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Budu e Hilsdorf: nasce um duo (14/11/2017)
Por Irineu Franco Perpetuo

Não me parece exagero afirmar que, no último final de semana, um capítulo da história do piano no Brasil foi escrito na Sala São Paulo. Sábado, dia 11, Leonardo Hilsdorf e Cristian Budu subiram ao palco juntos, com a Orquestra Sinfônica da USP, regida por Neil Thomson.

Se você ainda não ouviu nenhum deles tocar, está perdendo dois dos mais interessantes fenômenos pianísticos brasileiros do terceiro milênio – ambos, não por acaso, forjados por Eduardo Monteiro, o carioca que São Paulo teve a sabedoria de importar para moldar os melhores talentos que florescem do lado mais cinzento da Via Dutra.


Cristian Budu e Leonardo Hilsdorf no concerto com a Osusp [Divulgação]

Tive a sorte de conhecer ambos como jurado de Prelúdio, o show de calouros de música clássica da TV Cultura. Na primeira edição do programa, em 2005, Hilsdorf já assombrava pela desenvoltura com que executava os segundos concertos de Saint-Saëns e Rachmaninov. Dois anos mais tarde, foi a vez de Budu arrebatar a todos com as profundidades camerísticas de sua interpretação do concerto de Schumann.

A vida andou, e foi generosa com ambos. Cristian Budu venceu o prestigioso Concurso Clara Haskil, em 2013, gravou um elogiadíssimo CD para o selo suíço Claves, e prepara para o ano que vem uma turnê o lado do badalado violinista francês Renaud Capuçon. Leonardo Hilsdorf, a exemplo do colega, também se radicou em solo europeu, venceu competições internacionais, aconselha-se regularmente com ninguém menos que Maria João Pires, e deve gravar muito em breve seu CD solo de estreia.

Com duas estrelas da mesma grandeza, geração e formação em cena, o que poderia dar errado? Na verdade, tudo. Se a música tem algo de matemática, não é na relação entre os intérpretes; não são raros casos de astros que, apesar da qualidade artística, não conseguem se entender, e de diálogos musicais aparentemente promissores que degeneram em desinteligência e cacofonia.

No sábado, contudo, tal fenômeno não se produziu. Motivados por respeito e admiração mútuos, Leonardo e Cristian ouviram-se e se fizeram ouvir o tempo todo, construindo um discurso musical fluente e coeso ao longo do Concerto para dois pianos do compositor francês Francis Poulenc (1899-1963). Composta em 1932, a obra exala jovialidade, com uma mistura bastante peculiar do idioma musical (erudito e popular) francês da época, acentos de jazz e ambiência mozartiana. O ecletismo lúdico e lírico da partitura combinou às mil maravilhas com os temperamentos e interesses culturais de ambos os pianistas, que demonstraram não apenas plena compreensão dos variegados estilos evocados pelo compositor, como ainda um repertório diversificado de toques, coloridos e ataques, que conferiam interesse a cada compasso da partitura.

[Divulgação]

Esse casamento musical teve na Osusp uma acompanhante sólida e, em Neil Thomson, um oficiante ideal, não apenas atento às necessidades do par de solistas, como participante ativo da elaboração musical – um elemento extra que, em vez de se intrometer na comunicação entre Hilsdorf, Budu e orquestra, só fez acrescentar à química entre eles.

O concerto deixou um gostinho de quero mais, e Cristian e Leonardo se sentaram lado a lado para interpretar, no bis, um movimento de sonata de Mozart a quatro mãos, com uma finesse que o século XVIII não está muito acostumado a receber no palco da Sala São Paulo. Para 2018, a dupla tem em mente novas apresentações conjuntas. Por mais escassos que sejam, no Brasil, teatros com dois pianos de cauda excelentes, que possam receber esse tipo de atração, os que resolverem fazê-lo não vão se arrepender. Fadados a brilhantes carreiras solistas, Budu e Hilsdorf podem se converter em um dos maiores duos pianísticos que o Brasil já teve.





Irineu Franco Perpetuo - é jornalista, colaborador do jornal Folha de S. Paulo e correspondente no Brasil da revista Ópera Actual (Barcelona).

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