Coleção mencionada no testamento do compositor reúne 149 obras e era considerada desaparecida desde 1825
Conforme matéria publicada no portal Klassik-BR (clique aqui para acessar), o musicólogo alemão Timo Jouko Herrmann localizou importantes manuscritos do compositor italiano Antonio Salieri. Os autógrafos correspondem aos quatro volumes encadernados em couro vermelho mencionados por Salieri em seu testamento de 1823. No documento, o compositor determinava que os cadernos fossem entregues ao príncipe Joseph von Dietrichstein como sinal de amizade e gratidão. Após sua morte, em 1825, os volumes desapareceram dos registros públicos e passaram quase dois séculos sendo procurados por estudiosos.
A descoberta ocorreu quando descendentes da família Dietrichstein entraram em contato com Herrmann. O material, que está em ótimo estado de conservação, contém 149 peças, entre elas várias desconhecidas.
Na entrevista ao jornalista Johann Jahn da Klassik-BR, Timo Jouko Herrmann destaca uma obra em especial: “Um exemplo particularmente comovente é um cânone datado por Salieri em 11 de maio de 1809, às 7 horas da manhã. Quando se pesquisa o contexto histórico, você descobre que foi exatamente nesse momento que teve início o mais intenso bombardeio de Viena pelas tropas de Napoleão. Nesse mesmo dia, Salieri também concluiu o Dona nobis pacem de sua Missa em si bemol maior. Trata-se de um texto que soa como uma lamentação. O que a humanidade faz consigo mesma ao travar guerras? São momentos que tocam profundamente. De repente, percebe-se com clareza que quem escreveu aquelas páginas foi um ser humano de carne e osso, que sofreu com a guerra, com as ameaças e com os reveses do destino tanto quanto nós sofremos hoje".
Antonio Salieri (1750–1825) foi um compositor, maestro e professor que desenvolveu praticamente toda a sua carreira em Viena, então capital do Império Habsburgo. Considerado uma figura central da vida musical europeia, destacou-se sobretudo no campo da ópera, compondo obras em italiano, francês e alemão. Exerceu cargos de grande prestígio na corte austríaca, entre eles o de diretor da ópera italiana de Viena e, posteriormente, o de Kapellmeister imperial, função que ocupou de 1788 a 1824.
Além de sua atividade como compositor, Salieri foi um dos professores mais influentes de sua época. Entre seus alunos estiveram músicos como Ludwig van Beethoven, Franz Schubert, Johann Nepomuk Hummel e Franz Xaver Wolfgang Mozart, filho de Mozart. Após sua morte, sua música foi gradualmente desaparecendo dos palcos ao longo do século XIX, enquanto ganhava força a lenda de que teria sido rival e até responsável pela morte de Mozart – uma acusação para a qual não existe evidência histórica. Nas últimas décadas, pesquisadores e intérpretes têm promovido uma reavaliação de sua obra, destacando sua importância para o desenvolvimento da ópera e para a vida musical vienense de seu tempo.
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