Banner 468x60
Banner 180x60
Boa noite.
Sexta-Feira, 15 de Dezembro de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 

 
 
 
Dois momentos: Pão de queijo & Flechas (24/9/2014)
Por Jorge Coli

Pão de queijo
Em Tiradentes, Minas Gerais, o Festival Artes Vertentes se espraia pela literatura, pelas artes plásticas, pela música, pelo cinema. É o sonho de jovens idealistas que teimam em torná-lo realidade.

Multiplicam-se as exposições, revelam-se artistas. Há a finura feita da mais tênue transcendência – Hilal Sami Hilal; ou da angústia metafísica tecida por um narcisismo quase sobrenatural – as fotografias do húngaro Balázs Böröcz; ou dos voos oníricos da finlandesa Janne Lehtinen.


Obra do artista capixaba Hilal Sami Hilal [imagens: divulgação/reprodução]

Poemas entremeiam os recitais, lidos pelos próprios autores: são obras raras e requintadas. Poetas brasileiros ou internacionais, vindos da Catalunha, da Ucrânia, dos Estados Unidos, do México, de Portugal: as leituras são feitas no original e em tradução.

Um exemplo, para dar água na boca: do catalão Eduard Escoffet, O chão e o céu.

desenhe duas linhas horizontais, paralelas.
comece pela de baixo.

deixe, entre as duas,
espaço suficiente para respirar, para morrer ali.

descubra o olho.
arrisque-se a não dar sua opinião.

Os organizadores do festival tiveram o capricho de publicar o conjunto de poemas ali apresentados, no livro Quando antes for depois – Oito poetas contemporâneos internacionais.


Obra do fotógrafo húngaro Balázs Böröcz

Eliane Coelho cantou Richard Strauss e Shostakovich – momento que deve ter sido muito alto; só pude ficar dois dias em Tiradentes e não a ouvi. Mas minha estada ali significou imersão num clima musical de fato elevado, começando pelo esplêndido piano de Juliana Steinbach, arrebatado e caloroso (ouça aqui sua interpretação de Impressões seresteiras, parte do Ciclo brasileiro, de Villa-Lobos, que ela interpretou integralmente na igreja do Rosário).

Além dos monstros sagrados, o festival preocupou-se em trazer compositores contemporâneos, oferecendo várias composições recentes, algumas em estreia mundial. Um deles é brasileiro, Sergio Rodrigo, cuja delicadeza sonhadora se desenha em Corrupio, que pode ser ouvido aqui na interpretação de Gustavo Carvalho. Outro, o compositor palestino-israelense Samir Odeh-Tamimi, nascido em Jaljulia, 1970, tem hoje uma presença internacional marcante. Sua música, eloquente e apaixonada, pulsa com veemência romântica: ouça Uma lembrança para o esquecimento, que foi interpretada em Tiradentes também por Gustavo Carvalho.


Fotografia da série Pássaros sagrados, da finlandesa Janne Lehtinen

O clima light e inteligente do festival se caracterizou perfeitamente no concerto ao ar livre, em homenagem a John Cage. Vários intérpretes (pianistas, flautistas, clarinetista, violoncelista, que sei eu) reuniram-se para interpretar o coral Once upon a time, do compositor. Clique aqui para ouvir essa obra tão deliciosa.

Acrescente-se a camaradagem dos artistas, sem nenhum estrelismo, a beleza das igrejas, da paisagem, a gastronomia excelente, o pão de queijo incomparável: foram dias do mais puro paraíso.


Flechas
Setembro é o mês da morte de Carlos Gomes, e a prefeitura de Campinas decidiu celebrar essa efeméride apresentando sua Missa de São Sebastião, que ele compôs em Campinas mesmo, quando tinha 18 anos.

É bobagem ouvir essa música com desdém. Não se trata de uma curiosidade erudita apenas. Cativa desde os primeiros compassos, com uma inspiração que não falha. É música de teatro para ser tocada na igreja, como eram as missas de Mozart, a Missa de Santa Cecília de Gounod e de tantos outros. Louvava-se Deus com as mesmas paixões prazerosas e dramáticas que se tinha no teatro. Construía-se um teatro dos sentimentos, sacralizavam-se as cabalettas, os duetos e as melodias sensuais. Era um modo feliz de adorar que desapareceu com o tempo, para dar a lugar a composições graves e circunspectas, que nem sempre atingem a profundidade ambicionada.

