Banner 468x60
Banner 180x60
Bom dia.
Quinta-Feira, 19 de Abril de 2018.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 

 
 
 
O Cavaleiro Gluck no Theatro São Pedro (3/6/2014)
Por Jorge Coli

Bela ideia foi a de programar Ifigênia em Táuris, que Gluck compôs para o público francês, no Theatro São Pedro.

A importância de Gluck para a história da cultura – e não apenas para a história da música – é imensa. Não há exagero em dizer que a reforma neoclássica das artes, feita dentro do espírito Iluminista, teve com ele sua primeira proclamação militante: foi o manifesto de sua ópera Alceste (1767).

Ele expunha ali os princípios de simplicidade, de natural, meios destinados a reconquistar força expressiva e dramática – os mesmos que presidiram a regeneração da pintura que Jacques Louis David impôs em 1784 com O juramento dos Horácios. E, da mesma maneira que David eliminou a pintura galante e ornamentada do Antigo Regime, Gluck condenou a sofisticação virtuosística da ópera que o precedia.

Sua marca na história da música foi imensa: Beethoven, Berlioz, Wagner, entre outros, têm nele sua mais antiga raiz. E.T.A. Hoffmann o celebrou em uma novela fantástica, a admirável O cavaleiro Gluck. Lembrança do ano 1809.


Christoph Willibald von Gluck em quadro de Joseph Siffred Duplessis, de 1775

Mas Gluck não foi apenas um marco histórico. Ele foi também o primeiro autor moderno de óperas, no sentido de que suas obras nunca saíram do repertório. Tudo o que foi composto antes dele, de Monteverdi a Händel e Rameau, desapareceu dos teatros, e só recentemente, graças a um esforço de retorno e de ressurreição é que essas obras são redescobertas e encenadas.

Mas Orfeu, Alceste, Armida, as duas Ifigênias (em Tauris e em Áulide), de Gluck, foram sempre apresentadas com regularidade até nossos dias. Nunca saíram de cartaz. Quero dizer: suas óperas magníficas, que ressuscitaram em nova expressão as tragédias da antiguidade, sempre falaram ao público como música viva.

Orfeu é a mais frequente nos palcos; as outras são menos representadas. Assim, foi uma alegria assistir Ifigênia em Táuris no Theatro São Pedro.

Com alguns apesares.

Musicalmente, foi uma bela apresentação. Orquestra e coro em grande forma, regência enérgica e vibrante de Alessandro Sangiorgi. Lício Bruno conferiu ao rei Thoas uma força impressionante. Pílades e Orestes, que encarnam a força da amizade, foram defendidos com bravura por Flavio Leite e o argentino Luciano Garay.


Flavio Leite e Luciano Garay como Pílades e Orestes [foto: Décio Figueiredo/divulgação]

A também argentina Mónica Ferracani emprestou sua bela voz, e sua grande musicalidade à protagonista (Ouça Mónica Ferracani cantando Un bel di vedremo, de Madama Butterfly).

É verdade que sua pronúncia incompreensível impedia de identificar o idioma em que estava cantando, que tanto podia ser o francês do original, como o servo-croata, o turcomano, ou uma língua qualquer de sua invenção. Acrescente-se que, embora muito sensível, faltava lhe o temperamento da atriz trágica para esse papel poderoso.

Seu acanhamento certamente deve se ter agravado por causa da montagem. Gluck escreveu a mais elevada música, mais nobre, que tece a alma de personagens também nobres e elevados. Isso pressupõe a grandeza do gesto, as belas atitudes, as posturas soberbas, a dignidade altiva.

Ao invés, o que houve foi uma concepção pífia, parecendo quase amadorística, pobrezinha, tudo muito mirrado, sem paixão nem exaltação, um clima assim de teatrinho em colégio de freira. A montagem do São Pedro, de outro argentino, Gustavo Tambascio, certamente em crise de inspiração, parece ter sido inspirada da concepção que Pierre Audi realizou para a Ópera Nacional Holandesa (DNO), em Amsterdam, em 2011 (veja aqui a integral da versão holandesa). Uma imitação pálida ainda mais sumária, mais árida e mais anêmica do que o modelo, que já não era muito feliz.

