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Ernesto Nazareth brilha nas oito cordas do violão de Nicolas de Souza Barros (29/8/2014)
Por Camila Frésca

O Brasil é pródigo em violonistas de excelência, que se encontram entre os líderes de seu instrumento no mundo. A importante carreira internacional de Turíbio Santos ou posto de professor da Royal Academy of Music de Fábio Zanon são alguns dados a provar isto. Nicolas de Souza Barros é mais um desses brilhantes violonistas que o Brasil possui. Professor da UniRio e violonista de carreira internacional, é especialista em instrumentos de cordas dedilhadas, como os violões de oito e seis cordas, alaúdes, vihuela e guitarra barroca. Nos últimos dez anos, no entanto, ele tem se dedicado mais exclusivamente ao violão de oito cordas. Este instrumento tem uma corda mais aguda e outra mais grave em relação ao encordoamento do violão tradicional.

Se os violões acrescidos de uma corda mais grave são conhecidos desde o início do século XIX, a corda mais aguda é uma novidade mais recente e foi desenvolvida em 1994 pelo violonista escocês Paul Galbraith – que já morou em São Paulo e foi um dos fundadores do Quarteto Brasileiro de Violões (conhecido e premiado internacionalmente como Brazilian Guitar Quartet).

Conforme explica Nicolas de Souza Barros, essa corda mais aguda é afinada uma quarta acima da corda mais aguda do violão tradicional, o que proporciona um aumento exponencial do registro do instrumento. Isso motivou Nicolas a criar um repertório novo, composto por arranjos de obras originais para outros instrumentos. A culminância desse trabalho de investigação artística chega agora com o lançamento do CD Ernesto Nazareth por Nicolas de Souza Barros – Violão de oito cordas. Nele, o músico mostra seus arranjos para peças desse consagrado autor de maxixes, tangos e choros brasileiros.


Ouça à faixa Carioca, do novo CD do violonista Nicolas de Souza Barros, dedicado à obra de Ernesto Nazareth

No livreto que acompanha o CD, Nicolas relembra que a obra de Ernesto Nazareth tem sido gravada por violonistas pelo menos desde a década de 1940. Ele passou a se interessar mais seriamente pelas peças ao mesmo tempo em que se dedicava ao violão de oito cordas – e a intepretação delas neste instrumento é um dos diferenciais desta gravação. Nicolas conta ainda que esta ampliação do registro instrumental contribuiu decisivamente para as transcrições realizadas.

No disco, talvez o que mais impressione seja a questão “idiomática” ou, em outras palavras, como as obras se adaptam bem ao instrumento, soando como se desde sempre tivessem sido concebidas para esse tipo violão. Isto, é claro, é mérito direto da mestria de Nicolas em conceber os arranjos. Some-se a isso ao rigor técnico e refinamento musical, elementos que aparecem com discrição e perfeitamente integrados ao contexto, sem nunca ofuscar o clima brejeiro das peças. O famoso Batuque abre o CD, e é seguido por outras treze peças, algumas menos conhecidas como a bela Confidência. Marcam presença, ainda, Tenebroso, Odeon e Fon-fon, entre outras. Um lançamento que tem tudo para se tornar referência entre os discos que se dedicam à obra de Ernesto Nazareth.

[O CD Ernesto Nazareth por Nicolas de Souza Barros está disponível na Loja CLÁSSICOS]

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Camila Frésca - é jornalista e doutoranda em musicologia pela ECA-USP. É autora do livro "Uma extraordinária revelação de arte: Flausino Vale e o violino brasileiro" (Annablume, 2010).

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