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O sucesso de Dom Quixote (8/3/2016)
Por Jorge Coli

Dom Quixote, de Massenet, apresentado agora no Theatro São Pedro, está sendo um sucesso em todos os sentidos. Os artistas investem com energia, o público delira, a música – tão raramente apresentada – é sutil, mas também emotiva. Quando o cavaleiro da triste figura morre no fim, o nó vem à garganta.


Eduardo Amir e Gregory Reinhart como Sancho Pança e Dom Quixote [fotos: Heloísa Bortz/divulgação]

É preciso dizer que Gregory Reinhart, grande cantor de carreira internacional, aguardou a vida inteira por esse papel. Ele tem o físico, as feições, a idade, o gênio teatral e a voz perfeita, esplêndida, negra, vasta, monumental, para encarnar o personagem. Seu ar alucinado, a grandeza de suas posturas, o eleva à estatura que o mito exige. Ele é Dom Quixote, em sua mais perfeita encarnação.

A tal ponto que se confunde com as ilustrações de Gustave Doré. Explico. Jorge Takla teve um grande achado: tomar gravuras daquele grande artista, que marcaram tantos leitores de gerações diversas, para servirem de cenários. A concepção foi de Nuria Castejon, e era como se os cantores saíssem do livro. Gregory Reinhart e o D. Quixote de Doré pareciam os mesmos. A eloquência das imagens correspondia também à concepção romântica do cavaleiro, que vem de uma peça de Henri Caïn, e não diretamente de Cervantes.

Luisa Francesconi foi, ela também, uma Dulcineia de sonhos, pelo físico, pela voz, pela presença teatral. Compreende-se que D. Quixote pudesse morrer por ela.


Um dos destaques da montagem de Dom Quixote, a mezzo Luisa Francesconi é “uma Dulcineia dos sonhos”

Eduardo Amir assegurou com bonomia o papel do gordo escudeiro Sancho. Mas, enfim, se eu fosse continuar elogiando cada um, a lista ficaria enorme. Assim, todo o elenco, bailarinos, coro, por favor, sintam-se elogiados com entusiasmo.

Mas menciono ao menos a orquestra e a regência de Luiz Fernando Malheiro, tão finos, tão entusiastas, tão belamente sonoros.

Para mim, qualidade na ópera é isso: regência inspirada, vozes expressivas, cantores que são atores, concepção cênica efetivamente dramática e, sem o que ela não vive de fato, tudo levado por vibração e entusiasmo. Foi assim nesse Dom Quixote.

Felizes os cariocas que poderão assistir à mesma produção que irá, em breve, para o Rio.


Em cartaz até o dia 13/3, a produção de Dom Quixote tem enquete aberta no Ouvinte Crítico; participe!

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Jorge Coli - é professor de História da Arte e da Cultura na Unicamp e colunista da Revista CONCERTO.

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