Série Música do Brasil lança gravação da ópera ‘Pedro Malazarte’, de Camargo Guarnieri

por Redação CONCERTO 06/07/2026

Álbum, gravado pela Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, traz ainda registro de canções do compositor, celebrando a parceria entre ele e Mário de Andrade 

A ópera Pedro Malazarte, de Camargo Guarnieri, acaba de ganhar uma gravação na coleção Música do Brasil, do selo Naxos. É o primeiro registro da série dedicado a uma ópera completa, marcando a estreia da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo e do Coral Paulistano, grupos do Theatro Municipal de São Paulo, no projeto.

O registro conta com a participação do barítono Leonardo Neiva, do tenor Atalla Ayan e da mezzo soprano Juliana Taino. O repertório do álbum inclui ainda canções de Camargo Guarniei baseadas, assim como a ópera, em textos de Mário de Andrade: A Serra do Rola-moça, com a mezzo soprano Carolina Faria; Rondó do eco e do descorajado, com Neiva; Louvação do amor êtê, com Faria; e Quatro poemas de Macunaíma, com Ayan. Roberto Minczuk rege as obras, e Maíra Ferreira está à frente do Coral Paulistano.

“Em suas memórias pessoais, Camargo Guarnieri se apegava a duas personalidades que desempenharam papéis relevantes também para a composição da ópera Pedro Malazarte: o escritor e musicólogo Mário de Andrade e o regente e compositor italiano Lamberto Baldi.  Ao primeiro, ele atribuía os méritos por seu preparo intelectual, com quem discutia Estética e História da Música. Ao regente italiano, ele creditava sua formação como compositor e maestro. O que Guarnieri não confessava, no entanto, é que era um leitor assíduo, principalmente de poesia, e que em seu círculo próximo de amigos e familiares havia muitos escritores: seus irmãos, Alice e Rossine, sua cunhada, Waldisa Russio e o sogro, Heráclito Viotti, pai de sua primeira esposa, Lavínia, que também tiveram versos musicados por ele, além de ele próprio ser autor dos versos de algumas de suas canções”, explica a musicóloga Flavia Toni, grande especialista na obra do compositor, no encarte do álbum.

“Guarnieri gostava de escrever para a voz humana. Contando todas as obras para voz e todas as formas de acompanhamento instrumental, do piano à orquestra, o total chega a cerca de 300 títulos. Embora algumas das obras do programa deste álbum tenham posteriormente recebido versões com acompanhamento de piano, as obras aqui apresentadas caracterizam-se pela orquestração encorpada, o que as distingue da literatura corrente do gênero canção de câmara”, continua.

'Apertando o Lombilho', pintura de Almeida Junior que ilustra a capa do disco [Google Art Project]
'Apertando o Lombilho', pintura de Almeida Junior que ilustra a capa do disco [Google Art Project]

 

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