Instituto Baccarelli vai gerir o Theatro Municipal de São Paulo. O que acontece agora?

por João Luiz Sampaio 11/05/2026

Nomes como Jorge Takla, Luiz Fernando Bongiovanni e Fabio Mechetti e Helio Ferraz, ex-secretário de Cultura do governo Jair Bolsonaro, podem integrar nova gestão

A comissão de seleção responsável por escolher a entidade que fará a gestão do Theatro Municipal de São Paulo pelos próximos cinco anos determinou a vitória da proposta do Instituto Baccarelli, que competia com a atual responsável pelo teatro, a Sustenidos. 

A Sustenidos pode recorrer do resultado e a Fundação Theatro Municipal de São Paulo tem ainda que homologar o parecer da comissão de seleção. Mas, tendo em vista a diferença na pontuação, de quase 20 pontos (75,5 a 57,5), não parece haver dúvida de que o Municipal muda de mãos até meados de junho [leia mais aqui].

O que acontece agora? Só será possível saber com certeza quando o contrato de gestão for assinado e o Instituto Baccarelli apresentar oficialmente seu programa para o teatro. 

Há dúvidas, mas também alguns sinais já aparentes.

A primeira questão diz respeito à manutenção da programação. O parecer da comissão de seleção afirma, a certa altura, que a programação 2026 deve ser cumprida conforme pactuado, independentemente da entidade vencedora. Da mesma forma, o edital de chamamento para a escolha de uma gestora afirma que “em 2026 deverão ser considerados os compromissos assumidos pela entidade gestora anterior, especialmente o que envolvem recursos captados e patrocínio”.

Fica sugerido, então, que a temporada já anunciada será mantida. O que não fica claro, no entanto, é se, ao falar de programação a ser mantida, estamos falando de títulos e repertórios, ou, sim, de metas. O que isso quer dizer? O edital coloca número de produções a serem apresentadas, público a ser atingido. São metas que podem ser cumpridas, no entanto, com a troca de títulos, por exemplo, se a nova gestora entender que há necessidade de fazer isso para que haja alinhamento com sua proposta artística para o teatro. Isso posto, só haverá certeza a esse respeito no momento em que o contrato de gestão for assinado e o Baccarelli anunciar seus planos.

Quanto à nova equipe a comandar o teatro, na proposta do Baccarelli, assim como na avaliação da comissão, está anotada a indicação de dois profissionais que provavelmente devem ocupar posições na nova gestão: o diretor teatral Jorge Takla e o coreógrafo Luiz Fernando Bongiovanni. O currículo de ambos parece indicar Takla como diretor artístico e Bongiovanni à frente do Balé da Cidade. No que diz respeito à Orquestra Sinfônica Municipal, o que existem são rumores, mas no meio musical já se dá como certa a saída de Roberto Minczuk e a contratação do maestro Fabio Mechetti, atual diretor da Filarmônica de Minas Gerais, como novo regente titular.

Da mesma forma que incluiu em sua proposta, do ponto de vista artístico, os nomes de Takla e Bongiovanni, o Baccarelli citou dois nomes do ponto de vista de gestão. Diz o texto: “A proponente Instituto Baccarelli apresentou dois currículos de dirigentes para apreciação da comissão sendo um do Sr. Hélio Ferraz de Oliveira, Diretor Geral da Organização Social e o outro do Sr. Edilson Venturelli, CEO.” 

Venturelli está à frente do Baccarelli há mais de vinte anos, período ao longo do qual o instituto se tornou referência em projetos de educação musical e inclusão social, além de, mais recentemente, expandir sua atuação para a gestão de CEUs. Já Hélio Ferraz de Oliveira é advogado especializado em Direito de Família, com trabalho específico relacionado ao direito à adoção. Ele é ligado ao deputado federal Mário Frias e ao grupo político de Jair Bolsonaro. Durante o governo do ex-presidente, foi Secretário Executivo de Cultura e Secretário Especial de Cultura, posto que substituiu o de Ministro da Cultura com a extinção do ministério. 

Depois de meses de especulações sobre a nova gestão, as próximas semanas começarão a delinear mais claramente o que o futuro do Municipal reserva a seu público.

Detalhe da fachada do Theatro Municipal de São Paulo [Divulgação]
Detalhe da fachada do Theatro Municipal de São Paulo [Divulgação]

 

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