Banner 468x60
Banner 180x60
Bom dia.
Quinta-Feira, 24 de Agosto de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
O Cavaleiro Gluck no Theatro São Pedro (3/6/2014)
Por Jorge Coli

Bela ideia foi a de programar Ifigênia em Táuris, que Gluck compôs para o público francês, no Theatro São Pedro.

A importância de Gluck para a história da cultura – e não apenas para a história da música – é imensa. Não há exagero em dizer que a reforma neoclássica das artes, feita dentro do espírito Iluminista, teve com ele sua primeira proclamação militante: foi o manifesto de sua ópera Alceste (1767).

Ele expunha ali os princípios de simplicidade, de natural, meios destinados a reconquistar força expressiva e dramática – os mesmos que presidiram a regeneração da pintura que Jacques Louis David impôs em 1784 com O juramento dos Horácios. E, da mesma maneira que David eliminou a pintura galante e ornamentada do Antigo Regime, Gluck condenou a sofisticação virtuosística da ópera que o precedia.

Sua marca na história da música foi imensa: Beethoven, Berlioz, Wagner, entre outros, têm nele sua mais antiga raiz. E.T.A. Hoffmann o celebrou em uma novela fantástica, a admirável O cavaleiro Gluck. Lembrança do ano 1809.


Christoph Willibald von Gluck em quadro de Joseph Siffred Duplessis, de 1775

Mas Gluck não foi apenas um marco histórico. Ele foi também o primeiro autor moderno de óperas, no sentido de que suas obras nunca saíram do repertório. Tudo o que foi composto antes dele, de Monteverdi a Händel e Rameau, desapareceu dos teatros, e só recentemente, graças a um esforço de retorno e de ressurreição é que essas obras são redescobertas e encenadas.

Mas Orfeu, Alceste, Armida, as duas Ifigênias (em Tauris e em Áulide), de Gluck, foram sempre apresentadas com regularidade até nossos dias. Nunca saíram de cartaz. Quero dizer: suas óperas magníficas, que ressuscitaram em nova expressão as tragédias da antiguidade, sempre falaram ao público como música viva.

Orfeu é a mais frequente nos palcos; as outras são menos representadas. Assim, foi uma alegria assistir Ifigênia em Táuris no Theatro São Pedro.

Com alguns apesares.

Musicalmente, foi uma bela apresentação. Orquestra e coro em grande forma, regência enérgica e vibrante de Alessandro Sangiorgi. Lício Bruno conferiu ao rei Thoas uma força impressionante. Pílades e Orestes, que encarnam a força da amizade, foram defendidos com bravura por Flavio Leite e o argentino Luciano Garay.


Flavio Leite e Luciano Garay como Pílades e Orestes [foto: Décio Figueiredo/divulgação]

A também argentina Mónica Ferracani emprestou sua bela voz, e sua grande musicalidade à protagonista (Ouça Mónica Ferracani cantando Un bel di vedremo, de Madama Butterfly).

É verdade que sua pronúncia incompreensível impedia de identificar o idioma em que estava cantando, que tanto podia ser o francês do original, como o servo-croata, o turcomano, ou uma língua qualquer de sua invenção. Acrescente-se que, embora muito sensível, faltava lhe o temperamento da atriz trágica para esse papel poderoso.

Seu acanhamento certamente deve se ter agravado por causa da montagem. Gluck escreveu a mais elevada música, mais nobre, que tece a alma de personagens também nobres e elevados. Isso pressupõe a grandeza do gesto, as belas atitudes, as posturas soberbas, a dignidade altiva.

Ao invés, o que houve foi uma concepção pífia, parecendo quase amadorística, pobrezinha, tudo muito mirrado, sem paixão nem exaltação, um clima assim de teatrinho em colégio de freira. A montagem do São Pedro, de outro argentino, Gustavo Tambascio, certamente em crise de inspiração, parece ter sido inspirada da concepção que Pierre Audi realizou para a Ópera Nacional Holandesa (DNO), em Amsterdam, em 2011 (veja aqui a integral da versão holandesa). Uma imitação pálida ainda mais sumária, mais árida e mais anêmica do que o modelo, que já não era muito feliz.

