Banner 468x60
Banner 180x60
Boa tarde.
Terça-Feira, 17 de Outubro de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” (28/9/2017)
Por Camila Frésca

Um disco de música instrumental brasileira para a formação de flauta doce, percussão e violão. Assim é Brazilian Landscapes, gravado em dezembro de 2016, em Copenhagen, e que chega agora ao mercado brasileiro. O trabalho reúne Michala Petri, flautista dinamarquesa que possui prestigiada carreira internacional como solista e camerista; a percussionista e compositora norte-americana Marilyn Mazur, parceira de grandes nomes do jazz como Miles Davis; e o excelente violonista brasileiro Daniel Murray. A ideia do CD é do também violonista e produtor Lars Hannibal, que conheceu Murray em 2014, em Viena, durante a Classical Next. “Seu toque pessoal e arrojado chamou minha atenção. Imediatamente pensei na possibilidade de combinar o violão do Daniel com a maneira de tocar da Michala, além disso complementada com a incrível sensibilidade e inventividade de Marilyn Manzur, que eu sempre admirei em muitos outros trabalhos. Nos anos seguintes nos encontramos algumas vezes na Dinamarca e fomos amadurecendo este projeto tão especial”, escreve ele no livreto que acompanha o disco.


Daniel Murray [Divulgação / Gal Oppido]

Tem razão Lars Hannibal em se impressionar com Daniel Murray. O jovem violonista, compositor e arranjador é um dos grandes nomes do violão brasileiro de sua geração. Ex-aluno de Edelton Gloeden e Paulo Porto Alegre, aos 15 anos conquistou o segundo lugar no Concours Internacional de Guitarre de Trédrez-Locquemeau (França). Desde então, sua atividade como solista e camerista só tem se incrementado. Daniel possui uma carreira intensa e tem um duo com Paulo Porto Alegre, é integrante do Trio Opus 12 e do Quarteto Tau. Da mesma forma, sua curiosidade em explorar diferentes repertórios já o levou a gravar música contemporânea (ele se especializou em técnicas estendidas para o violão), discos autorais e outro dedicado a Tom Jobim, com arranjos próprios. Isso sem falar nos trabalhos de câmara e colaborações com outros artistas. Daniel, aliás, é um ótimo arranjador, como fica evidente neste disco, do qual é autor de todos os arranjos.

“Nas nossas divagações passeamos por muitos lugares procurando peças que tivessem em comum a mesma expressão musical, tanto brasileira como clássica europeia”, afirma Lars Hannibal sobre a pesquisa para seleção do repertório do disco. “Como músico, o que mais me fascinou na música brasileira foi a enorme variedade de ritmos e expressões que você não acha nem no jazz nem na música clássica da Europa”, completa. Nas peças selecionadas para o disco, pode se perceber algumas vertentes da composição brasileira. Uma delas é a de compositores que são ao mesmo tempo mestres do violão brasileiro: Paulo Porto Alegre, cuja peça Sonhos, em duas versões, abre e fecha o disco; Paulo Belinatti, com Jongo e Pingue-Pongue; e o próprio Daniel Murray, autor de Cauteloso e de Canção e dança. Há também mestres da música instrumental brasileira: de Hermeto Pascoal é a lúdica São Jorge; de Egberto Gismonti, um compositor muito apreciado pelos violonistas, temos o frevo Karatê e a linda A fala da paixão; um nome tanto inusitado na seleção é o de Ernesto Nazareth, com a deliciosa Fon-fon numa excelente versão. Há ainda dois dos maiores nomes da música brasileira: na seara popular, Tom Jobim, que comparece com Olha Maria, em sensível leitura para flauta e violão; e, de Villa-Lobos, temos os Choros nºs 2 e 5. Completa o disco as Oito miniaturas, de Antonio Ribeiro. Se o compositor mineiro não se encaixa exatamente em nenhuma das categorias anteriores, sua música dialoga perfeitamente com o restante do repertório. As peças são originais para piano, mas aqui parecem feitas desde sempre para flauta e violão – bem como estão longe de soar um eruditismo acadêmico, apresentando-se em perfeita combinação com as demais obras do disco.

Brazlilian Landscapes é um disco feito com um cuidado evidente, que vai da seleção das peças, passa pela gravação e pelo acabamento gráfico dos materiais, chegando aos arranjos e à interpretação. A sonoridade é bonita e original, e o resultado geral, bastante inventivo.

[O CD Brazilian Landscapes pode ser adquirido na Loja CLÁSSICOS. Clique aqui para mais detalhes.]





Camila Frésca - é jornalista e doutoranda em musicologia pela ECA-USP. É autora do livro "Uma extraordinária revelação de arte: Flausino Vale e o violino brasileiro" (Annablume, 2010).

Mais Textos

Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp Por João Marcos Coelho (29/9/2017)
“Tosca” tem montagem competente no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (28/9/2017)
Um “Nabucco” problemático no Theatro Municipal de São Paulo Por João Luiz Sampaio (26/9/2017)
Na estreia com a Osesp, Leonardo Hilsdorf encanta a Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (22/9/2017)
Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
Wagner de boa qualidade, mas sem lirismo e vigor dramático Por Jorge Coli (4/9/2017)
Finalmente Dudamel “suja” mãos e batuta com a “política” Por João Marcos Coelho (24/8/2017)
Dobradinha “Pulcinella & Arlecchino” tem boa realização no Theatro São Pedro Por Nelson Rubens Kunze (23/8/2017)
O bel canto colorido e expressivo de Javier Camarena Por Irineu Franco Perpetuo (10/8/2017)
Osesp faz belo concerto com programa raro Por Jorge Coli (9/8/2017)
Terceira edição do Festival Vermelhos consolida projeto cultural em Ilhabela Por Camila Frésca (8/8/2017)
Em busca da música Por João Marcos Coelho (28/7/2017)
Neojiba: o exemplo da Bahia para o Brasil Por Irineu Franco Perpetuo (24/7/2017)
Você conhece José Vieira Brandão? Por João Marcos Coelho (12/7/2017)
Campos do Jordão, Salzburg e a economia da cultura Por Nelson Rubens Kunze (12/7/2017)
Rameau em “dreadlocks” Por Jorge Coli (11/7/2017)
Isabelle Faust, Vadim Repin e Julian Rachlin: sobre expectativas, decepções e boas surpresas Por Camila Frésca (5/7/2017)
Encomenda da Osesp mostra Mehmari maduro Por Irineu Franco Perpetuo (3/7/2017)
Fórum apresenta importantes orientações para “endowments” culturais no Brasil Por Nelson Rubens Kunze (10/6/2017)
Filme “Filhos de Bach” marca por sua sensibilidade e delicadeza Por Nelson Rubens Kunze (9/6/2017)
Transformação social e o futuro da música clássica Por Anahi Ravagnani e Leonardo Martinelli (30/5/2017)
Os extras contemporâneos de Isabelle Faust na Sala São Paulo Por João Marcos Coelho (25/5/2017)
Festival Amazonas de Ópera encena ‘Tannhäuser’ e comemora 20ª edição Por Nelson Rubens Kunze (23/5/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Outubro 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
1 2 3 4 5 6 7
8 9 10 11 12 13 14
15 16 17 18 19 20 21
22 23 24 25 26 27 28
29 30 31 1 2 3 4
 

 
São Paulo:

19/10/2017 - Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e Coro da Osesp

Rio de Janeiro:
21/10/2017 - Balé O lago dos cisnes, de Tchaikovsky

Outras Cidades:
21/10/2017 - Salvador, BA - Orquestra Petrobras Sinfônica
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046