Banner 468x60
Banner 180x60
Boa noite.
Sexta-Feira, 18 de Agosto de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
Os 150 anos de Carl Nielsen e algumas considerações sobre música brasileira (26/5/2015)
Por Camila Frésca

Em 2014, Alberto Nepomuceno fez 150 anos de nascimento. A importância desse compositor na música brasileira é geralmente apontada por conta do pioneirismo no canto em língua portuguesa. De fato, Nepomuceno escreveu diversas canções em português e outras obras nas quais a temática nacional está em pauta não apenas na inspiração ou discurso, mas no próprio conteúdo musical (vide sua Série brasileira). Mas sua importância vai muito além disso. Compositor de sólida formação, sua obra representa um dos pontos altos da passagem do século XIX para o XX; figura atuante na nascente República brasileira, a vida de Nepomuceno é um exemplo das batalhas e cenários musicais vividos pelos músicos de sua época; professor e diretor da principal instituição musical da nascente república, lutou em prol da institucionalização da prática musical e dos direitos dos músicos. O catálogo de Nepomuceno inclui, além da Série brasileira, centenas de obras para diversas formações, como as óperas Porangaba, Electra, Ártemis, Abul e a inacabada O garatuja, e a Sinfonia em sol menor. Somam-se a essas peças sacras, dezenas de canções para canto e piano e canto e orquestra, peças para piano, um trio e quatro quartetos de cordas. Lembro-me de ter ficado bastante incomodada em não ver o compositor tocado e apresentado em nossas salas de concerto nem mesmo por conta da efeméride (exceção honrosa feita à montagem de Ártemis pelo Theatro São Pedro de São Paulo). Afinal, se não o fizermos, quem o fará?

Neste ano, o compositor dinamarquês Carl Nielsen completa igualmente 150 anos. Tal como Nepomuceno, Nielsen é um compositor preocupado com questões nacionalistas que atuou no final do século XIX e início do XX. Em seu país é muito admirado por suas canções baseadas em tradições populares dinamarquesas. Internacionalmente, seu legado são as seis sinfonias. Se está fora de discussão a importância de tocar e conhecer a obra desse compositor, fiquei surpresa ao notar que nossas orquestras, até o momento, já programaram mais obras de Nielsen do que o que se tocou de Nepomuceno durante todo o ano passado!


Compositor Carl Nielsen, que no dia 9 de junho completa 150 anos de nascimento [imagem: reprodução]

É claro que não se trata apenas de uma questão de “vontade” ou de “gosto” de nossos programadores. É espantoso o número de ações promovidas na Dinamarca com o intuito estabelecer e estimular a difusão da obra do grande nome da música clássica de seu país. Isso já fica claro quando se lê a detalhada biografia do compositor na página da Wikipedia, e se confirma com uma visita ao site especialmente construído para comemorar a efeméride dos 150 anos. Muito completo e bem organizado, traz informações biográficas, fotos, vídeos, calendário de apresentações e ainda permite que se ouça boa parte da obra do compositor. Outras iniciativas que colaboram para o fortalecimento do nome de Nielsen são a Competição Carl Nielsen, o Museu Carl Nielsen, os Carl Nielsen Studies e a Carl Nielsen Edition, uma impressionante revisão crítica de toda a obra do compositor em 32 volumes de partituras precedidas de textos explicativos, bilíngues, e que podem ser baixados gratuitamente. O projeto levou alguns anos e foi encampado pela Biblioteca Nacional da Dinamarca.

Que bom seria se difundir e estabelecer a obra de alguns dos nossos maiores compositores fosse um projeto de Estado – que investindo dinheiro e mão de obra intelectual fizesse uma força tarefa para, em alguns anos, estabelecer toda a obra de determinado compositor, entre outras iniciativas. OK, podem alegar que Carl Nielsen é o mais importante compositor da Dinamarca, e seria, portanto, o nosso Villa-Lobos (embora, cá entre nós, Villa-Lobos, em minha opinião, seja um gigante bem maior que Nielsen). Ainda que tenhamos iniciativas importantes relacionadas à obra do compositor – como as da Osesp e da Academia Brasileira de Música – quanto ainda é necessário trabalharmos para que Villa tenha sua obra organizada e difundida em dimensão semelhante? E o que falar então de outros grandes como Carlos Gomes, Alberto Nepomuceno, Camargo Guarnieri, Francisco Mignone...


