Notícias do mundo musical

por Redação CONCERTO 01/11/2018

Montserrat Caballé (1933-2018)

Morreu no dia 6 de outubro, aos 85 anos, a soprano Montserrat Caballé. Ela fez parte do grupo dos grandes intérpretes da segunda metade do século XX, com um timbre marcante e um pianíssimo que a levaram aos principais palcos do mundo. Natural de Barcelona, entrou aos 11 anos no Conservatório Superior de Música do Liceo. Estreou em 1955 em La serva padrona, em Valência, e alcançou fama internacional após substituir a norte--americana Marilyn Horne em Lucrezia Borgia, no Carnegie Hall de Nova York, em 1965.

Montserrat Caballé gravou com artistas como Alfredo Kraus, Carlo Bergonzi, Sherrill Milnes, Nicolai Gedda, Fiorenza Cossotto, Ruggero Raimondi, Joan Sutherland, Luciano Pavarotti e Mirella Freni, dentre muitos outros que, assim como ela, marcaram a história da ópera. Recebeu premiações por todo o mundo e ganhou por quatro vezes o Grammy Awards. Assim como outros cantores de sua época, desenvolveu também projetos que mesclaram a ópera à música popular, como na célebre gravação com o cantor de rock Freddie Mercury, tema dos Jogos Olímpicos de 1992.

Montserrat Caballé [Divulgação]
Montserrat Caballé [Divulgação]

Orquestra Moderna estreia com trabalho com surdos

Um novo conjunto musical, a Orquestra Moderna, faz sua estreia em novembro, em São Paulo, com o objetivo de tornar a música clássica acessível para todos, iniciando um projeto de inclusão destinado a músicos surdos. “Em uma passagem entre Inglaterra e Escócia, tive o prazer de conhecer algumas orquestras de câmara, que, além dos concertos tradicionais, fazem trabalhos incríveis com idosos com demência e pessoas com algum tipo de deficiência. Essa experiência foi a minha inspiração para a criação da Orquestra Moderna”, explica Daniel Valeriano, idealizador do projeto. A direção artística é do regente holandês Leonard Evers, que escolheu para as apresentações no dia 13, no Auditório do Masp, obras que tenham como ponto de partida o corpo humano – cada concerto do grupo representará um membro ou um órgão. 

A orquestra vai trabalhar ao lado de um conjunto de jovens surdos, que participam antes de uma série de oficinas oferecidas pelos coordenadores artístico-pedagógicos Charles Raszl e André Venegas, especialistas em percussão corporal, em parceria com a Derdic (entidade que atua na educação de surdos e no atendimento clínico a pessoas com alterações de audição, voz e linguagem). O compositor Gabriel Xavier também irá escrever uma peça a partir desse processo, que será estreada no Masp, ao lado das Quatro estações portenhas, de Piazzolla, e de El amor brujo, de De Falla. A regência é do maestro André Bachur. 

“No Brasil, orquestras fazem belos p+rogramas educativos, mas nenhum capaz de inserir a música clássica na vida de pessoas com deficiência de uma maneira ativa. São sempre mais passivas, reservando assentos especiais, banheiro adaptado, orientador de público e assim por diante. O que estamos propondo é não apenas dar visibilidade a esses jovens, e sim apostar na sua capacidade criativa e colocá-los para que se expressem em um palco”, explica Valeriano. [Leia também a matéria com a percussionista Evelyn Glennie na página 24 desta edição.]


Orquestra Sinfônica de Recife agora é Patrimônio Cultural Imaterial

A Orquestra Sinfônica do Recife, desde 2013 dirigida pelo maestro e compositor Marlos Nobre, recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial, oferecido pela Câmara de Vereadores da cidade. A orquestra comemorou em outubro 88 anos de atividades ininterruptas. “Desde os meus 12 anos comecei a frequentar os concertos da orquestra no Teatro de Santa Isabel e seguramente este foi um dos fatores mais marcantes para que eu tomasse a decisão mais importante da minha vida: a de me dedicar inteiramente à composição”, diz Nobre. O grupo se apresenta este mês com obras de Wagner e Beethoven (veja no Roteiro Musical).


