Teatro Estadual de Araras recebe 3º Encontro de Ópera Brasileira

por Redação CONCERTO 02/10/2026

O Teatro Estadual de Araras recebe, nos dias 2 e 3, o 3º Encontro de Ópera Brasileira. O evento tem curadoria e direção artística de Paulo Esper e vai apresentar duas óperas: Uma noite no castelo, de Henrique Alves de Mesquita, e Domitila, de João Guilherme Ripper. 

Após as apresentações, os artistas vão participar de conversas com o público a respeito das obras. Da ópera Uma noite no castelo, participam Cristiane Mesquita (que também assina a direção cênica), Marcello Mesquita, Max Costa, Marcus Ouros e outros, com Marcio Arruda ao piano. Domitila será interpretada pela soprano Maria Solle Galevi e por um conjunto de câmara.

A base para a ópera de Mesquita, que estreou em 1870, foi um libreto do francês Paul de Kock (1794-1871), que se passa na França de meados do século XIX. No centro da trama está um jovem conde que gastava sem cerimônias sua fortuna em Paris, até que resolve atender um pedido de sua falecida mãe: pagar o dote de casamento de uma aldeã por quem ela tinha especial carinho. O retorno à aldeia natal, no entanto, o coloca em contato com uma farsa urdida pela administradora das terras da família, revelada, ao final, pelo mordomo da família.

A estreia da ópera foi um sucesso de público e crítica. O crítico França Junior escreveu no Jornal da Tarde do Rio de Janeiro, após a estreia, que a ópera era como “um pequeno ramalhete exalando a suave fragrância das mimosas flores da primavera”. O relato continua, com o crítico afirmando que o nome do compositor “se acha gravado em caracteres tão brilhantes nos fastos da nossa música nascente, que pronunciá-lo é recordar um por um de seus triunfos”.

Domitila, por sua vez, foi construída como um monólogo no qual a Marquesa de Santos prepara-se para deixar a corte de D. Pedro I, de quem era amante, sob o impacto da notícia de um novo casamento do imperador. Ela abre um baú e se depara com um maço de cartas recebidas ao longo do relacionamento. Começa, então, a relê-las e a relembrar a história de paixão vivida pelos dois.

Ripper poderia ter escrito um ciclo de canções a partir dos textos. Mas optou por dar a eles um contexto dramático, como comentou em uma entrevista de 2023. “Ao longo da leitura, fui percebendo que, se eu colocasse aquelas cartas, não em uma ordem cronológica, mas em uma sequência dramática, eu poderia contar uma história com princípio, meio e fim”, explicou. “Ela canta as cartas, mas não como seria em um ciclo de canções: ela revive aquela história e, por isso, precisa atuar.”

“Todas as cartas, ou quase todas, da ópera são de D. Pedro para ela, porque poucas missivas dela para ele sobreviveram. Mas a última carta, a da despedida, me impressionou muito pela forma forte e digna com que ela se dirige a ele. Ela abandona o tratamento informal, não o chama mais de ‘vosmecê’, adota o tratamento majestático, passa a chamá-lo de ‘Vossa Majestade’. Essa catarse pela qual ela passa relendo as cartas é exatamente o rito de passagem de que ela precisava para ir embora”, completa o compositor.

O encontro é realizado pela Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, por meio da APAA (Associação Paulista dos Amigos da Arte).

A soprano Maria Solle Galevi como Domitila [Divulgação]
A soprano Maria Solle Galevi como Domitila [Divulgação]

 

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