Morre em São Paulo o maestro Walter Lourenção

por Redação CONCERTO 26/09/2026

O maestro Walter Lourenção morreu na quinta-feira, em São Paulo, aos 96 anos. Com uma trajetória que o levou a reger orquestras paulistas e do Rio de Janeiro, ele ficou particularmente conhecido pelo estilo espontâneo e apaixonado com o qual, ao longo de mais de três décadas, comandou programas na Rádio Cultura. Seu velório será realizado neste sábado, no Cemitério do Araçá, em São Paulo, a partir das 10 horas da manhã.

Lourenção nasceu em Jundiaí, em 1929, em uma família de descendentes de italianos. Estudou piano desde a infância e, mais tarde, paralelamente à dedicação à música, formou-se em Filosofia na Universidade de São Paulo, em 1967. No mesmo ano, começou a trabalhar no Theatro Municipal de São Paulo, discípulo do maestro Edoardo de Guarnieri, regendo diversos concertos da Orquestra Sinfônica Municipal.

Em 1962, ele havia criado o Grupo Coral do Instituto Cultural Ítalo-Brasileiro, que dirigiu durante uma década. E outros conjuntos viriam com o passar dos anos. Em 1973, por exemplo, transferiu o coral do ICIB para o Masp, onde realizou mais de 300 concertos. Naquele período, foi diretor do Departamento de Música do Masp, criou a Orquestra da Câmara do Masp, deu cursos de história da música e organizou concertos.

O maestro ingressou na TV Cultura de São Paulo em 1975, onde trabalhou por 11 anos em programas de música e ópera. Em 1986 transferiu-se para a Rádio Cultura FM, para a qual criou e apresentou vários programas sobre música clássica e lírica, nos quais demonstrava sua vasta cultura e a paixão pela música, ajudando a formar gerações de melômanos. Entre os programas que apresentou estiveram o Clássicos em Revista e o Tarde de Ópera, que serviu de introdução ao mundo da arte lírica para muitos ouvintes. Lourenção se aposentou da rádio em 2021.

Sobre seu estilo como apresentador, ele comentou em entrevista à Revista CONCERTO, publicada na edição de dezembro de 1995:

“Não fui para o rádio para fazer apenas um vitrolão, do tipo ‘Estamos ouvindo...’, mas para conversar com o público. A reação é muito maior que na televisão, onde também já trabalhei. O rádio não tem o caráter de sacralidade visual da televisão. A imaginação do ouvinte fica livre, e ele é sempre ativo”, explicou.

“Às vezes, me surpreendem na rua, no final da tarde, e perguntam: ‘O que é que o senhor está fazendo aquí? O programa está no ar’.Aí, eu explico que ele é gravado. O ouvinte não tem essa Impressão porque não edito os programas. Fico ouvindo as gravações como se fosse um deles e comento o que estou sentindo.”

O maestro Walter Lourenção [Revista CONCERTO]
O maestro Walter Lourenção [Revista CONCERTO]

 

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