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Quando a música é essencial (11/3/2015)
Por João Marcos Coelho

Semana passada assisti a duas apresentações muito diferentes entre si, mas com um ponto em comum: ambas fugiram da convencional mesmice que quase sempre ronda a vida musical, pulsaram uma musicalidade incrível. Os músicos de fato se entregaram a performances empenhadas, mergulharam fundo em seu potencial para de lá extrair interpretações em primeiro lugar honestas. E também competentes, talentosas.

De um lado, um concerto sinfônico aparentemente tradicional na Sala São Paulo. A Orquestra Jovem do Estado mostrou o programa que vai fazer em dois concertos em Washington e Nova York ainda este mês. No repertório, dois hits brasileiros – a Abertura concertante de Camargo Guarnieri e o Choros nº 6, de Villa-Lobos – e o Terceiro concerto de Beethoven, com o pianista malaio Tengku Irfan, de 16 anos, aluno da Juilliard, escola com a qual a Jovem mantém intercâmbio.

De outro, o primeiro encontro entre dois notáveis instrumentistas que fazem do improviso seu dia a dia, mas trilharam caminhos diferentes. Enquanto o pianista Benjamim Taubkin namora com as músicas e linguagens do mundo inteiro, dialogando com instrumentistas de vários países, o violeiro Ivan Vilela fez de suas raízes caipiras o húmus a partir do qual construiu um enfoque muito próprio e original de tocar este que é um dos instrumentos de mais atraente sonoridade entre os cerca de 14.000 inventados pelo homem até hoje (segundo o pesquisador francês Bernard Sève).


Ivan Vilela e Benjamim Taubkin: instrumentistas que fazem do improviso seu dia a dia [foto: divulgação]

Nas duas noites, ficou claro que música não se faz só com entusiasmo. Outros quesitos são fundamentais. Estudo sério, pesquisa profunda, autodisciplina férrea no preparo dos repertórios e/ou amadurecimento – tarefa dificílima, que só se adquire com o tempo – para improvisos.

Cláudio Cruz mudou a face da Orquestra Jovem de 2012 pra cá. Em vez de concertos burocraticamente modorrentos, instaurou períodos de duas semanas e 50 horas de ensaio para cada concerto da temporada. Seu incrível talento, como regente e como violinista, fez o resto. Músicos entre 13 e 26 anos querem permanecer na Jovem pela chance de trabalhar com ele. O resultado é arrebatador. Poucas vezes vi uma Abertura concertante tão bem tocada; assim como, aliás, os Choros nº 6.

Do outro lado, o encontro entre Benjamim Taubkin e Ivan Vilela mostrou aos ouvidos um outro Brasil, que insistimos em varrer para debaixo do tapete. São sonoridades, cacoetes, estilos riquíssimos, prontos a funcionar como rampa de decolagem para improvisos emocionantes.

Música ao vivo só emociona, encanta e seduz o público quando os próprios músicos também estão imersos no que estão fazendo, ligadíssimos, entregues às obras e/ou improvisos. Estes momentos são mágicos, como costuma dizer o maestro letão Mariss Jansons. Para o titular da Orquestra do Concertgebouw e da Orquestra da Rádio da Baviera, esta eletricidade é algo que ele só consegue em um a cada 18 ou 20 concertos.

Meta dificílima, mas que é fundamental perseguir. Para que os músicos se sintam vivos, com sangue nas veias. Só assim nós, o público, vamos nos arrebatar e sair do concerto e/ou show convencidos de que a música é essencial em nossas vidas.

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João Marcos Coelho - é jornalista e crítico musical, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e apresentador do programa "O que há de novo", da Rádio Cultura FM; é coordenador da área de música contemporânea da CPFL Cultura.

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