Compositor João Guilherme Ripper apresenta três óperas em novembro

Três óperas de João Guilherme Ripper, compositor que tem desenvolvido importante trabalho com o gênero, serão apresentadas este mês. Em Vitória, o Festival de Música do Espírito Santo apresenta O diletante, inspirada em peça de Martins Pena, com direção musical de Gabriel Rhein-Schirato. Em Lisboa, no Cine-Teatro Avenida, sobe ao palco Domitila, criada a partir das cartas da Marquesa de Santos (a obra foi encenada em junho no Theatro da Paz, em Belém, e em outubro, no Sesc Jardim da Penha, em Vitória). E, no Rio de Janeiro, na Sala Cecília Meireles, volta ao palco Piedade, baseada na vida de Euclides da Cunha, depois de passagens pelo Theatro Municipal de São Paulo e pelo Teatro Colón de Buenos Aires – a direção musical é de Priscila Bomfim. Ripper também estreou em 2018, no Festival Amazonas de Ópera, em Manaus, a ópera Kawah Ijen


Sarau São Paulo promove espaço para apresentação de jovens músicos

Com direção artística do maestro Jean Reis, acontece em novembro, no dia 25, a terceira edição do Sarau São Paulo. O objetivo do projeto, em parceria com o Instituto Nova Semente, é promover apresentações de jovens músicos da cidade, oferecendo um espaço para que estudantes e amantes da música possam se expressar. No Sarau, músicos podem se reunir em grupos para tocar em conjunto, trazendo seus convidados para assistir. “Nossa estrutura oferece o palco para que o músico possa brilhar sabendo que ninguém vai lhe dar notas para apresentação ou com o peso de um teatro convencional”, diz a missão do projeto. Para participar, os artistas devem se inscrever pelo site www.sarausaopaulo.com.br


Oficina de Música de Curitiba tem nova edição confirmada em janeiro de 2019

A 36ª Oficina de Música de Curitiba vai acontecer entre os dias 16 e 27 de janeiro de 2019. O evento está dividido em três categorias: música erudita (com direção do maestro Abel Rocha), música antiga (comandada por Rodolfo Richter) e música popular brasileira (com João Egashira). As três acontecem simultaneamente, com o objetivo, segundo a organização, de “fortalecer os laços entre as áreas e sugerindo novas interfaces”. A sede do evento será a Pontifícia Universidade Católica. A coordenação geral do evento é de Janete Andrade. Mais informações sobre inscrições e programação podem ser obtidas no site do evento, www.oficinademusica.org.br.


Fórum Brasileiro pelos Direitos Culturais lança Manifesto pela Cultura

Tendo em vista as eleições e as novas forças políticas no país, o Fórum Brasileiro pelos Direitos Culturais (FBDC), associação que reúne mais de 160 entidades do setor cultural, entre elas a Revista CONCERTO, lançou em outubro um manifesto em defesa da cultura. O documento chama a atenção para a importância do acesso às artes, à cultura e à fruição dos bens culturais e realça o valor da cultura como potência transformadora da sociedade: “investir em Cultura é também investir em segurança, uma vez que o desenvolvimento harmônico da coletividade resulta em paz social”. 

O manifesto também defende a liberdade de expressão e os direitos humanos e destaca os artigos 215 e 216 da Constituição Federal, que “garantem o acesso aos bens culturais como direito de todo cidadão, reconhecendo a importância da cultura para a formação e o desenvolvimento do Estado, do indivíduo e da sociedade brasileira”. 

O documento finaliza com a declaração de que o Fórum “entende, portanto, que democracia, liberdade de expressão, direitos constitucionais, direitos humanos e apoio à cultura, às artes e educação são valores indiscutíveis e base de qualquer política e ação em uma sociedade contemporânea, devendo ser respeitados e apoiados incondicionalmente.”

Fórum Brasileiro pelos Direitos Culturais