Mas não importa. Estava lá a música sublime do Cavaleiro Gluck, belamente interpretada. Já é muito.

Clássicos Editorial Ltda. © 2014 - Todos os direitos reservados.
A reprodução de todo e qualquer conteúdo requer autorização, exceto trechos com link para a respectiva página.





Jorge Coli - é professor de História da Arte e da Cultura na Unicamp e colunista da Revista CONCERTO.

Mais Textos

Dobradinha “Pulcinella & Arlecchino” tem boa realização no Theatro São Pedro Por Nelson Rubens Kunze (23/8/2017)
O bel canto colorido e expressivo de Javier Camarena Por Irineu Franco Perpetuo (10/8/2017)
Osesp faz belo concerto com programa raro Por Jorge Coli (9/8/2017)
Terceira edição do Festival Vermelhos consolida projeto cultural em Ilhabela Por Camila Frésca (8/8/2017)
Em busca da música Por João Marcos Coelho (28/7/2017)
Neojiba: o exemplo da Bahia para o Brasil Por Irineu Franco Perpetuo (24/7/2017)
Você conhece José Vieira Brandão? Por João Marcos Coelho (12/7/2017)
Campos do Jordão, Salzburg e a economia da cultura Por Nelson Rubens Kunze (12/7/2017)
Rameau em “dreadlocks” Por Jorge Coli (11/7/2017)
Isabelle Faust, Vadim Repin e Julian Rachlin: sobre expectativas, decepções e boas surpresas Por Camila Frésca (5/7/2017)
Encomenda da Osesp mostra Mehmari maduro Por Irineu Franco Perpetuo (3/7/2017)
Fórum apresenta importantes orientações para “endowments” culturais no Brasil Por Nelson Rubens Kunze (10/6/2017)
Filme “Filhos de Bach” marca por sua sensibilidade e delicadeza Por Nelson Rubens Kunze (9/6/2017)
Transformação social e o futuro da música clássica Por Anahi Ravagnani e Leonardo Martinelli (30/5/2017)
Os extras contemporâneos de Isabelle Faust na Sala São Paulo Por João Marcos Coelho (25/5/2017)
Festival Amazonas de Ópera encena ‘Tannhäuser’ e comemora 20ª edição Por Nelson Rubens Kunze (23/5/2017)
Noites memoráveis com Isabelle Faust e Alexander Melnikov Por Camila Frésca (18/5/2017)
Com Faust e Volmer, a Osesp chega à excelência Por Irineu Franco Perpetuo (16/5/2017)
Foi um esplendor, mas... Por Jorge Coli (16/5/2017)
Perdas e danos (Santa Marcelina incorpora Theatro São Pedro) Por Nelson Rubens Kunze (9/5/2017)
Pesquisa do Projeto Guri mostra resultados importantes Por Camila Frésca (3/5/2017)
Diana Damrau, uma artista de mais de 50 tons Por Irineu Franco Perpetuo (2/5/2017)
E Cristian Budu, finalmente, tocou com a Osesp! Por Irineu Franco Perpetuo (21/4/2017)
Olivier Toni Por João Marcos Coelho (20/4/2017)
“Uirapuru”, de Villa-Lobos: algumas considerações no centenário da obra Por Camila Frésca (12/4/2017)
Nasce uma estrela Por Jorge Coli (11/4/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Agosto 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
30 31 1 2 3 4 5
6 7 8 9 10 11 12
13 14 15 16 17 18 19
20 21 22 23 24 25 26
27 28 29 30 31 1 2
 

 
São Paulo:

26/8/2017 - Banda Sinfônica Jovem do Estado e Trio Corrente

Rio de Janeiro:
29/8/2017 - Igor Carvalho - clarinete, Rodrigo Herculano - oboé e Carlos Bertão - fagote

Outras Cidades:
31/8/2017 - Manaus, AM - Amazonas Filarmônica
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046