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Um piano e a fauna brasileira (1/6/2016)
Por Camila Frésca

Fábio Caramuru está lançando um novo disco. Conversas de um piano com a fauna brasileira propõe um diálogo entre o instrumento e sons de aves, insetos e um anfíbio. Embora inusitado, o trabalho não é um desvio de rota na vida desse artista. A despeito de ter percorrido a carreira tradicional de intérprete de música clássica – e de ter tido o privilégio de ser um dos últimos alunos de Magda Tagliaferro –, Fabio sempre demonstrou que seus interesses musicas abrangiam um espectro mais amplo, seja como intérprete/arranjador de obras de Tom Jobim, seja como improvisador/criador em discos como Moods reflections moods, para citar dois exemplos. “Embora eu goste desse repertório [tradicional], já faz algum tempo que venho me dedicando prioritariamente à minha própria linguagem, em sintonia com um forte desejo de criar com liberdade, de ser coerente e sincero musicalmente”, afirma.

O CD EcoMúsica | Conversas de um piano com a fauna brasileira utilizou sons gravados da Fonoteca Neotropical Jacques Vielliard (FNJV), da Unicamp, e é o início de um projeto maior, dedicado a unir música e meio ambiente. Conversei com Fabio Caramuru para saber mais sobre o projeto e sobre seu atual momento de vida e de carreira. 


O pianista Fábio Caramuru [Divulgação / Edson Kumasaka]

No disco Conversas de um piano com a fauna brasileira, você trabalhou com fonogramas de acervo da Unicamp. Como selecionou as 14 gravações que mais lhe interessaram?
A primeira seleção contou com quase trinta gravações de sons captados por especialistas. Havia registros de alguns mamíferos também. Acabei optando por aquelas que considerei mais adequadas ao conceito do CD: quis realizar um trabalho delicado e sutil no qual os sons gravados tivessem um grande potencial de amalgamar-se com o piano. Procurei também abordar sonoridades de animais familiares. Com exceção do uirapuru, já vi e ouvi pessoalmente todos os animais “participantes” do CD.

E a partir dessa seleção, como se deu a criação musical em cima dos fonogramas? Havia algum plano formal, alguma estrutura geral, ou foi mais na base do improviso, do que cada gravação te inspirou?
Ao ouvir os sons, ao longo de aproximadamente 30 dias, fui criando as estruturas e os motivos que, de alguma forma, faziam sentido para dialogar com cada gravação. Surgiram muitas imagens, recordações de situações e lugares em que pude ouvi-los ao longo da minha vida. Por exemplo, ao ouvir o quero-quero, desenhava-se na minha imaginação um vasto campo, com pouca vegetação. O anu-branco me remetia a uma localidade desoladora, com muitas nuvens. Já o grilo e o misterioso uirapuru apresentaram sonoridades mais noturnas. A ideia foi utilizar diferentes procedimentos de composição: imitação (bem-te-vi, sabiá, araponga), integração (cigarra), contraste (tuim), melodia acompanhada (tangará), entre outros. Note que as estruturas são simples e repetitivas para que o ouvinte possa se entregar à audição das diferentes faixas como se fosse à entoação de mantras.

Vi que esse disco integra um projeto maior, “eco música”. Poderia falar sobre este projeto?
O EcoMúsica é um projeto que prevê a realização de gravações em áudio e vídeo de diversas temáticas relacionadas à natureza brasileira. Há uma infinidade de animais e de localidades que podem gerar novos trabalhos. A ideia original é instalar o piano em ambientes selvagens e dialogar com os animais, com as imagens e sonoridades características das paisagens. Em abril, lançamos o primeiro vídeo, Cigarra, gravado em uma fazenda no município de São Carlos, SP, que já conta com 7000 visualizações no youtube [clique aqui para ver] O princípio genético do projeto é o forte impulso que eu tenho para criar musicalmente em sintonia com o que o Brasil tem de belo, positivo e surpreendente.

Você tem um interesse musical que transcende a convencional carreira de músico clássico – a despeito de ter estudado com Magda Tagliaferro e ter feito também a carreira tradicional de intérprete. De cabeça, me lembro de seus belos discos com as músicas do Tom Jobim e de Moods reflections moods. Isso tem a ver com a forma como você concebe a carreira e um músico “erudito” nos dias atuais?
Respeito muito os músicos que percorrem carreiras convencionais, interpretando o repertório tradicional. Isso exige uma dedicação excepcional, muitas horas de estudo e viver em um ambiente de muita comparação e concorrência. Embora eu goste desse repertório, já faz algum tempo que venho me dedicando prioritariamente à minha própria linguagem, em sintonia com um forte desejo de criar com liberdade, de ser coerente e sincero musicalmente. Procuro sempre que possível realizar projetos que refletem minhas íntimas necessidades artísticas em cada momento. Foi assim com a obra de Tom Jobim, Camargo Guarnieri e Inah Sandoval na década de 1990, com o CD infantil Dó Ré Mi Fon Fon (2002), com os trabalhos de livre improvisação (Moods Reflections Moods e Bossa in the Shadows) e agora com o CD Conversas de um piano com a fauna brasileira, a primeira realização do projeto EcoMúsica. Paralelamente, em breve, a Echo Promoções, empresa produtora de eventos culturais que criei em 1988, realizará o projeto “Concertos Afro-Brasileiros”, que colocará em relevo a rica produção de música de concerto afro-brasileira. Com esses projetos procuro sempre priorizar a cultura nacional.

Vi que esse disco foi recomendado como instrumento terapêutico (insônia, relaxamento etc.). Quando você pensa em sua atuação como músico, também lhe agrada pensar que este trabalho possa ter uma recepção mais ampla do que uma simples fruição artística? 
Sim, fico muito gratificado em perceber que o trabalho já demonstra uma amplitude razoável, alcançando um público que anteriormente não conhecia a minha arte.

E, pensando de forma ampla, me parece que esse seu trabalho tem a ver com algo maior também, talvez uma busca pessoal que transcenda o universo musical ou mesmo artístico. Será que minha impressão é correta?
Acertou! Estou em um momento de vida muito especial. Neste ano completarei 60 anos e nasceu o meu primeiro neto. Nesse ponto da maturidade, parece que você depura as coisas e começa a se importar com aquilo que realmente vale a pena. Eu fui uma criança diferente, que passava horas contemplando plantas, cuidando de animais e do jardim da minha casa, fotografando coisas bonitas. Devo estar voltando à minha verdadeira essência de simplicidade e de contemplação, com uma enorme vontade de me expressar musicalmente em sintonia com as belezas naturais do meu país. É importante mencionar também que o CD é uma homenagem a meu pai, Ronald Caramuru, que nos deixou em 2015, autor das ilustrações de pássaros que ilustram o CD “EcoMúsica |Conversas de um piano com a fauna brasileira”. Termino agradecendo pela oportunidade de poder explicar esse novo trabalho, que representa algo muito importante para mim nesse momento.

[Clique aqui para conhecer os CDs de Fabio Caramuru disponíveis na Loja CLÁSSICOS]





Camila Frésca - é jornalista e doutoranda em musicologia pela ECA-USP. É autora do livro "Uma extraordinária revelação de arte: Flausino Vale e o violino brasileiro" (Annablume, 2010).

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