Banner 468x60
Banner 180x60
Bom dia.
Sexta-Feira, 28 de Abril de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes


 
 
 
Vencedores & vencidos na vida musical (14/5/2014)
Por João Marcos Coelho

Espantaram-se com um detalhe constrangedor os que estiveram na primeira das duas noites em que se apresentaram esta semana na Sala São Paulo a pianista Mitsuko Uchida, a Orquestra Sinfônica da Rádio da Baviera e o maestro Mariss Jansons. Na primeira parte, preenchida pela execução do Quarto concerto para piano de Beethoven, a Sala estava apinhada, literalmente lotada. Depois do intervalo, várias poltronas ficaram vazias. Até onde percebi visualmente, isso se deveu em parte à debandada dos pianistas locais (será que Shostakovich ainda assusta o público em geral? Recuso-me a acreditar nisso). Afinal, os tecladistas estavam lá só para assistir à primeira apresentação da grande pianista japonesa no Brasil.

Um comportamento inexplicável. Quem não gostaria de assistir a uma das melhores orquestras da atualidade interpretando uma sinfonia de Shostakovich com o maestro que foi assistente direto do russo Evgeny Mravinsky?

Pelo visto, nossos coleguinhas do teclado não são exatamente músicos. São, em primeiro e absoluto lugar, pianistas. Dedicam-se apenas a seu instrumento. Minha intenção não é, de modo algum, particularizar a crítica. É, antes, anotar um sintoma preocupante.


Nossos coleguinhas de teclado são em primeiro e absoluto lugar, pianistas [foto: divulgação]

Os pianistas em geral já sofrem em virtude de seu trabalho solitário, em função da natureza autônoma de seu instrumento, ao contrário de seus parceiros de sopros, cordas e percussão, que convivem no seu dia-a-dia com muitos colegas, e têm um espírito naturalmente comunitário.

Mas não precisavam radicalizar tanto sua vida musical, reduzindo-a à audição de outros pianistas – mesmo assim, em casos especiais. Só vejo na plateia os pianistas locais quando aqui tocam as celebridades já ungidas pelo mercado internacional. Por aqui não viceja o hábito de ouvir colegas em recitais ou concertos com orquestra. Como ostras, concentram-se tão só em seu trabalho.

Mas não seria justo apontar o dedo apenas para os pianistas. Também os maestros em geral parecem considerar que assistir a concertos de colegas batuteiros não é uma boa. Mas na segunda-feira (dia 12), anote-se, havia vários maestros locais – menos que o necessário, dada a grande lição de regência que rolou no palco.

Pode ser a necessidade de competir num mercado pequeno, cruel, que dá espaço quase sempre a quem melhor se move nos melífluos meandros do jogo de influências e do lobby. Os músicos menos afeitos a este tipo de comportamento, como o grande Mário Ficarelli, que há pouco nos deixou, não costumam jogar este jogo abjeto. E, por consequência, acabam ficando à margem da vida musical.

Possivelmente a maior distorção da vida musical – não só aqui, no Brasil, mas no mundo inteiro – seja a necessidade fundamental de o músico desenvolver duas habilidades/carreiras paralelas: em primeiro lugar, ser bom de lobby, ter espinha dorsal flexível e bajular o poderoso de plantão; e só depois, em segundo lugar, preocupar-se em desenvolver-se musicalmente.

É, pensando bem, talvez eu tenha julgado mal os músicos que não se interessaram parcial ou integralmente pelo concerto de segunda-feira passada na Sala São Paulo. Afinal de contas, se não frequentarem em primeiro lugar os corredores e as salas certas do aparato artístico-burocrático nativo eles não vão chegar a lugar nenhum. Tá certo, tá certo. Primeiro a sobrevivência, depois as veleidades artísticas e estéticas. É isso mesmo ou estou surtando?

Clássicos Editorial Ltda. © 2014 - Todos os direitos reservados.
A reprodução de todo e qualquer conteúdo requer autorização, exceto trechos com link para a respectiva página





João Marcos Coelho - é jornalista e crítico musical, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e apresentador do programa "O que há de novo", da Rádio Cultura FM; é coordenador da área de música contemporânea da CPFL Cultura.

Mais Textos

E Cristian Budu, finalmente, tocou com a Osesp! Por Irineu Franco Perpetuo (21/4/2017)
Olivier Toni Por João Marcos Coelho (20/4/2017)
“Uirapuru”, de Villa-Lobos: algumas considerações no centenário da obra Por Camila Frésca (12/4/2017)
Nasce uma estrela Por Jorge Coli (11/4/2017)
A festa do Concurso Maria Callas: competência e amor à música Por Jorge Coli (4/4/2017)
Theatro Municipal do Rio de Janeiro apresenta “Jenufa”, de Janácek Por Nelson Rubens Kunze (4/4/2017)
“Risco” é vibrante imagem artística da cidade de São Paulo Por Jorge Coli (29/3/2017)
Quanto custa uma orquestra sinfônica? Por Nelson Rubens Kunze (28/3/2017)
De palmeiras e pinheirinhos nórdicos Por João Marcos Coelho (24/3/2017)
Opes abre temporada clássica no Theatro Municipal do Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (23/3/2017)
Sombra de sombra – a estreia da ópera “O espelho” Por João Luiz Sampaio (22/3/2017)
Helder Parente, talento infinito Por Rosana Lanzelotte (21/3/2017)
Trio Villani-Côrtes faz uma ótima estreia com “Três tons brasileiros” Por Camila Frésca (14/3/2017)
O valor da música (e a responsabilidade do Estado) Por Nelson Rubens Kunze (5/3/2017)
Um Brasil diferente ainda é possível Por João Marcos Coelho (22/2/2017)
Em clima de festa, Theatro Municipal de São Paulo abre ano com bom concerto Por Nelson Rubens Kunze (22/2/2017)
Sígrido Levental e o Conservatório do Brooklin (lembranças pessoais) Por Nelson Rubens Kunze (3/2/2017)
Sarau e livro recuperam a obra do violinista catarinense Adolpho Mello Por Camila Frésca (23/1/2017)
Nação civilizada (ou seria incivilizada?) Por Nelson Rubens Kunze (18/1/2017)
Diário de viagem Por Jorge Coli (16/1/2017)
Para conhecer Claudio Santoro Por Irineu Franco Perpetuo (23/12/2016)
Feliz Ano Novo? Por Nelson Rubens Kunze (23/12/2016)
Fim da Oficina de Curitiba: populismo da pior espécie Por João Marcos Coelho (20/12/2016)
Um retrato do Painel Funarte de Ensino Coletivo Por Camila Frésca (19/12/2016)
Aleyson Scopel faz ótima apresentação no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (16/12/2016)
Em Porto Alegre, uma “Carmina Burana” para lembrar Por Everton Cardoso (15/12/2016)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Abril 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
26 27 28 29 30 31 1
2 3 4 5 6 7 8
9 10 11 12 13 14 15
16 17 18 19 20 21 22
23 24 25 26 27 28 29
30 1 2 3 4 5 6
 

 
São Paulo:

28/4/2017 - Ópera Il Noce di Benevento, de Giuseppe Balducci

Rio de Janeiro:
28/4/2017 - Orquestra Petrobras Sinfônica

Outras Cidades:
28/4/2017 - Belo Horizonte, MG - Orquestra Filarmônica de Minas Gerais
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046