Em 1829, o compositor Hector Berlioz resolveu concorrer mais uma vez ao importante Prix de Rome. A segunda fase do concurso consistia em escrever uma obra a partir de um texto ditado a todos os candidatos. Naquele ano, tratava-se de um episódio sobre a morte de Cleópatra.
“Há, na Meditação, um ritmo fascinante, devido à sua estranheza, com uma sonoridade solene e fúnebre e uma melodia que se desenvolve de forma dramática, em seu lento e contínuo crescendo”, escreveria anos mais tarde o compositor em suas Memórias. “A lembrança do resto dessa cantata apagou-se de minha memória, mas esse trecho apenas, eu acho, merecia o primeiro prêmio. Consequentemente, não o obtive.”
A peça provavelmente trazia novidades demais para o júri do concurso – dissonâncias a evocar os momentos finais da vida de Cleópatra, a mistura de classicismo com uma sensibilidade já romântica, o estilo de declamação ou a decisão de encerrar a obra com um longo pianíssimo. Mas A morte de Cleópatra se tornaria uma das principais obras da primeira fase da carreira do compositor.
É com ela que a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre abre seu concerto deste sábado, dia 28, na Casa da Ospa. A regência é do maestro japonês Kiyotaka Teraoka e a solista será a soprano Tati Helene, que substitui a mezzo soprano Nancy Fabiola Herrera, previamente anunciada.
A apresentação se encerra com uma obra-chave do repertório sinfônico da passagem do século XIX para o século XX, o poema sinfônico Uma vida de herói, de Richard Strauss. O título da obra, segundo Strauss, não se refere a uma “única figura poética ou histórica, mas sim a um ideal mais geral e livre de grande heroísmo viril”.
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