Maestro dirigiu orquestras como a Staatskapelle de Dresden e a Sinfônica de São Francisco e manteve-se ativo até maio deste ano
Morreu na quarta-feira, aos 99 anos, o maestro Herbert Blomstedt, que, ao longo da carreira, esteve à frente das principais orquestras do mundo e ficou conhecido pela interpretação do repertório germânico, em especial das sinfonias de Anton Bruckner, compositor com o qual dizia ter especial afinidade – como mostram as inúmeras gravações de suas obras que deixou. O maestro manteve-se ativo, viajando pela Europa e pelos Estados Unidos para concertos, até maio deste ano, quando cancelou as apresentações marcadas.
Nascido em 1927, nos Estados Unidos, em uma família sueca, ele retornou à Europa aos 2 anos de idade. Estudou na Academia Real de Música de Estocolmo, além de se formar em religião e filosofia na Universidade Uppsala. Anos mais tarde, nos EUA, passou pela Juilliard, em Nova York, e foi aluno de Leonard Bernstein no Festival de Tanglewood.
Ao longo da carreira, ele foi diretor da Staatskapelle de Dresden, de 1975 a 1985, da Sinfônica de São Francisco, de 1985 a 1995, e da Orquestra da Gewandhaus, de Leipzig, de 1998 a 2005.
O pai de Blomstedt era um missionário adventista – e a dedicação à religião marcou toda a vida do maestro. Ele não ensaiava às sextas-feiras e aos sábados, mas realizava concertos, uma vez que, para ele, fazer música não era trabalho, mas “uma celebração, uma comunicação espiritual com o público”.
“Acredito que os músicos devem possuir uma dimensão espiritual predominante; devem ser homens de fé – cristãos, judeus, hindus, não importa – que compartilham o anseio por qualidades espirituais em suas vidas e em sua arte”, disse, em uma entrevista.
Durante uma entrevista concedida a Bruce Duffie, ele definiu como enxerga a importância da música na sociedade.
“A música pode ser uma força ética imensa na sociedade. A música também pode ser uma maldição – e, sem dúvida, ela o é em certos segmentos da sociedade –, mas a música de que estamos tratando pode constituir uma força ética poderosa. Idealmente, a execução musical deveria levar todos aqueles que a ouvem ou a interpretam a decidir fazer algo diferente, a ser diferentes, a transformar algo em suas próprias vidas. Deparar-se com a beleza suprema é um desafio ao que, de fato, está acontecendo em nossa própria vida. A beleza possui inúmeras facetas; ela não se resume apenas a sons agradáveis”, afirmou.
“Vivenciar a ordem e a beleza da grande música coloca o ouvinte em contato com algo maior do que ele mesmo – algo que se pretende perfeito, belo e positivo –, e essa é uma das maiores bênçãos da grande música. Acredito que esse seja o aspecto mais importante. Naturalmente, ela traz outras coisas: aproxima as pessoas com boas intenções, proporciona muita alegria e também serve como entretenimento. É, talvez, uma boa maneira de se distanciar de certas frustrações da vida; contudo, esses são aspectos periféricos. Acredito que a principal razão de ser da música erudita – e do nosso envolvimento com ela, certamente no meu caso – reside no seu potencial de transformar vidas, de auxiliar as pessoas a alcançarem a felicidade plena ou um sentido para a existência”, completou.
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