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O inventor de arcos de Cremona (5/2/2014)
Por Camila Frésca

Os leitores do site e da Revista CONCERTO devem se lembrar que em setembro de 2013 estive em Cremona para conferir a abertura do Museu do Violino (clique aqui para ler). Caminhando pela cidade, reparei numa pequena oficina instalada em frente à praça do museu. Entrei, curiosa com os pedaços de madeiras, crinas e outros objetos expostos na vitrine. Logo uma moça simpática veio ao meu encontro e, quando soube que se tratava de uma jornalista estrangeira que cobria a inauguração do museu, começou a explicar, entusiasmada: “Fizemos questão de instalar uma pequena bottega aqui, porque os idealizadores do museu esqueceram de dar atenção a algo essencial para o violino: o arco!”. Isto me dizia Marta Lucchi, filha de um italiano pioneiro na construção de arcos, Giovanni Lucchi (1942-2012). De fato, eu já havia visitado o museu e concordei com a absoluta falta de referências ao arco, ao contrário da riqueza de informações sobre o violino.

 
Lucchi Cremona, bottega criada pelo archettaio Giovanni Lucchi [foto: Lydia Abud]

O que era para ser uma espiadela se transformou em mais de uma hora de conversa, na qual eu tentava apreender a enorme quantidade de informações e histórias que Marta ia me contando, ora num inglês de sotaque carregado, ora num italiano acelerado. Giovanni Lucchi foi um dos mais importantes construtores de arco (archettai) da Itália, e iniciou a atividade por pura necessidade. Contrabaixista profissional, tocava no Teatro Comunale di Bologna e sofria com a escassez de archettai cada vez que precisava fazer um reparo – mesmo que fosse uma simples troca de crina. Ele então começou a estudar e a aventurar-se na manutenção de seus próprios arcos. Logo os colegas solicitavam seus serviços e ele avançou do reparo para a construção de arcos. Com o passar dos anos, tornava-se referência no assunto e, em 1976, foi chamado a Cremona para fundar a primeira escola de archettai da Itália – sim, o país que desde o século XVII é reconhecido pela construção de instrumentos de arco não possuía até então uma escola dedicada a formar construtores de arco! Lucchi mudou esse panorama e, por mais de 30 anos, dedicou-se a formar profissionais preparados para a empreitada. E foi ele próprio um respeitado archettaio, tendo entre seus clientes Rostropovich, Pinchas Zukerman e Gary Karr.

Ao que parece, Giovanni Lucchi era mesmo um homem de espírito pioneiro e determinado a vencer limitações. Sentia-se incomodado com a incapacidade de escolher os melhores exemplares de pau-brasil, para a construção de arcos, contando apenas com a experiência, o olho nu. Então, dedicou-se durante anos a pesquisas e testes, até criar, no início da década de 1980, o LucchiMeter. Trata-se de um aparelhinho que, por meio de ultrassom, é capaz de medir as características acústicas de um pedaço de madeira. Mais especificamente, calcula o tempo necessário para que uma onda sonora atravesse o material. Essa informação, por sua, vez é usada para determinar a elasticidade da madeira, bem como suas qualidades sonoras. O aparelho serve tanto à construção de arcos como de instrumentos de cordas ou mesmo de pianos, e provocou uma pequena revolução no universo dos construtores. A pesquisa ainda se desdobrou no LucchiSound, um software que analisa o espectro sonoro, produzindo um gráfico que mostra a fundamental e os harmônicos de uma determinada nota, ajudando os músicos a perceber o quão perto (ou longe) estão do som “ideal”, perfeitamente afinado. Atualmente, o LucchiSound existe inclusive como “app” para smartphones (confira o site aqui).


Arcos em construção na bottega da família Lucchi, em Cremona [foto: Lydia Abud]

Nestas décadas de trabalho, Giovanni Lucchi tornou-se um profissional respeitado e iniciou também seus cinco filhos na área. São eles que hoje dão continuidade à construção dos arcos Lucchi Cremona.

Entre memórias amorosas de seu papà recém falecido e detalhadas explicações sobre o corte da madeira e as diferentes qualidades de crina de cavalo, Marta Lucchi me contou esta e outras histórias, além de me presentear com Nell’arco di una vita, autobiografia que seu pai concluiu pouco antes de falecer, em agosto de 2012. Li o livrinho neste verão, e pude reviver algumas das histórias que ouvi, além de acompanhar a trajetória de Giovanni Lucchi narrada pelo próprio – com humor, intensidade e paixão. Para quem se interessar, é possível adquiri-lo pela internet.

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Camila Frésca - é jornalista e doutoranda em musicologia pela ECA-USP. É autora do livro "Uma extraordinária revelação de arte: Flausino Vale e o violino brasileiro" (Annablume, 2010).

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