representação operística Por Camila Frésca (6/4/2018)
Natalie Dessay: uma expressão que transcende as palavras Por Irineu Franco Perpetuo (5/4/2018)
Os Músicos de Capella fazem primorosa ‘Paixão’ de Bach Por Nelson Rubens Kunze (29/3/2018)
A música não mente Por João Marcos Coelho (27/3/2018)
Enfim, uma sede para a Ospa! Por Nelson Rubens Kunze (26/3/2018)
A Osesp, Villa-Lobos e o “voo de galinha” Por João Marcos Coelho (23/3/2018)
Jan Lisiecki: para uma temporada de austeridade, um pianista nada austero Por Irineu Franco Perpetuo (14/3/2018)
“Lo Schiavo” em Campinas: encantamento e melancolia Por Jorge Coli (12/3/2018)
Villa-Lobos, a Semana de Arte Moderna e o Brasil Por Camila Frésca (8/3/2018)
“Sexta” de Mahler coroa trabalho artístico do Instituto Baccarelli Por Nelson Rubens Kunze (5/3/2018)
Hvorostovsky e um “Rigoletto” excepcional Por Jorge Coli (26/2/2018)
10 anos de Filarmônica de Minas Gerais: muito a comemorar Por Nelson Rubens Kunze (26/2/2018)
Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 2 Por Camila Frésca (22/1/2018)
Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 1 Por Camila Frésca (22/1/2018)
Relativizações, realidades e transformações: um olhar sobre “A flauta mágica” do Theatro Municipal Por João Luiz Sampaio (23/12/2017)
A produção é boa, mas faltou mágica na “Flauta” do Municipal Por Nelson Rubens Kunze (23/12/2017)
O prazer de ouvir Neymar Dias – muito bachiano e muito brasileiro Por Irineu Franco Perpetuo (20/12/2017)
Uma temporada inclusiva, feita com inteligência Por João Marcos Coelho (19/12/2017)
Uma grande e despretensiosa sátira Por João Luiz Sampaio (8/12/2017)
A goleada da Argentina (e nem precisaram do Messi) Por Nelson Rubens Kunze (8/12/2017)
Museu virtual reúne milhares de instrumentos de coleções britânicas Por Camila Frésca (4/12/2017)
Karnal, a Osesp e o governador Por Nelson Rubens Kunze (24/11/2017)
Quem não trafega nas redes sociais se trumbica Por João Marcos Coelho (24/11/2017)
Budu e Hilsdorf: nasce um duo Por Irineu Franco Perpetuo (14/11/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Abril 2018 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
1 2 3 4 5 6 7
8 9 10 11 12 13 14
15 16 17 18 19 20 21
22 23 24 25 26 27 28
29 30 1 2 3 4 5
 

 
São Paulo:

26/4/2018 - Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo e Antonio Pinto - piano

Rio de Janeiro:
28/4/2018 - Orquestra Petrobras Sinfônica

Outras Cidades:
26/4/2018 - Vitória, ES - Orquestra Sinfônica do Estado do Espírito Santo
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2018 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046