Temporada da Osesp terá grandes atrações

por João Luiz Sampaio 01/10/2018

Programação conta com a conclusão do ciclo Mahler, solistas renomados e projeto Beethoven

No dia 14 de março de 2019, antes da abertura da temporada de assinaturas, a Osesp estreia a Semana Camargo Guarnieri, em que terá início, sob o comando de Isaac Karabt- chevsky, a gravação dos Choros, apresentados junto a outras peças de câmara do compositor (com a participação do Quarteto da Academia da Osesp). 

A temporada de assinaturas, por sua vez, começa no dia 21 de março, com Marin Alsop regendo um programa composto por obras de Sibelius e Rachmaninov. Em seu último ano como regente titular e diretora musical, a maestrina vai comandar oito dos 28 programas da agenda do grupo. Um dos destaques é Mahler, com as Sinfonias nº 8 e nº 4, encerrando o ciclo do compositor, que está sendo gravado pela TV Cultura. 

Alsop também rege as quatro sinfonias de Schumann, na orquestração feita por Mahler. “Enquanto os elementos essenciais das sinfonias permanecem intactos, Mahler retrabalha a instrumentação e as dinâmicas. E o resultado é um amálgama fascinante do trabalho de dois gênios”, diz ela à Revista CONCERTO. Alsop rege, ainda, obras do chinês Huang Ruo, compositor visitante que, nas palavras da maestrina, “mistura influências e sensibilidades chinesas e ocidentais de uma forma sempre fascinante”; e ela vai se juntar ao barítono Paulo Szot, artista em residência da temporada, em um programa de música russa (o cantor também faz recitais, participa da Oitava de Mahler e de um programa dedicado a Mozart com Isaac Karabtchevsky). 

Marin Alsop [Divulgação / Adriane White]
Marin Alsop [Divulgação / Adriane White]

O ponto alto do ano de Alsop, no entanto, deve ser seu concerto de despedida, em que vai interpretar a Nona sinfonia de Beethoven. O concerto integra um importante projeto internacional do Carnegie Hall que engloba oito orquestras nos cinco continentes. A Ode à alegria será sempre cantada na língua local, e compositores dos países serão convidados a escrever obras em diálogo com Beethoven, dando início às comemorações, em 2020, dos 250 anos do compositor alemão. 

“A Osesp dará a largada nesse projeto. Será uma noite dedicada a repensar e reimaginar a Nona sinfonia para o século XXI: as mensagens de união, fraternidade, alegria e amor são tão relevantes hoje como na época da estreia, e queremos compartilhar esses temas com o mundo. O projeto vai oferecer um olhar novo, fresco, para a obra, repensando seu fim como símbolo de assimilação, tolerância e união para o mundo de hoje”, explica a maestrina. 

Pieter Wispelwey [Divulgação]
Pieter Wispelwey [Divulgação]

Além da presença de Paulo Szot como artista em residência, a Osesp vai trabalhar de forma mais intensa também com outros convidados. “São artistas que vieram uma vez a São Paulo, conheceram o projeto, sua seriedade, e se dispuseram a voltar. É a consequência natural de um processo de aproximação, com o qual a orquestra naturalmente ganha muito”, explica o diretor artístico Arthur Nestrovski.

O violoncelista Pieter Wispelwey, por exemplo, vai se apresentar tanto com a orquestra (tocando Shostakovich) como com o Quarteto Osesp (Schubert). O pianista Jean Louis Steuerman comemora seus 70 anos com recital e concerto com a Orquestra do Festival de Campos do Jordão. O violinista e regente Thomas Zehetmair estará em São Paulo para duas semanas de apresentações, com obras de Britten, Bruckner, Mozart, Pärt e Hartmann. O pianista Kirill Gerstein será o solista no Concerto, de Arnold Schönberg, e na Rhapsody in Blue, de Gershwin, além de fazer recital solo. O clarinetista Michael Collins rege a Osesp e atua como solista, além de se apresentar com o quarteto do grupo – o mesmo vale para o maestro, oboísta e compositor Heinz Holliger, que ficará duas semanas em São Paulo e em uma delas rege Des Canyons au Ètoiles, obra monumental de Olivier Messiaen.

Thomas Zehetmair [Divulgação / Pablo Faccinetto]
Thomas Zehetmair [Divulgação / Pablo Faccinetto]

Entre os solistas, há nomes como o dos pianistas Cristian Budu (que vai gravar o Concerto de Schumann com Neil Thomson), Lucas Thomazinho (Totentanz, de Liszt), Simon Trpceski (Concerto nº 3 de Bartók) e Jorge Luís Prats (Concerto nº 3 de Rachmaninov), o violoncelista Antonio Meneses (Concerto para violoncelo de Marlos Nobre, uma das encomendas do ano – haverá encomendas também de peças de Felipe Lara e Arrigo Barnabé, entre outros), o violinista Augustin Hadelich (Concerto de Sibelius) e o barítono Jonathan Lemalu (solista em O festim de Baltazar, de Walton).

Entre os maestros, destaque ainda para Giancarlo Guerrero,que faz três semanas de concertos com o grupo; Nathalie Stutzmann, que vai reger um dos programas principais do ano, com A paixão segundo São Mateus de Bach, compositor que também terá obras regidas pelo maestro e violinista Luís Otávio Santos; Robert Treviño, por sua vez, rege a Sinfonia nº 3 de Scriabin; e Neil Thomson celebra o centenário de Claudio Santoro com a apresentação da Sinfonia nº 7 do compositor.

Robert Treviño [Divulgação / Lisa Hancock]
Robert Treviño [Divulgação / Lisa Hancock]

Assinaturas

As assinaturas da Osesp estão divididas em duas categorias: séries fixas e séries flexíveis. 

As séries fixas são predeterminadas e agrupadas por tipo de concerto, como sinfônico (denominadas por árvores brasileiras), coro da Osesp (quatro apresentações), Quarteto Osesp (quatro) e recitais (cinco). Os sinfônicos são divididos em quatro diferentes pacotes, com até sete concertos cada, que podem ser escolhidos pelo dia da semana de preferência (quintas, sextas ou sábados). 

Nas séries flexíveis, o assinante pode escolher livremente entre os concertos oferecidos e criar uma série personalizada a partir de quatro concertos, com datas e horários de sua preferência. 

Assinaturas Internet: osesp.art.br/assinaturas 

[Clique aqui para consultar a temporada 2019 completa da Osesp.]