Livro aborda as origens e a permanência da música armorial

por Redação CONCERTO 10/08/2026

À guisa de arcadas de rabeca e ponteados de viola: ensaio sobre a música armorial, de Carlos Eduardo Amaral, será lançado no dia 15 na Academia Pernambucana de Letras

O jornalista e crítico musical Carlos Eduardo Amaral, autor de biografias dos compositores Clóvis Pereira, Maestro Formiga, Maestro Duda, Getúlio Cavalcanti e Jota Michiles, lança no sábado, dia 15, na Academia Pernambucana de Letras, o livro À guisa de arcadas de rabeca e ponteados de viola: ensaio sobre a música armorial. A obra é uma análise estética e crítica a partir do repertório estabelecido pela Orquestra Armorial de Câmara de Pernambuco e pelo Quinteto Armorial, nos anos 1970.

Segundo a apresentação, o estudo “abrange desde os antecedentes conceituais do Movimento Armorial, que bebem tanto do Manifesto regionalista, de 1926, de Gilberto Freyre, quanto do Ensaio sobre a música brasileira, publicado por Mário de Andrade em 1928, até obras de músicos contemporâneos, passando pelas contribuições decisivas do compositor fluminense César Guerra-Peixe, que teve suas convicções musicais radicalmente modificadas após residir no Recife de 1949 a 1952”.

Amaral explica que um dos objetivos do trabalho é incluir a música de forma marcante na compreensão do legado do Movimento Armorial. “Embora muito associado à construção de imaginário despertada pelas idealizações de Ariano Suassuna, o Movimento Armorial agregou ou influenciou não poucos artistas, boa parte deles ainda em atividade”, comenta. “É notável como quase não existem livros que abordem a música armorial, de modo que, após eu ter concluído a primeira versão do ensaio, tive de escrever um e-book introdutório e traduzi-lo para o inglês e o espanhol”, observa.

Amaral mostra, no livro, presença de figuras de estilo, procedimentos composicionais, formas e gêneros na música armorial, dissertando também sobre o contexto que estabeleceu a instrumentação adotada pelos grupos armoriais. Ele lembra como fatores como a exclusão de instrumentos populares, a sonoridade barroca e a dimensão menos intimista da Orquestra Armorial motivaram uma discordância pública entre Ariano Suassuna e as figuras de ponta do grupo, levando-o a arregimentar músicos mais jovens e a formatar o Quinteto Armorial, que finalmente atenderia aos anseios estéticos do escritor paraibano e ampliaria o leque de possibilidades musicais a se explorar, evocando referências sonoras renascentistas.

Essas duas vertentes, no entanto, procura mostra o autor, não foram as únicas tentativas de estabelecer musicalmente o diálogo com o Movimento Armorial. Compositores e grupos instrumentais posteriores ora buscaram se apoiar, ora se distanciar, ora conciliar esses paradigmas, oferecendo contribuições singulares. “Mas apenas na virada do século ocorre uma verdadeira transformação conceitual. Essa virada põe em dúvida se os parâmetros musicais armoriais estariam de fato se ampliando ou, em sentido diverso, sendo utilizados dentro de outras matrizes, constituindo-se um desafio estilístico para o qual o leitor é convidado a se envolver e a contribuir. Uma considerável lista de obras é oferecida nesse sentido, visando, mais do que tudo, a constituir um inventário catalográfico nunca empreendido até então”, diz a apresentação da obra.

O jornalista, crítico musical e compositor Carlos Eduardo Amaral [Divulgação]
O jornalista, crítico musical e compositor Carlos Eduardo Amaral [Divulgação]

 

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