Montagem da ópera 'Auto da Catingueira' chega a São Paulo

por Redação CONCERTO 21/07/2026

Por Clara Zamboni

Na quarta-feira, 22, e na quinta-feira, 23, o Apolo Ensemble realiza uma releitura da ópera Auto da catingueira, de Elomar Figueira de Mello, no Teatro Cultura Artística. O elenco conta com Gabriella Pace como Dassanta, Giovanni Tristacci como Cantador, Geilson Santos como Tropeiro e Vinicius Atique como o narrador.

Auto da catingueira é ambientada no sertão nordestino. Nele, Dassanta, a pastora de cabras, vive um casamento solitário e frustrado com Tropeiro, constantemente afastado em viagens. Surge, então, o Cantador, que se interessa pela protagonista e passa a cortejá-la. Ameaçado, o marido convoca o intruso a um desafio de trovadores, que escala para um tenso conflito armado. Composta no final da década de 60, a ópera integra a tradição do cordel à cultura dos trovadores da Península Ibérica.

A primeira montagem da ópera com atores conta com direção e cenografia de André Heller-Lopes. Ele conta que a busca por conectar o passado ao presente marcou o projeto do cenário. Nele, caixas de luz são revestidas por elementos da literatura de cordel e da cultura nordestina, ao mesmo tempo em que se opta pelo uso de luzes de LED e estruturas de metal aparente.

Lopes também destaca a atmosfera da produção. "Esse universo do espetáculo itinerante, que passa pelas cidades e que cria um acesso à cultura, é um universo que me interessa muito, que eu acho muito fascinante e que a gente perdeu um pouco no mundo da ópera".  

A orquestração equilibra a cultura nordestina e a europeia. Dirigido pelo violinista David Rabinovich, o grupo de câmara neerlandês Apolo Ensemble é especializado em música barroca e, para a adaptação do texto musical, outiliza arranjos de Henrique Gomide. “Quando você ouve a música, você tem a impressão de que está ouvindo um Monteverdi, mas com ritmos como o baião e o martelo”, comenta .

A montagem viajou por diferentes partes do mundo. Após a estreia na Holanda, em 2025, a produção passou pela Inglaterra, em 2026. O diretor conta que, no exterior, o texto precisou passar por traduções e adaptações para a compreensão dos espectadores. Em São Paulo, livre dos desafios proporcionados pelo idioma, a produção provoca a identificação do público da cidade, marcado pela diversidade cultural e, também, por uma expressiva comunidade nordestina.

Quanto à variedade de tradições presentes na obra, Lopes considera que as diferentes culturas enriquecem as histórias e as tornam internacionais. No caso de Auto da catingueira, ele chama a atenção para a influência nordestina e ibérica na cultura do cordel, presente na obra.  “Eu acho que essa universalidade não precisa de tradução, ela precisa de acesso, ela precisa de opção, ela precisa de divulgação.

Veja mais detalhes no Roteiro do site Concerto

 

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Auto da Catingueira [Divulgação]

 

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