Banner 468x60
Banner 180x60
Bom dia.
Sexta-Feira, 28 de Abril de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes


 
 
 
Quando a música é essencial (11/3/2015)
Por João Marcos Coelho

Semana passada assisti a duas apresentações muito diferentes entre si, mas com um ponto em comum: ambas fugiram da convencional mesmice que quase sempre ronda a vida musical, pulsaram uma musicalidade incrível. Os músicos de fato se entregaram a performances empenhadas, mergulharam fundo em seu potencial para de lá extrair interpretações em primeiro lugar honestas. E também competentes, talentosas.

De um lado, um concerto sinfônico aparentemente tradicional na Sala São Paulo. A Orquestra Jovem do Estado mostrou o programa que vai fazer em dois concertos em Washington e Nova York ainda este mês. No repertório, dois hits brasileiros – a Abertura concertante de Camargo Guarnieri e o Choros nº 6, de Villa-Lobos – e o Terceiro concerto de Beethoven, com o pianista malaio Tengku Irfan, de 16 anos, aluno da Juilliard, escola com a qual a Jovem mantém intercâmbio.

De outro, o primeiro encontro entre dois notáveis instrumentistas que fazem do improviso seu dia a dia, mas trilharam caminhos diferentes. Enquanto o pianista Benjamim Taubkin namora com as músicas e linguagens do mundo inteiro, dialogando com instrumentistas de vários países, o violeiro Ivan Vilela fez de suas raízes caipiras o húmus a partir do qual construiu um enfoque muito próprio e original de tocar este que é um dos instrumentos de mais atraente sonoridade entre os cerca de 14.000 inventados pelo homem até hoje (segundo o pesquisador francês Bernard Sève).


Ivan Vilela e Benjamim Taubkin: instrumentistas que fazem do improviso seu dia a dia [foto: divulgação]

Nas duas noites, ficou claro que música não se faz só com entusiasmo. Outros quesitos são fundamentais. Estudo sério, pesquisa profunda, autodisciplina férrea no preparo dos repertórios e/ou amadurecimento – tarefa dificílima, que só se adquire com o tempo – para improvisos.

Cláudio Cruz mudou a face da Orquestra Jovem de 2012 pra cá. Em vez de concertos burocraticamente modorrentos, instaurou períodos de duas semanas e 50 horas de ensaio para cada concerto da temporada. Seu incrível talento, como regente e como violinista, fez o resto. Músicos entre 13 e 26 anos querem permanecer na Jovem pela chance de trabalhar com ele. O resultado é arrebatador. Poucas vezes vi uma Abertura concertante tão bem tocada; assim como, aliás, os Choros nº 6.

Do outro lado, o encontro entre Benjamim Taubkin e Ivan Vilela mostrou aos ouvidos um outro Brasil, que insistimos em varrer para debaixo do tapete. São sonoridades, cacoetes, estilos riquíssimos, prontos a funcionar como rampa de decolagem para improvisos emocionantes.

Música ao vivo só emociona, encanta e seduz o público quando os próprios músicos também estão imersos no que estão fazendo, ligadíssimos, entregues às obras e/ou improvisos. Estes momentos são mágicos, como costuma dizer o maestro letão Mariss Jansons. Para o titular da Orquestra do Concertgebouw e da Orquestra da Rádio da Baviera, esta eletricidade é algo que ele só consegue em um a cada 18 ou 20 concertos.

Meta dificílima, mas que é fundamental perseguir. Para que os músicos se sintam vivos, com sangue nas veias. Só assim nós, o público, vamos nos arrebatar e sair do concerto e/ou show convencidos de que a música é essencial em nossas vidas.

Clássicos Editorial Ltda. © 2015 - Todos os direitos reservados.
A reprodução de todo e qualquer conteúdo requer autorização, exceto trechos com link para a respectiva página.





João Marcos Coelho - é jornalista e crítico musical, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e apresentador do programa "O que há de novo", da Rádio Cultura FM; é coordenador da área de música contemporânea da CPFL Cultura.

Mais Textos

E Cristian Budu, finalmente, tocou com a Osesp! Por Irineu Franco Perpetuo (21/4/2017)
Olivier Toni Por João Marcos Coelho (20/4/2017)
“Uirapuru”, de Villa-Lobos: algumas considerações no centenário da obra Por Camila Frésca (12/4/2017)
Nasce uma estrela Por Jorge Coli (11/4/2017)
A festa do Concurso Maria Callas: competência e amor à música Por Jorge Coli (4/4/2017)
Theatro Municipal do Rio de Janeiro apresenta “Jenufa”, de Janácek Por Nelson Rubens Kunze (4/4/2017)
“Risco” é vibrante imagem artística da cidade de São Paulo Por Jorge Coli (29/3/2017)
Quanto custa uma orquestra sinfônica? Por Nelson Rubens Kunze (28/3/2017)
De palmeiras e pinheirinhos nórdicos Por João Marcos Coelho (24/3/2017)
Opes abre temporada clássica no Theatro Municipal do Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (23/3/2017)
Sombra de sombra – a estreia da ópera “O espelho” Por João Luiz Sampaio (22/3/2017)
Helder Parente, talento infinito Por Rosana Lanzelotte (21/3/2017)
Trio Villani-Côrtes faz uma ótima estreia com “Três tons brasileiros” Por Camila Frésca (14/3/2017)
O valor da música (e a responsabilidade do Estado) Por Nelson Rubens Kunze (5/3/2017)
Um Brasil diferente ainda é possível Por João Marcos Coelho (22/2/2017)
Em clima de festa, Theatro Municipal de São Paulo abre ano com bom concerto Por Nelson Rubens Kunze (22/2/2017)
Sígrido Levental e o Conservatório do Brooklin (lembranças pessoais) Por Nelson Rubens Kunze (3/2/2017)
Sarau e livro recuperam a obra do violinista catarinense Adolpho Mello Por Camila Frésca (23/1/2017)
Nação civilizada (ou seria incivilizada?) Por Nelson Rubens Kunze (18/1/2017)
Diário de viagem Por Jorge Coli (16/1/2017)
Para conhecer Claudio Santoro Por Irineu Franco Perpetuo (23/12/2016)
Feliz Ano Novo? Por Nelson Rubens Kunze (23/12/2016)
Fim da Oficina de Curitiba: populismo da pior espécie Por João Marcos Coelho (20/12/2016)
Um retrato do Painel Funarte de Ensino Coletivo Por Camila Frésca (19/12/2016)
Aleyson Scopel faz ótima apresentação no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (16/12/2016)
Em Porto Alegre, uma “Carmina Burana” para lembrar Por Everton Cardoso (15/12/2016)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Abril 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
26 27 28 29 30 31 1
2 3 4 5 6 7 8
9 10 11 12 13 14 15
16 17 18 19 20 21 22
23 24 25 26 27 28 29
30 1 2 3 4 5 6
 

 
São Paulo:

28/4/2017 - Ópera Il Noce di Benevento, de Giuseppe Balducci

Rio de Janeiro:
29/4/2017 - Roberto de Regina - cravo

Outras Cidades:
29/4/2017 - Belo Horizonte, MG - Ópera Norma, de Bellini
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046