Enfim, essa Missa de São Sebastião é uma delícia. Revela um jovem que conhece bem seu Bellini, seu Donizetti, seu Ernani. Que sabe se inspirar nesses mestres em modo renovado.

Campinas trouxe o maestro Luiz Fernando Malheiro para reger. Exemplo de rigor, de probidade musical, ele sabe também como dar vida a cada compasso. Os solistas foram de grande qualidade: o soprano Maíra Lautert, o mezzo Keila de Moraes, o tenor Paulo Mandarino, o barítono Douglas Hahn. Dois corais bons, o Collegium Vocale Campinas, dirigido por Akira Kawamoto e o Coro Contemporâneo de Campinas, regido por Angelo Fernandes. Eles se juntaram à Orquestra Sinfônica de Campinas no Teatro Castro Mendes, no dia 20 de setembro, para reviver essa bela música de um jovem promissor. Ouça aqui o Qui tollis seguido pelo Suscipe deprecationem.

Clássicos Editorial Ltda. © 2014 - Todos os direitos reservados.
A reprodução de todo e qualquer conteúdo requer autorização, exceto trechos com link para a respectiva página.





Jorge Coli - é professor de História da Arte e da Cultura na Unicamp e colunista da Revista CONCERTO.

Mais Textos

A goleada da Argentina (e nem precisaram do Messi) Por Nelson Rubens Kunze (8/12/2017)
Uma grande e despretensiosa sátira Por João Luiz Sampaio (8/12/2017)
Museu virtual reúne milhares de instrumentos de coleções britânicas Por Camila Frésca (4/12/2017)
Karnal, a Osesp e o governador Por Nelson Rubens Kunze (24/11/2017)
Quem não trafega nas redes sociais se trumbica Por João Marcos Coelho (24/11/2017)
Budu e Hilsdorf: nasce um duo Por Irineu Franco Perpetuo (14/11/2017)
Três óperas Por Jorge Coli (7/11/2017)
Convocação de OSs para Emesp, Guri e Conservatório de Tatuí reforça torniquete financeiro do governo Por Nelson Rubens Kunze (3/11/2017)
Para onde nos levará a onda de censura no país? Por João Marcos Coelho (31/10/2017)
Os quartetos de cordas e a reavaliação da obra de Villa-Lobos Por Camila Frésca (30/10/2017)
O Brahms profundo e espontâneo de Nelson Freire Por Irineu Franco Perpetuo (25/10/2017)
Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp Por João Marcos Coelho (29/9/2017)
“Tosca” tem montagem competente no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (28/9/2017)
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” Por Camila Frésca (28/9/2017)
Um “Nabucco” problemático no Theatro Municipal de São Paulo Por João Luiz Sampaio (26/9/2017)
Na estreia com a Osesp, Leonardo Hilsdorf encanta a Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (22/9/2017)
Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
Wagner de boa qualidade, mas sem lirismo e vigor dramático Por Jorge Coli (4/9/2017)
Finalmente Dudamel “suja” mãos e batuta com a “política” Por João Marcos Coelho (24/8/2017)
Dobradinha “Pulcinella & Arlecchino” tem boa realização no Theatro São Pedro Por Nelson Rubens Kunze (23/8/2017)
O bel canto colorido e expressivo de Javier Camarena Por Irineu Franco Perpetuo (10/8/2017)
Osesp faz belo concerto com programa raro Por Jorge Coli (9/8/2017)
Terceira edição do Festival Vermelhos consolida projeto cultural em Ilhabela Por Camila Frésca (8/8/2017)
Em busca da música Por João Marcos Coelho (28/7/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Dezembro 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
27 28 29 30 31 1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30
31 1 2 3 4 5 6
 

 
São Paulo:

19/12/2017 - Coro Acadêmico da Osesp

Rio de Janeiro:
17/12/2017 - Orquestra Johann Sebastian Rio

Outras Cidades:
16/12/2017 - Tatuí, SP - Orquestra Jovem do Estado de São Paulo
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046