Mas não importa. Estava lá a música sublime do Cavaleiro Gluck, belamente interpretada. Já é muito.

Clássicos Editorial Ltda. © 2014 - Todos os direitos reservados.
A reprodução de todo e qualquer conteúdo requer autorização, exceto trechos com link para a respectiva página.





Jorge Coli - é professor de História da Arte e da Cultura na Unicamp e colunista da Revista CONCERTO.

Mais Textos

Oito olhos azuis e muita música Por Jorge Coli (19/4/2018)
‘Missa’ de Bernstein é destaque no Theatro Municipal de São Paulo Por Nelson Rubens Kunze (10/4/2018)
“O Corego” e os primórdios da representação operística Por Camila Frésca (6/4/2018)
Natalie Dessay: uma expressão que transcende as palavras Por Irineu Franco Perpetuo (5/4/2018)
Os Músicos de Capella fazem primorosa ‘Paixão’ de Bach Por Nelson Rubens Kunze (29/3/2018)
A música não mente Por João Marcos Coelho (27/3/2018)
Enfim, uma sede para a Ospa! Por Nelson Rubens Kunze (26/3/2018)
A Osesp, Villa-Lobos e o “voo de galinha” Por João Marcos Coelho (23/3/2018)
Jan Lisiecki: para uma temporada de austeridade, um pianista nada austero Por Irineu Franco Perpetuo (14/3/2018)
“Lo Schiavo” em Campinas: encantamento e melancolia Por Jorge Coli (12/3/2018)
Villa-Lobos, a Semana de Arte Moderna e o Brasil Por Camila Frésca (8/3/2018)
“Sexta” de Mahler coroa trabalho artístico do Instituto Baccarelli Por Nelson Rubens Kunze (5/3/2018)
Hvorostovsky e um “Rigoletto” excepcional Por Jorge Coli (26/2/2018)
10 anos de Filarmônica de Minas Gerais: muito a comemorar Por Nelson Rubens Kunze (26/2/2018)
Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 2 Por Camila Frésca (22/1/2018)
Ópera de Dubai e Louvre Abu Dhabi: arquitetura e conceito – parte 1 Por Camila Frésca (22/1/2018)
Relativizações, realidades e transformações: um olhar sobre “A flauta mágica” do Theatro Municipal Por João Luiz Sampaio (23/12/2017)
A produção é boa, mas faltou mágica na “Flauta” do Municipal Por Nelson Rubens Kunze (23/12/2017)
O prazer de ouvir Neymar Dias – muito bachiano e muito brasileiro Por Irineu Franco Perpetuo (20/12/2017)
Uma temporada inclusiva, feita com inteligência Por João Marcos Coelho (19/12/2017)
Uma grande e despretensiosa sátira Por João Luiz Sampaio (8/12/2017)
A goleada da Argentina (e nem precisaram do Messi) Por Nelson Rubens Kunze (8/12/2017)
Museu virtual reúne milhares de instrumentos de coleções britânicas Por Camila Frésca (4/12/2017)
Karnal, a Osesp e o governador Por Nelson Rubens Kunze (24/11/2017)
Quem não trafega nas redes sociais se trumbica Por João Marcos Coelho (24/11/2017)
Budu e Hilsdorf: nasce um duo Por Irineu Franco Perpetuo (14/11/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Abril 2018 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
1 2 3 4 5 6 7
8 9 10 11 12 13 14
15 16 17 18 19 20 21
22 23 24 25 26 27 28
29 30 1 2 3 4 5
 

 
São Paulo:

26/4/2018 - Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo e Antonio Pinto - piano

Rio de Janeiro:
27/4/2018 - Ópera Um Baile de Máscaras, de Verdi

Outras Cidades:
29/4/2018 - Manaus, AM - XXI Festival Amazonas de Ópera
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2018 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046