No sábado, 12, a Orquestra ECO faz sua estreia no Teatro B32 com o programa Do requinte europeu às nossas raízes caipiras. Obras de Haydn, Camargo Guarnieri e Weber, sob regência do diretor musical e regente titular Ira Levin.
Ira Levin fundou a orquestra motivado a se debruçar sobre obras tradicionais, porém pouco tocadas. “Sempre me choca que quase não se toque Haydn por aqui e também acho que se faz pouco Mozart. Para a cultura de uma orquestra, é importante tocar esse repertório, porque exige uma forma completamente diferente de fazer música. É música de câmara, que exige escuta mútua. Quando você está no meio de uma orquestra de noventa pessoascli, é uma coisa, mas, quando cada nota e fraseado é transparente, isso o força a ouvir e a trabalhar de outra maneira.”, diz, em entrevista à ediçào de setembro da Revista CONCERTO [clique aqui; acesso exclusivo para assinantes].
Fornecer espaço a músicos recém-formados também é uma preocupação. “Eles tocam maravilhosamente, mas não têm para onde ir depois que se profissionalizam, não há vagas suficientes”, comenta Levin, que divide a liderança do grupo com Daniel Oliveira. No segundo semestre de 2026, 20 instrumentistas, dentre violinistas, violistas, violoncelistas, flautistas, oboístas, fagotistas, trompistas e trompetistas foram selecionados para integrar o corpo artístico.
Apesar da dedicação ao classicismo, o repertório da orquestra combina diferentes períodos e compositores. Após a Sinfonia nº 102 em si bemol maior, de Haydn, o conjunto interpreta Toada à moda paulista, de Camargo Guarnieri. A obra de 1935 segue a proposta do compositor em aproximar a música brasileira da escrita orquestral.
Outro destaque do programa é a Sinfonia nº 1, de Weber. A obra de 1807 foi escrita para uma formação reduzida, equivalente à disponibilidade de músicos da corte do conde von Württenberg, para quem Weber trabalhava. Embora as obras orquestrais de Weber tenham sido ofuscadas pelas de seu contemporâneo, Beethoven, o primeiro movimento revela a tendência operística do compositor e o segundo, seu impacto no romantismo alemão.
De setembro deste ano a junho de 2027, a temporada segue propondo variedade. O conjunto planeja 9 programas, cada um com duas apresentações, trazendo obras de Mozart, Haydn, Beethoven, Gounod, Méhul, Saint-Saëns, Prokofiev, Villa-Lobos e Schubert.
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