
Ópera ‘Tristão e Isolda, de Wagner
Theatro Municipal de São Paulo, de 22 de julho a 2 de agosto de 2026
Orquestra Sinfônica Municipal e Coro Lírico Municipal.
Roberto Minczuk – direção musical.
Allex Aguilera – direção cênica.
Hernán Sánchez Arteaga – regente do coro.
Simon O’Neill (dias 22 e 29/7 e 2/8) e Michael Weinius (dias 26 e 31/7) – Tristão; Annemarie Kremer (dias 22 e 29/7 e 2/8) e Eiko Senda (dias 26 e 31/7) – Isolda; Leonardo Neiva – Kurwenal; Denise de Freitas – Brangäne, Hernan Iturralde – Rei Marke; Paulo Queiroz – Marinheiro e Jessé Vieira – Timoneiro.
Piero Schlochauer – assistente de direção cênica. Laura Vinci – cenografia. Beto Bruel – iluminação.
(Foto: divulgação, Roberto Alcain)
OUVINTE CRÍTICO - ‘Tristão e Isolde’, de Wagner
Participantes: 149
Média final: 8,52
(veja detalhes abaixo)
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Comentários
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Isolda muito boa, a serviçal…
Isolda muito boa, a serviçal também, mas a produção foi muito pobre. Sem cenário nenhum. O "jardim idílico" parecia uma catacumba. Aquele final com "Und" de um mau gosto estético extremo. Mas a ópera é excelente
Há noites em que a ópera…
Há noites em que a ópera ultrapassa os limites do palco e se transforma em uma experiência verdadeiramente transcendente. A estreia de Tristan und Isolde no TMSP foi, para mim, um triunfo em todos os sentidos.
A concepção cênica do genial Allex Aguilera é marcada por uma beleza arrebatadora e por uma profunda dimensão de transcendência, encontrando uma linguagem visual capaz de traduzir a atmosfera metafísica, a paixão e o abismo interior da obra de Wagner.
No elenco estelar, Simon O’Neill impressiona pela potência vocal e pela intensidade de seu Tristan. Annemarie Kremer oferece uma Isolde de voz poderosa e interpretação visceral, de uma entrega dramática absolutamente magnética. Luísa Francesconi é uma Brangäne perfeita: musical, expressiva e de presença cênica extraordinária.
Leonardo Neiva constrói um Kurwenal sensacional, com enorme força e humanidade, enquanto Hernán Iturralde entrega um Rei Marke potente, preciso e profundamente comovente.
À frente da Orquestra Sinfônica Municipal, a regência de Roberto Minczuk conduziu a obra com grande vigor e dramaticidade, permitindo que a extraordinária arquitetura musical de Wagner se expandisse em toda a sua força.
Uma noite de beleza, paixão, música e transcendência. Um verdadeiro triunfo!
Clique no link a seguir para…
Clique no link a seguir para ler a crítica de João Luiz Sampaio: https://www.concerto.com.br/textos/critica/tristao-e-isolda-esbarra-ent…
Wagner revolucionou a…
Wagner revolucionou a história não apenas da ópera, mas também da encenação teatral, ao escurecer a plateia e transferir a orquestra para o fosso, concentrando toda a atenção do público no palco. Eis que a produção do Theatro Municipal de São Paulo, em sua já conhecida mania de colocar elementos desnecessários fora da cena, resolve posicionar o músico do corne inglês, no terceiro ato, fora do fosso, quebrando gratuitamente esse princípio dramático.
A montagem está longe de ser o desastre que foram as recentes produções de Carmen, Don Giovanni e Macbeth. Ainda assim, confirma a mediocridade que tem marcado as produções do período pós-Neschling. O cenário, de concepção sóbria e potencialmente elegante, acaba comprometido por projeções de absoluto mau gosto, que pareciam ter sido geradas por inteligência artificial. As poucas imagens que funcionavam eram justamente as menos literais e mais abstratas/alusivas. Tudo teria sido muito mais eficaz se a direção tivesse apostado apenas nos cenários fixos e na cortina vermelha, em vez de querer "reinventar" uma obra que não exige esse tipo de intervenção. Tristão e Isolda é uma ópera cenograficamente simples: bastava fazer o básico com inteligência e bom gosto. Mas o Theatro Municipal parece cultivar um verdadeiro fetiche por modernizações duvidosas.
A produção ainda toma a lamentável decisão de cortar o "Tagesgespräch" do segundo ato, uma supressão difícil de se justificar. A isso soma-se uma leitura orquestral fria de Minczuk, sobretudo no primeiro ato.
Por fim, o TMSP incorre numa prática bastante questionável ao vender um "playbill premium" como se fosse o libreto da ópera (e isso está explicitamente indicado na placa do ponto de venda). Além de induzir o público ao erro, rompe-se uma excelente tradição que permitia ao espectador levar para casa o texto integral da obra.
Em suma, o Theatro Municipal de São Paulo tem se consolidado como uma instituição artisticamente aquém da grandeza de sua própria história.
Apesar de tudo isso, é preciso reconhecer que o elenco salva a noite. Todos os solistas, sem exceção, estão impecáveis tanto vocal quanto dramaticamente, com destaque especial para os intérpretes de Isolda, Tristão e Brangäne.
No fim das contas, resta a esperança de não precisar esperar outros 48 anos para assistir a uma nova montagem de Tristão e Isolda. E, quando ela vier, que esteja à altura da obra-prima que representa.
A qualidade dos cantores…
A qualidade dos cantores para sustentar aqueles cantos longuíssimo foi excepcional. Naturalmente a ausência de cenários empobrece um pouco a coisa já que é uma obra de muito pouco movimento. E o único. Negativo real para mim foi a colocação de um dançarino no momento de abertura do segundo ou terceiro ato. As músicas iniciais dos atos são, Como regra, um demonstrativo do ato e da obra toda. A colocação de um dançarino quebra essa mágica que deve ser de concentração absoluta no som. Essa o trem particular pontual foram os cantores excepcionais.
Pequenos erros de português…
Pequenos erros de português não consegui editar. Ao todos peço desculpas
Sou suspeito para dizer algo…
Sou suspeito para dizer algo, porque essa é minha ópera predileta. Assisti no dia 31 de julho, com o elenco 2, encabeçado por Eiko Senda. Achei muito bom e as mais de 4h da ópera passaram para mim num átimo do fluxo de tempo. A música é simplesmente sublime e a regência de Minczuk e a OSM executaram-na muito bem. Os cenários, a iluminação, o visagismo funcionaram muito bem. João Luiz Sampaio que é crítico, conseguiu achar alguns defeitos. Para mim foi uma grande experiência ter visto essa ópera ao vivo. E me impressionei tanto, que hoje ao assistir a outro concerto, meu espírito me disse: essa música é menor perante ao que eu ouvi ontem.
Sou como o jornalista Paulo…
Sou como o jornalista Paulo Francis: a felicidade para mim é ver uma montagem de Tristão e Isolda na solidão compartilhada, em uma ilha deserta.
Fui assistir novamente a…
Fui assistir novamente a Tristão e Isolda, no dia 2 de agosto com o primeiro elenco: gostei mais dos dois cantores principais que fazem a dupla romântica atormentada: era algo já esperado.