Retrospectiva 2025: André Cardoso, professor da Escola de Música UFRJ, presidente da Academia Brasileira de Música e regente da Orquestra Sinfônica da UFRJ
Em 2025 a Orquestra Sinfônica da UFRJ realizou uma grande temporada, que deu continuidade às comemorações do centenário, iniciadas em 2024. Foram 25 concertos, incluindo seis récitas da ópera As bodas de Fígaro, de Mozart. Realizamos cinco estreias de obras de Paulo Costa Lima, Alexandre Guerra, Caio Facó, Gilson Santos e até de Eunice Katunda, compositora falecida em 1990.
Além da temporada de concertos, realizamos a exposição comemorativa do centenário, que recebeu alunos das redes pública e privada, que participaram também de uma série de concertos didáticos. O ano finalizou com a grata notícia de que a câmara municipal declarou a Orquestra Sinfônica da UFRJ patrimônio cultural imaterial do Rio de Janeiro.
Outro destaque da temporada foi a realização da XXVI Bienal de Música Brasileira Contemporânea, em parceria com a Funarte e com o apoio da Academia Brasileira de Música. Foram oito concertos em retrospectiva, com uma seleção de obras executadas em todas as edições, desde 1975.
Na Academia Brasileira de Música realizamos mais uma edição da série de concertos Brasiliana, com o lançamento de novos vídeos, e uma nova temporada dos Encontros ABM, que foi dedicado à ópera, com a participação de vários profissionais de destaque do setor. Fechamos o ano com a eleição do maestro Isaac Karabtchevsky para a ocupar a cadeira nº 1, que foi fundada por Villa-Lobos e ocupada anteriormente por Marlos Nobre.
Foi um ano muito produtivo também para o Fórum de Ópera e Música de Concerto, que realizou dois importantes eventos. No II Orquestras em Pauta os principais debates ocorreram em torno da proposta de inclusão do Pau-Brasil no anexo 1 da Cites, que causaria enormes transtornos para os instrumentistas de cordas e liutaios, com restrições severas de comercialização e circulação dos arcos. A mobilização ganhou adesão internacional e foi possível manter a madeira no anexo 2, menos restritivo.
Já o Ópera em Pauta, realizado em parceria com a Companhia de Ópera do Rio Grande do Sul, destacou o importante movimento operístico naquele estado, inclusive com o novo espaço inaugurado, o Multipalco Eva Sopher.
Nos projetos em parceria com a Funarte, o Sinos ofereceu novas partituras para as orquestras jovens do Brasil, com repertório classificado por nível de dificuldade. São 30 novos títulos que aos poucos vão sendo publicados. No projeto Ópera tivemos novas produções de Candinho, de João Guilherme Ripper, e o lançamento do CD da ópera O machete, de André Mehmari, que mostram a vitalidade da produção brasileira contemporânea em ópera. [Depoimento dado em dezembro de 2025.]
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