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A magia da música cigana no violino de Ayran Nicodemo (5/8/2014)
Por Camila Frésca

Uma das grandes tradições do violino é a música cigana e, a despeito de ser considerada um gênero em si, não é de hoje que a música clássica bebe em suas fontes. Aliás, o que não faltam são artistas clássicos que, seja na composição ou na performance, tenham flertado com a música cigana. Para ficar em poucos exemplos, podemos citar Brahms e suas Danças húngaras, Ravel e sua Tzigane, o húngaro Franz Liszt ou o violinista e compositor Pablo de Sarasate, cuja admiração por esta música está registrada em suas composições.

No cenário internacional, existem diversos violinistas de atuação mais ou menos regional que praticam este tipo de música, nascida, ao que tudo indica, entre a Hungria, a Romênia e a Rússia. Na maioria dos casos, são compositores-executantes, como o impressionante Félix Lajkó – húngaro com forte influência cigana mas cuja música transcende classificações fáceis (veja uma de suas performances aqui).

No Brasil, no entanto, parece haver muito pouco dessa rica tradição. Por isso me causou surpresa descobrir o recém-lançado disco Pedra cigana, de Ayran Nicodemo. Em seu primeiro disco solo, o violinista mineiro de 25 anos registra sete composições próprias além de Hora de la Munte, música tradicional romena em arranjo livre. Ayran não tem nenhuma ligação familiar com a cultura cigana e acha que um pouco dessa empatia se deve à forma como se iniciou no violino: “Aos 12 anos ganhei meu primeiro violino e aos 13 comecei a ter aulas regulares. Este primeiro ano sem aulas foi essencial para a forma como passaria a me relacionar com a música, pois eu apenas improvisava e tirava músicas de ouvido, possibilitando assim uma relação sensitiva e emocional com o violino antes de enveredar pela música europeia. Na verdade meu primeiro contato com esta linguagem se deu no momento em que encostei no violino! Antes de fazer aulas eu já improvisava neste gênero, algo natural para mim. Só depois de alguns anos é que passei a pesquisar e ouvir mesmo música cigana do leste europeu.”


Violinista mineiro Ayran Nicodemo, que lança o CD Pedra cigana [foto: Ariel Subirá/divulgação]

A sensação geral que a audição do CD deixa é de melancolia, como se o artista evocasse a memória de um passado – que não viveu, mas que absorveu através do repertório para o violino e de sua prática pessoal de improvisação. O próprio Ayran comenta cada uma das músicas do CD no encarte, afirmando também que “cada episódio deste álbum traz um pouco de mim, um pouco da minha história e um pouco das minhas raízes. Pedra cigana foi aquela que abriu as portas para a música que flui de mim, às vezes quente, conturbada e veloz; outras simples, transparente e calma.” (É possível conferir uma performance ao vivo da Suíte cigana aqui)

“O CD Pedra cigana é uma síntese do meu trajeto musical como compositor nos últimos cinco anos, portanto houve uma necessidade de registrar este trabalho para fechar um ciclo e poder começar outro, foi um movimento natural do meu desenvolvimento”, explica. Vale registrar ainda que Ayran Nicodemo faz parte de uma nova geração de músicos clássicos, que além de sólida formação técnica possui uma mente arejada, antenada com manifestações contemporâneas. Ayran integra a Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio desde fevereiro. Paralelamente, faz música de câmara, possui um grupo de música instrumental brasileira – o Ayran Nicodemo Trio – além de integrar o GNU – Grupo Novo da UniRio (de música contemporânea), e o Grupo Cria, que se dedica ao público infantil. Músico dinâmico, ele promoveu, em maio, a Primeira Semana do Violino, apresentando-se, em cada um dos sete dias do evento, com um trabalho diferente desenvolvido nos últimos anos.

Pedra cigana é dedicado a Paulo Bosísio, seu atual professor e mestre de um número enorme de bons violinistas brasileiros da atualidade. É Bosísio quem traz a chave para desvendar o encanto de Ayran com a música cigana: “Existe um cigano dentro de cada um de nós violinistas. Não sem razão Brahms, Ravel e outros grandes compositores detectaram na música cigana algo de irresistível atração e charme misterioso. Os ciganos, eles próprios dizem, vieram das estrelas e o seu teto é o céu. A música deles é onipresente e o violino seu principal veículo.”

[O CD Pedra cigana está disponível na Loja CLÁSSICOS]

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Camila Frésca - é jornalista e doutoranda em musicologia pela ECA-USP. É autora do livro "Uma extraordinária revelação de arte: Flausino Vale e o violino brasileiro" (Annablume, 2010).

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