O Theatro Municipal de São Paulo apresenta, a partir desta quarta-feira, uma produção da ópera Tristão e Isolda, de Wagner. A montagem, original do Teatro de la Maestranza, em Sevilha, na Espanha, é assinada pelo brasileiro Allex Aguilera e tem, em São Paulo, direção musical e regência de Roberto Minczuk, à frente da Orquestra Sinfônica Municipal.
Dois elencos se revezam nas récitas do espetáculo. Nos dias 22 e 29 de julho e 2 de agosto, Simon O’Neill é Tristão, Annemarie Kremer é Isolda e Luisa Francesconi, Brangäne. Nos dias 26 e 31 de julho, cantam Michael Weinius, Eiko Senda e Denise de Freitas. Participam de todas as récitas o barítono Leonardo Neiva (Kurwenal), o baixo Hernan Iturralde (Rei Marke), o tenor Paulo Queiroz (Marinheiro/Timoneiro), o barítono Jessé Vieira (Melot) e o tenor Cleyton Pulzi (Pastor).
O enredo da ópera é uma adaptação da história medieval de Tristão e Isolda. Durante uma batalha, Isolda se depara com um cavalheiro à beira da morte e utiliza seu conhecimento de poções para curá-lo. A certa altura, porém, se dá conta de que ele é o homem que matou seu noivo, Morold. Ela ergue a espada para matá-lo, mas ele acorda, os dois trocam olhares e ela não consegue realizar seu plano. Curado, Tristão leva Isolda como noiva prometida ao rei Marke. Durante o trajeto, ela culpa a si mesma e pede a Brangäne que prepare a poção da morte da qual ela e Tristão devem beber. Mas a dama de companhia hesita e, em vez disso, prepara a poção do amor. Sem saber, eles a bebem, despertando o sentimento reprimido que nutrem um pelo outro. Já na Cornualha, a traição inevitável dos dois é descoberta pelo rei. Ferido, Tristão é levado pelo escudeiro Kurwenal a seu castelo em Kareol. Entre a vida e a morte, aguarda em delírio pelo retorno de Isolda. Quando ela enfim chega, ele está morto. E ela morre ao seu lado.
Em conversa com a Revista CONCERTO, publicada na edição de julho [leia aqui; acesso exclusivo para assinantes], Allex Aguilera abordou a definição de Tristão e Isolda como um “teatro da mente”, em que é o mundo interior dos personagens o protagonista. “Há quem diga que se trata de uma ópera estática, em que nada acontece. Primeiro, qual é o problema do estatismo? Quando a história lhe propõe esse caráter, é necessário abraçá-lo. Em momentos como o dueto de amor do segundo ato, a música está fazendo tanta coisa que é preciso espaço para ouvi-la. Criar movimentações desnecessárias seria um erro. O que Tristão e Isolda poderiam fazer? Beijar-se, se abraçar, andar de um lado para o outro? Não é disso que Wagner está falando.”
O desafio, nesse sentido, é cuidar do gestual e da expressão em diálogo com a música, explica o diretor. “Essa é a parte sempre mais difícil, a sutileza, a nuance. Está tudo nos olhares, nos não olhares, nos movimentos lentos, na forma como os dois sentem a presença um do outro. É isso que vai permitir a imersão no mundo proposto pela partitura, permitir que o público se deixe levar pela música.”
Quando, em 2023, recebeu o convite para dirigir a ópera, o diretor fez-se uma pergunta: qual é o motor da ópera? A reflexão tinha como objetivo entender o elemento da obra que mexia com todos os personagens. “Foi quando a figura do rei se colocou como uma referência para a produção”, conta em entrevista à Revista CONCERTO. “Ele busca Isolda para si, ele se casa com ela. Ele é uma figura importante, representa o poder, a força. E daí extrai a ideia da coroa como elemento cênico constante, que eventualmente se transforma em uma jaula na qual são aprisionados os personagens.”
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