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Fórum Ircam Brasil – Parte 3 (9/11/2015)
Por Camila Frésca

O terceiro e último dia do Fórum Ircam, na sexta-feira, dia 6, abriu seus trabalhos com uma conferência sobre composição com Flo Menezes. Um aspecto interessante do evento, aliás, foi a possibilidade de ouvir as obras em concerto e, depois, escutar seus compositores falarem sobre ela. Assim foi com Jerôme Combier, que teve sua obra Dawnlight executada na quarta-feira e falou sobre ela no dia seguinte. Da mesma forma, após ouvir a bela peça TransScriptio, para violino e eletrônica, no concerto de quinta-feira, foi possível ouvir Flo falar sobre ela na sexta. A obra se inscreve dentro do projeto do DVD-áudio Boulez + e por isso está diretamente relacionada à peças do mestre francês que integram o disco: Anthèmes 1 (para violino solo) e Anthèmes 2 (para violino e eletrônica). TransScriptio, para violino e eletrônica em tempo real, deriva de Scriptio, para violino solo, também de Flo. Falar mais sobre essas peças e sobre o disco, aliás, merece um texto separado. Mas vale dizer que um dos conceitos utilizados na peça – tal qual Boulez em Antèmes 2 –, é o uso multiplicativo da eletrônica, ou seja: mais do que oferecer novos elementos, a eletrônica transforma e expande o material que é apresentado pelo violino.

À sequência da fala de Flo, foi possível complementar ainda mais a experiência do concerto da noite anterior ouvindo o sound designer Serge Lemouton, do Ircam, que falou sobre difusão da eletrônica, tomando como exemplo justamente Anthèmes 2, da qual ele havia participado na noite anterior. A manhã terminou com uma sessão de “perguntas e respostas”, na qual os compositores Sergio Kafejian, Flo Menezes, Tatiana Catanzaro e Jerôme Combier responderam à plateia, falando sobre questões estéticas e dificuldades específicas que envolvem a música eletroacústica durante a performance.


Mesa com Kafejian, Menezes, Catanzaro, Combier e Lemouton [fotos: Camila Frésca/Revista CONCERTO]

Após o almoço, o público, que no terceiro dia continuava numeroso e atento, dividiu-se em três atividades: dois workshops e uma conversa sobre composição com Jerôme Combier, que comentou composições daqueles que trouxeram suas próprias peças para serem analisadas. Os workshops, mais uma vez, versaram sobre programas desenvolvidos pelo Ircam. O pesquisador Emmanuel Jordan falou, durante três horas, sobre OMax, o grande programa de criação musical do Ircam ao qual quase todos os demais softwares estão atrelados. Já Arshia Cont, diretor do departamento de pesquisas e interfaces criativas do instituto, comandou uma sessão completamente lotada na qual explicou o funcionamento do software Antescofo: uma espécie de “seguidor de partituras” modular que reconhece automaticamente a posição do músico na partitura, e é sensível a mudanças não previstas, como por exemplo um erro ou variações no tempo. Assim, ele consegue sincronizar a parte eletrônica e dar mais liberdade ao compositor na hora da escrita, uma vez que ele poderá contar com o suporte do software. Neste vídeo, é possível ver uma das aplicações do Antescofo: num “karaokê interativo”, é o acompanhamento musical que segue o cantor, e não o contrário.


Arshia Cont em sua palestra sobre o software Antescofo, “seguidor de partituras” desenvolvido pelo Ircam

Ao mesmo tempo em que passava pelos workshops, conversei com alguns dos envolvidos no evento, como a adida cultural do Consulado da França Inès da Silva e o compositor Jerôme Combier. Paola Palumbo, coordenadora do departamento de pesquisas e interfaces criativas do Ircam, me explicou que os fóruns presenciais como este realizado em São Paulo são um complemento a um fórum online permanente, que pode ser acessado em forumnet.ircam.fr. Trata-se de uma plataforma colaborativa internacional dedicada à tecnologia da música, em torno dos softwares desenvolvidos pelo instituto. O fórum é aberto e possui mais de mil usuários no mundo inteiro, entre compositores, artistas, estudantes, professores, engenheiros e profissionais envolvidos com o universo da composição musical assistida por computador. É possível inscrever-se gratuitamente do Fórum Ircam online, e o usuário passa a ter acesso livre a alguns softwares, informações sobre as reuniões anuais, além de poder participar de grupos de discussão. Palumbo estava surpresa com a receptividade dos brasileiros ao fórum, bem como com o número de usuários que já conheciam os softwares. Igualmente entusiasmado estava Stéphan Schaub, professor da Unicamp e um dos organizadores do evento, ao lado de Rogério Costa (USP) e Flo Menezes (Unesp). Ele contou que os mais de 200 inscritos no evento foram uma grata surpresa ao receio inicial de que não houvesse um número expressivo de participantes.


Concerto de encerramento realizado no Teatro Maria de Lourdes Sekeff, no Instituto de Artes da Unesp

A programação oficial do Fórum Ircam São Paulo encerrou-se com mais um concerto, dessa vez no Teatro Maria de Lourdes Sekeff, no próprio Instituto de Artes da Unesp. “Presença, ausência e memórias”, organizado por Rogério Costa e Stéphan Schaub, foi um programa de livre improvisação com eletrônica em tempo real e a participação de diversos instrumentistas, reunindo músicos e pesquisadores brasileiros e franceses. Um final a altura da qualidade do evento.


[Veja também]
Fórum Ircam Brasil – Parte 1
Fórum Ircam Brasil – Parte 2

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Camila Frésca - é jornalista e doutoranda em musicologia pela ECA-USP. É autora do livro "Uma extraordinária revelação de arte: Flausino Vale e o violino brasileiro" (Annablume, 2010).

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