O Festival Amazonas de Ópera abre no dia 19 de abril a sua 27ª edição, que terá a apresentação de obras de Puccini, Donizetti e Carlos Gomes, além de recitais e espetáculos didáticos que se transformaram em importante iniciativa do principal evento do gênero no Brasil.
A abertura se dá com uma gala lírica na qual serão apresentados trechos da ópera Turandot, de Puccini, que completa 100 anos em 2026. A obra é símbolo da maturidade do compositor, em sua mistura de intensidade emocional e o interesse por cenários exóticos, no caso a China imperial. Mas ele a deixou inacabada, levando outros autores, com o tempo, a escrever o encerramento: Franco Alfano, contemporâneo de Puccini, e Luciano Berio, décadas depois, foram dois deles.
A regência é de Luiz Fernando Malheiro, diretor artístico do festival, que estará à frente da Amazonas Filarmônica e do Coral do Amazonas. Ambos os grupos participam também da montagem, assinada por Julianna Santos, de Salvador Rosa, de Carlos Gomes, nos dias 15, 17 e 19 de maio, no Teatro Amazonas.
Salvador Rosa ocupa um lugar especial na carreira de Carlos Gomes. Em 1873, ele estreou Fosca, que despertou reações mistas – se parte da crítica viu nela avanços estéticos e dramáticos, outra o acusou de wagnerismo, o que, na Itália da época, era uma ofensa. Um ano depois, quando voltou a trabalhar em uma nova obra, Gomes resolveu utilizar como base a história do pintor, poeta, ator e música italiano do século XVII. E escreveu música que evocava o passado da ópera italiana, com melodias que ganharam o gosto do público, como Mia piccirella.
Em 27, 29 e 31 de maio, a atração é a apresentação, em versão de concerto, da ópera La Favorite, de Donizetti. Estreada em 1840 em Paris, a ópera aborda as lutas românticas do Rei de Castela, Afonso XI, e sua amante, a “favorita” Leonora, tendo como pano de fundo as artimanhas políticas da Espanha moura em declínio e a vida sob o domínio da Igreja Católica. O caráter histórico, porém, ainda que importante, não se sobrepõe ao drama intimista, que evoca as paixões e tormentos dos protagonistas.
Além das óperas, a programação do festival, que tem direção geral de Flavia Furtado, inclui outros repertórios, em diálogo com a proposta geral do evento. Nos dias 22, 24 e 25, no ICBEU Manaus, será apresentado o espetáculo Winterreise, criado pela Cia. Lírica Disidente, do Chile, que se propõe a “transformar a ópera e o canto lírico em experiências acessíveis, comunitárias e repletas de vida”. Em Winterreise, eles apresentam o ciclo de canções de Schubert em uma proposta que une música ao vivo e tecnologia imersiva.
Também no ICBEU, no dia 3 de maio, haverá concerto da Orquestra de Câmara do Amazonas, sob regência de Marcelo de Jesus, seu diretor musical. Nos dias 21 e 23 de abril e 8, 9, 23 e 24 de maio, o festival apresenta os já tradicionais Recitas Bradesco, desta vez no Teatro Gebes Medeiros. A programação inclui ainda o espetáculo Mãos à Ópera, introdução ao universo da ópera, no Teatro Amazonas. E seis palestras sobre ópera em escolas e instituições públicas de Manaus.
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