O 14 de julho e a ópera Salvator Rosa no Municipal do Rio

por Luciana Medeiros 14/07/2026

Nessa terça-feira, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro celebra 117 anos de sua inauguração com a já tradicional programação de portas abertas. A tradição na verdade tem pouco mais de 30 anos. Quem trouxe o conceito foi Emilio Kalil, presidente da fundação a partir de 1995, implantado no Municipal de São Paulo em sua gestão por lá.

A primeira edição do evento foi um momento épico. Da parte do público, que ficou numa fila imensa ao logo do dia, um deslumbramento com a arquitetura, o palco, os mármores e espelhos. Não houve sequer um incidente; a plateia ficou tão impecável quanto nos grandes concertos e óperas. Mais, até. Havia desde crianças de olhos brilhantes, fascinadas, até idosos nostálgicos de outros tempos. Uma bela ideia, realmente.

Hoje em dia o evento mantém seu fascínio, embora tenha perdido tônus. Hoje, as atrações estão em sua maioria no Assírio, o espaço no térreo que já abrigou um restaurante. A pièce-de-resistence da estreia em 1995 foi Carmina Burana, a cantata de apelo popular de Orff. Nessa terça, será a ópera Salvator Rosa, montagem do Amazonas que pousa no Rio depois de 80 anos sem ser montada na cidade.

Continua bonita, porém, a chegada de público novo, de gente feliz por entrar num espaço tão simbólico das chamadas elites, de abraçar o pertencimento. Veja abaixo a programação.

Salvator Rosa estreou em 21 de março de 1874, em Gênova, com sucesso de público, ambientada no século XVII e recheada por romance e heroísmo, como de hábito. O Guarani havia subido ao palco em 1870 no Scala de Milão; conta o especialista Bruno Furlanetto que “logo depois do triunfo de Il Guarany, Carlos Gomes lançou-se num novo projeto para se livrar do exotismo dos índios, e demonstrar que podia compor uma ópera ‘europeia’”. Veio Fosca e, logo depois, Salvator Rosa que se baseia na revolta de napolitanos contra o domínio espanhol. O personagem-título, um pintor, naturalmente se apaixona justo pela filha do govenador espanhol. É claro.

No Rio de Janeiro, estreou em 1876. Essa versão que sobre à cena do Municipal tem regência de Luis Fernando Malheiro e direção cênica de Julianna Santos, e esteve no palco do Teatro Amazonas em maio desse ano, na 27ª edição do Festival Amazonas de Ópera. Além da apresentação no aniversário, será encenada dias 15, 17 e 18 de julho às 19h, tendo nos papeis principais Marcello Vannucci e Enrique Bravo (Salvator Rosa), Marly Montoni  e Marianna Lima (Isabella), Carolina Morel e Maria Gerk (Gennariello), Vinícius Atique e Johnny França (Masaniello) e Savio Sperandio e Licio Bruno (Il Duca d’Arcos)

Programação do 14 de julho:

9h - Escadaria Externa - Fuzileiros Navais (Abertura)
10h - Escadaria Interna - Os Pequenos Mozart e Amadeus
11h - Boulevard - Ação Social pela Música
12h - Escadaria Interna - Ópera do Meio-Dia: Il Trovatore
13h - Assyrio – Escola de Dança Maria Olenewa (EEDMO)
13h30 - Assyrio - Cia Bemo
14h - Assyrio – Ballet do Theatro Municipal (BTM)
15h - Visita Guiada com equipe do setor educativo
15h - Foyer - Quarteto de Cordas Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal (OSTM)
16h - Assyrio - Kabarett ao Revés
18h - Assyrio – Palestra sobre a ópera Salvator Rosa
19h - Palco - Ópera Salvator Rosa

Toda programação do dia 14 de julho será gratuita. Os ingressos para a ópera serão distribuídos a partir do dia 7 de julho (terça-feira), somente de forma on-line no site oficial do Theatro (www.theatromunicipal.rj.gov.br).

Veja mais detalhes no Roteiro do site Concerto

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Salvator Rosa no Theatro Municipal do Rio de Janeiro [Divulgação]
Salvator Rosa no Theatro Municipal do Rio de Janeiro [Divulgação]

 

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