Theatro Municipal de São Paulo encena ‘Tristão e Isolda’, de Wagner

por Redação CONCERTO 20/07/2026

O Theatro Municipal de São Paulo apresenta, a partir desta quarta-feira, uma produção da ópera Tristão e Isolda, de Wagner. A montagem, original do Teatro de la Maestranza, em Sevilha, na Espanha, é assinada pelo brasileiro Allex Aguilera e tem, em São Paulo, direção musical e regência de Roberto Minczuk, à frente da Orquestra Sinfônica Municipal.

Dois elencos se revezam nas récitas do espetáculo. Nos dias 22 e 29 de julho e 2 de agosto, Simon O’Neill é Tristão, Annemarie Kremer é Isolda e Luisa Francesconi, Brangäne. Nos dias 26 e 31 de julho, cantam Michael Weinius, Eiko Senda e Denise de Freitas. Participam de todas as récitas o barítono Leonardo Neiva (Kurwenal), o baixo Hernan Iturralde (Rei Marke), o tenor Paulo Queiroz (Marinheiro/Timoneiro), o barítono Jessé Vieira (Melot) e o tenor Cleyton Pulzi (Pastor).

O enredo da ópera é uma adaptação da história medieval de Tristão e Isolda. Durante uma batalha, Isolda se depara com um cavalheiro à beira da morte e utiliza seu conhecimento de poções para curá-lo. A certa altura, porém, se dá conta de que ele é o homem que matou seu noivo, Morold. Ela ergue a espada para matá-lo, mas ele acorda, os dois trocam olhares e ela não consegue realizar seu plano. Curado, Tristão leva Isolda como noiva prometida ao rei Marke. Durante o trajeto, ela culpa a si mesma e pede a Brangäne que prepare a poção da morte da qual ela e Tristão devem beber. Mas a dama de companhia hesita e, em vez disso, prepara a poção do amor. Sem saber, eles a bebem, despertando o sentimento reprimido que nutrem um pelo outro. Já na Cornualha, a traição inevitável dos dois é descoberta pelo rei. Ferido, Tristão é levado pelo escudeiro Kurwenal a seu castelo em Kareol. Entre a vida e a morte, aguarda em delírio pelo retorno de Isolda. Quando ela enfim chega, ele está morto. E ela morre ao seu lado.

Em conversa com a Revista CONCERTO, publicada na edição de julho [leia aqui; acesso exclusivo para assinantes], Allex Aguilera abordou a definição de Tristão e Isolda como um “teatro da mente”, em que é o mundo interior dos personagens o protagonista. “Há quem diga que se trata de uma ópera estática, em que nada acontece. Primeiro, qual é o problema do estatismo? Quando a história lhe propõe esse caráter, é necessário abraçá-lo. Em momentos como o dueto de amor do segundo ato, a música está fazendo tanta coisa que é preciso espaço para ouvi-la. Criar movimentações desnecessárias seria um erro. O que Tristão e Isolda poderiam fazer? Beijar-se, se abraçar, andar de um lado para o outro? Não é disso que Wagner está falando.” 

O desafio, nesse sentido, é cuidar do gestual e da expressão em diálogo com a música, explica o diretor. “Essa é a parte sempre mais difícil, a sutileza, a nuance. Está tudo nos olhares, nos não olhares, nos movimentos lentos, na forma como os dois sentem a presença um do outro. É isso que vai permitir a imersão no mundo proposto pela partitura, permitir que o público se deixe levar pela música.” 

Quando, em 2023, recebeu o convite para dirigir a ópera, o diretor fez-se uma pergunta: qual é o motor da ópera? A reflexão tinha como objetivo entender o elemento da obra que mexia com todos os personagens. “Foi quando a figura do rei se colocou como uma referência para a produção”, conta em entrevista à Revista CONCERTO. “Ele busca Isolda para si, ele se casa com ela. Ele é uma figura importante, representa o poder, a força. E daí extrai a ideia da coroa como elemento cênico constante, que eventualmente se transforma em uma jaula na qual são aprisionados os personagens.”

Veja mais detalhes no Roteiro do Site CONCERTO

Cena da produção espanhola de 'Tristão e Isolda' [Divulgação/Roberto Alcain]
Cena da produção espanhola de 'Tristão e Isolda' [Divulgação/Roberto Alcain]

 

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