[Veja também]
A seção Vidas Musicais da edição de junho da Revista CONCERTO é dedicada a Carl Nielsen (disponível para assinantes)

Clássicos Editorial Ltda. © 2015 - Todos os direitos reservados.
A reprodução de todo e qualquer conteúdo requer autorização, exceto trechos com link para a respectiva página.





Camila Frésca - é jornalista e doutoranda em musicologia pela ECA-USP. É autora do livro "Uma extraordinária revelação de arte: Flausino Vale e o violino brasileiro" (Annablume, 2010).

Mais Textos

O bel canto colorido e expressivo de Javier Camarena Por Irineu Franco Perpetuo (10/8/2017)
Osesp faz belo concerto com programa raro Por Jorge Coli (9/8/2017)
Terceira edição do Festival Vermelhos consolida projeto cultural em Ilhabela Por Camila Frésca (8/8/2017)
Em busca da música Por João Marcos Coelho (28/7/2017)
Neojiba: o exemplo da Bahia para o Brasil Por Irineu Franco Perpetuo (24/7/2017)
Você conhece José Vieira Brandão? Por João Marcos Coelho (12/7/2017)
Campos do Jordão, Salzburg e a economia da cultura Por Nelson Rubens Kunze (12/7/2017)
Rameau em “dreadlocks” Por Jorge Coli (11/7/2017)
Isabelle Faust, Vadim Repin e Julian Rachlin: sobre expectativas, decepções e boas surpresas Por Camila Frésca (5/7/2017)
Encomenda da Osesp mostra Mehmari maduro Por Irineu Franco Perpetuo (3/7/2017)
Fórum apresenta importantes orientações para “endowments” culturais no Brasil Por Nelson Rubens Kunze (10/6/2017)
Filme “Filhos de Bach” marca por sua sensibilidade e delicadeza Por Nelson Rubens Kunze (9/6/2017)
Transformação social e o futuro da música clássica Por Anahi Ravagnani e Leonardo Martinelli (30/5/2017)
Os extras contemporâneos de Isabelle Faust na Sala São Paulo Por João Marcos Coelho (25/5/2017)
Festival Amazonas de Ópera encena ‘Tannhäuser’ e comemora 20ª edição Por Nelson Rubens Kunze (23/5/2017)
Noites memoráveis com Isabelle Faust e Alexander Melnikov Por Camila Frésca (18/5/2017)
Com Faust e Volmer, a Osesp chega à excelência Por Irineu Franco Perpetuo (16/5/2017)
Foi um esplendor, mas... Por Jorge Coli (16/5/2017)
Perdas e danos (Santa Marcelina incorpora Theatro São Pedro) Por Nelson Rubens Kunze (9/5/2017)
Pesquisa do Projeto Guri mostra resultados importantes Por Camila Frésca (3/5/2017)
Diana Damrau, uma artista de mais de 50 tons Por Irineu Franco Perpetuo (2/5/2017)
E Cristian Budu, finalmente, tocou com a Osesp! Por Irineu Franco Perpetuo (21/4/2017)
Olivier Toni Por João Marcos Coelho (20/4/2017)
“Uirapuru”, de Villa-Lobos: algumas considerações no centenário da obra Por Camila Frésca (12/4/2017)
Nasce uma estrela Por Jorge Coli (11/4/2017)
A festa do Concurso Maria Callas: competência e amor à música Por Jorge Coli (4/4/2017)
Theatro Municipal do Rio de Janeiro apresenta “Jenufa”, de Janácek Por Nelson Rubens Kunze (4/4/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Agosto 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
30 31 1 2 3 4 5
6 7 8 9 10 11 12
13 14 15 16 17 18 19
20 21 22 23 24 25 26
27 28 29 30 31 1 2
 

 
São Paulo:

18/8/2017 - Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo

Rio de Janeiro:
20/8/2017 - Orquestra Petrobras Sinfônica

Outras Cidades:
19/8/2017 - Piracicaba, SP - Orquestra Sinfônica de Piracicaba
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046