Grupo Anima comemora 35 anos com ‘Na pancada desvairada’

por Redação CONCERTO 02/05/2026

Livro-CD inspirado em melodias anotadas por Mário de Andrade reafirma uma das marcas do conjunto, que é o diálogo entre diferentes matrizes musicais

O Grupo Anima celebra seus 35 anos de trajetória com o lançamento do livro-CD Na pancada desvairada, projeto que reúne publicação impressa, e-book e o décimo álbum de sua carreira. O trabalho é inspirado em melodias recolhidas por Mário de Andrade durante sua Viagem Etnográfica pelo Nordeste, realizada entre 1928 e 1929.

Com 120 páginas, o livro acompanha um CD com 18 faixas inéditas compostas e arranjadas pelos integrantes do grupo a partir desse material histórico. Duas das peças, Desafio em Martelo Agalopado e Aboio Final, incorporam ainda trechos de registros sonoros coletados na Missão de Pesquisas Folclóricas organizada por Mário de Andrade em 1938.

O projeto reafirma uma das marcas do Grupo Anima: o diálogo entre diferentes matrizes musicais. Neste caso, a proposta articula tradições populares brasileiras, com destaque para repertórios afro-indígenas, a elementos das culturas medievais e renascentistas ibéricas, tanto no plano estético quanto no uso de instrumentos históricos e populares, como rabeca, viola sertaneja, gaitas e percussões.

Segundo o grupo, o álbum nasce do espetáculo homônimo e amplia o alcance do material etno-histórico ao trazê-lo para o campo da música de concerto. A pesquisa teve como base manuscritos e documentos guardados no acervo do IEB - Instituto de Estudos Brasileiros da USP.

Conforme consta do material de divulgação, “a pesquisa musical de Mário de Andrade sempre foi para a trajetória do Grupo Anima um parâmetro e um vasto terreno para formação de seu repertório, um caminho ao revés do colonialismo impregnado na música de concerto. No entanto, este projeto é o primeiro dedicado exclusivamente ao polímata Mário de Andrade. Uma homenagem a este grande pensador da cultura brasileira que, em um momento crucial de nossa história, arregaçou as mangas e foi a campo ouvir os artistas do povo, buscando o povo no popular”.

Além das faixas, o livro apresenta textos bilíngues escritos pelos músicos, imagens de manuscritos e fotografias da viagem etnográfica. A versão digital foi concebida com recursos de acessibilidade, permitindo leitura por ferramentas de áudio.

O Grupo Anima notabilizou-se por uma trajetória marcada pela pesquisa e recriação do imaginário musical brasileiro. A partir de 1991, com o compositor e pesquisador José Eduardo Gramani (1944-1998), a rabeca brasileira assumiu papel central na formação do grupo. Com a introdução desse instrumento originado na tradição brasileira rural de diversas regiões, o Anima ampliou o âmbito da performance musical histórica e de seu repertório, adicionando ao instrumentário histórico europeu (harpa trovadoresca, cravo, órgão portativo medieval e flautas-doce), vozes e idiomas como os da viola de arame, da viola brasileira de dez-cordas, a percussão brasileira, a africana e as flautas indígenas brasileiras. 

Em sua formação atual, o Griupo Anima reúne Silvia Ricardino (harpa trovadoresca), Paulo Dias (percussão e órgão portativo), Hugo Pieri (voz), Daniel Issa (voz), Gisela Nogueira (viola de arame), Luiz Fiaminghi (rabecas brasileiras), Valeria Bittar (flautas históricas e indígenas) e Leandro Perez (percussão afro-brasileira e voz).

O livro-CD Na pancada desvairada foi viabilizado por meio do edital ProAc CultSP PNAB Nº 24/2024, e foi lançado pela Kuarup.

O álbum Na pancada desvairada pode ser ouvido no spotify – clique aqui para acessar.

Grupo Anima (divulgação, V. Branco)
Grupo Anima (divulgação, V. Branco)

 

Curtir

Comentários

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião da Revista CONCERTO.

É preciso estar logado para comentar. Clique aqui para fazer seu login gratuito.