A ópera Vein-to-vein, do compositor Giovanni Porfirio e da libretista Jaoa de Mello, foi apresentada na noite de segunda-feira na Pierre Boulez Saal, em Berlim. A obra, composta entre 2022 e 2023, nasceu durante o Atelier de Criação de Óperas do Theatro São Pedro, em São Paulo.
O espetáculo em Berlim contou com a participação de um grupo de câmara e dos cantores Adriane Queiroz, Laiana de Oliveira e Marcelo de Souza Felix, sob regência de Omar Bishara. A direção cênica teve assinatura de Jaoa de Mello e Natalia Maria Michailidou (que também assinou a coreografia) e design de luz de Jaoa e Tom Ribeiro. A encenação fez parte do recital de graduação de Porfirio no Jörg Widmann’s Studio.
A obra, que em português chama-se Entre-veias: uma ópera de entranhas, imagina como seria uma peça estrelada por um vírus, e o primeiro ato do libreto passa justamente pelo desafio de um ser sem vida conseguir materializar emoções, narrativas e sensações de forma verbal.
“A provocação que nos colocamos foi pensar o que seria a voz de um ser inanimado. Em todo o texto, há várias brincadeiras e dinâmicas com palavras, imaginando, por exemplo, o vírus entrando em diferentes corpos. É um texto que vem de um lugar muito pessoal da minha experiência, mas que parte daí para um campo de experimentação”, contou Jaoa ao Site CONCERTO na época da estreia da obra.
“No contexto do Atelier, essa jornada espelha o próprio trabalho da criação do zero de uma ópera e sua busca pelas notas certas para cada palavra, em um fino equilíbrio de estruturação de sentidos. A composição de Giovanni Porfirio transpõe para o campo sonoro os murmúrios e fonemas emitidos pelo vírus no processo de elaboração de palavras, explorando a riqueza dos vocábulos em diálogo com os demais instrumentos, apresentados em registros dissonantes e, por vezes, com efeito cômico”, escreveu no Site CONCERTO a jornalista e crítica Amanda Queirós após a estreia.
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