Na sexta-feira, 18, a Orquestra Sinfônica Municipal e o Coro Lírico Municipal interpretam a ópera Don Carlo, de Verdi, no Theatro Municipal de São Paulo. Roberto Minczuk é diretor musical e Caetano Vilela é diretor cênico. Récitas ocorrem nos dias 19, 20, 22, 23, 25 e 26.
Don Carlo atravessa dramas familiares e intrigas políticas em cinco atos. Carlos, herdeiro ao trono espanhol, ama a princesa da França Elisabetta di Valois, que o corresponde, mas deve se casar com o rei Filipe II, pai de Carlos, para manter a paz entre os países. No mesmo período, o protagonista, motivado pelo Marquês de Posa, exige do pai a libertação do povo de Flandres. Postos os conflitos familiares, surge o Grande Inquisidor, representante da Igreja Católica, que aconselha Filipe a eliminar o filho rebelde.
O enredo é inspirado na Espanha do século XVI. O absolutismo espanhol foi marcado pela vigilância do Clero e pela escravização, tortura e morte dos que fossem contrários ao domínio da Igreja e da coroa. O poder da Inquisição também incidia sobre Flandres, região que hoje corresponde ao norte da Bélgica. As tensões do período motivaram o escritor Friedrich Schiller a escrever a peça teatral Don Karlos, Infant von Spanien (Dom Carlos, Infante da Espanha), de 1787, base da ópera de Verdi, de 1867.
A cenografia de Caetano Vilela também recupera a obra de Schiller. 'Foi a peça que me deu a ideia da concepção visual da ópera; um espaço onde paira um clima de opressão cercado por paredes pintadas num estilo expressionista abstrato que remetem à tradição do action painting – especialmente pela escala monumental e pelo gesto corporal envolvido na execução de alto contraste (preto, branco e cinza). No conjunto monocromático, as formas sugerem uma paisagem abstrata, mas elas ganham diferentes sentidos com a iluminação que as transforma a cada mudança de ambiente', comenta, em material de divulgação.
Atalla Ayan e Matheus Pompeu interpretam Don Carlo e Ailyn Pérez e Ludmilla Bauerfeldt vivem Elisabetta di Valois. Luiz-Ottavio Faria e Savio Sperandio assumem o papel de Filipe II e Paulo Szot e Michel de Souza encenam como Marquês de Posa.
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