Montagem mineira de ‘Nabucco’ estreia em Tel Aviv com direção de André Heller-Lopes

por Redação CONCERTO 16/06/2026

Coprodução entre o Palácio das Artes e a Ópera de Israel leva ao palco uma nova leitura da obra de Verdi, reunindo equipe criativa brasileira e elenco internacional

Estreou no dia 12 de junho, em Tel Aviv, a produção de Nabucco, de Giuseppe Verdi, criada pelo Fundação Clóvis Salgado/Palácio das Artes de Minas Gerais em coprodução com a Ópera de Israel. Com direção cênica de André Heller-Lopes, a encenação original foi apresentada em 2011 em Belo Horizonte e no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com direção musical de Silvio Viegas. Em 2016 foi montada no Teatro São Carlos de Lisboa e finalmente retornou ao Palácio das Artes em 2024, então sob direção musical de Ligia Amadio. Agora, em Tel Aviv, a produção foi recebida com tanto sucesso que o teatro israelense abriu duas novas récitas além das 12 programadas, todas já com os ingressos esgotados.

Além da direção de Heller-Lopes, a produção conta com cenografia de Renato Theobaldo e figurinos assinados por Marcelo Marques, que divide a criação dos trajes com Maria Butusova. A iluminação é de Nadav Barnea.

Segundo a apresentação oficial da Ópera de Israel, a nova montagem preserva o contexto bíblico da obra de Verdi, centrada na figura de Nabucodonosor, na destruição do Primeiro Templo de Jerusalém e no exílio babilônico. O teatro destaca a atualidade do célebre coro dos escravos hebreus (Va, pensiero), cuja evocação do exílio, da esperança e do anseio pela pátria ganha ressonância especial no contexto contemporâneo israelense. 

“Esse Nabuco desde o princípio teve a vontade de falar de comunidade, de diversidade, de como a comunidade é diversa e de como essas histórias não são antigas. E, acima de tudo, de como a guerra, seja qualquer lado dela, é a negação da humanidade, do que temos de mais fantástico, que é o humano”, afirma o diretor André Heller-Lopes. “Ele não é um Nabucco que toma uma posição, mas ao mesmo tempo ele não ignora quem são os protagonistas, qual é a história, qual é o povo. Nabucco é, claro, extremamente judaico, mas no que é melhor do pensamento judaico, no que ele contribui para o mundo.”

A direção musical da montagem israelense está a cargo do maestro Carlo Montanaro, à frente da Orquestra Sinfônica de Israel de Rishon LeZion e do Coro da Ópera de Israel. O elenco reúne artistas de diferentes países, entre eles os barítonos Ionut Pascu e Mikolaj Zalasinski no papel-título, os baixos Vazgen Gazaryan e Goderdzi Janelidze como Zaccaria, o tenor Pavel Petrov como Ismaele e as sopranos Elena Mikhailenko e Julija Vasiljeva como Abigaille. 

A temporada segue até o dia 27 de junho no Teatro da Ópera de Tel Aviv. A instituição israelense apresenta a produção como um dos destaques de sua programação de 2026 e ressalta a parceria com o Palácio das Artes de Minas Gerais como parte fundamental da realização do espetáculo.

Cena de Nabucco da Ópera de Israel (divulgação, Boris Shahnovich)
Cena de Nabucco da Ópera de Israel (divulgação, Boris Shahnovich)

 

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