Filarmônica de Minas Gerais anuncia temporada 2027 com Beethoven como eixo 

por Redação CONCERTO 30/09/2026

Em sua programação para o próximo ano, grupo vai interpretar as sinfonias, os concertos para piano e a ópera Fidelio do compositor  

A obra de Beethoven está no centro da nova temporada da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Ao longo de 2027, o grupo vai interpretar as nove sinfonias, os cinco concertos para piano, o Concerto para violino e a ópera Fidelio, em homenagem aos 200 anos de morte do compositor. Diversos maestros e solistas vão se revezar nas apresentações das obras. 

Fabio Mechetti, diretor artístico e regente titular da orquestra, vai comandar os músicos nas sinfonias nº 3, nº 6, nº 7 e nº 9. José Soares, regente associado da filarmônica, fica responsável pelas sinfonias nº 1, nº 4 e nº 5. E o maestro polonês Michal Nesterowicz rege a Sinfonia nº 2. 

Os concertos para piano terão como solistas os pianistas Benedetto Lupo (nº 1), Cristian Budu (nº 2), Arnaldo Cohen (nº 3), Sergio Tiempo (nº 4) e Kristina Miller (nº 5). Pilar Policano será a solista no Concerto para violino e orquestra.  

Em Fidelio, que encerra a temporada, o time de solistas é formado por Daniela Tabernig, Ewandro Stenzowski, Licio Bruno, Savio Sperandio, Raquel Paulin, Daniel Umbelino e Andrey Mira – em formato de concerto cênico, as apresentações terão direção de Ronaldo Zero. A regência será de Fabio Mechetti.  

Ainda no ciclo dedicado a Beethoven, serão interpretadas as aberturas Egmont, Coriolano, A consagração da casa, Fidelio, Leonora nº 1 e Leonora nº 3, além de excertos de As criaturas de Prometeu.  

Ao longo do ano, a filarmônica fará 48 concertos em suas séries de assinaturas – Allegro (quintas), Presto (sextas), Vivace (quintas), Veloce (sextas) e Fora de Série (sábados). Uma novidade é que os concertos noturnos, que antes começavam às 20h30, foram adiantados e agora terão início às 20 horas. 

O número de concertos em 2027 sobe para cerca de cem quando se considera as demais apresentações, em projetos como os Concertos para Juventude, Filarmônica em Câmara, Festival Tinta Fresca, Laboratório de Regência, concertos didáticos para escolas e instituições da rede pública, Filarmônica na Praça e a turnê estadual por Minas Gerais. 

“Alguns dos concertos mais impactantes no palco da Sala Minas Gerais focarão em obras consagradas, como a Sinfonia nº 1, de Mahler, a Sexta, de Dvorák, e a Segunda sinfonia de Rachmaninov, assim como obras que serão apresentadas pela primeira vez, incluindo a encomenda de um Concerto tríplice do compositor brasileiro André Mehmari, e a estreia de obra do compositor Jonas Hocherman, vencedor do último Festival Tinta Fresca, iniciativa pioneira da Filarmônica de Minas Gerais”, diz o maestro Fabio Mechetti. 

A abertura da temporada será em fevereiro, com o pianista Estefan Iatcekiw como solista no Concerto para piano nº 1, de Franz Liszt, que será apresentado ao lado de Terra Brasilis: Fantasia sobre o Hino Nacional Brasileiro, de Clarice Assad, e da Eroica, de Beethoven. No mesmo mês, Mechetti rege programa com as Variações temporais: Beethoven revisitado, de Ronaldo Miranda, os Choros nº 9, de Villa-Lobos, e Pilar Policano interpretando o Concerto para violino de Beethoven. 

Em março, José Soares recebe a soprano Camila Titinger para um programa em torno do classicismo, com a Exultate Jubile, de Mozart, e Ah, perfido!, de Beethoven, interpretadas em diálogo com a Sinfonia em três movimentos de Stravinsky. O maestro Nesterowicz assume então a regência e comanda a filarmônica, além da Sinfonia nº 2 de Beethoven, no Concerto para orquestra de Lutoslawski.  

Abril começa com a presença de um dos grandes nomes do violino na atualidade, Vadim Gluzman, que será o solista no Concerto para violino e orquestra, de Tchaikovsky, em programa no qual Mechetti rege também a Sinfonia nº 1 de Shostakovich. No segundo programa do mês, o solista será o contrabaixista Neto Bellotto, que vai apresentar o Concerto para contrabaixo de Koussevitzky – Mechetti rege também nos concertos a Sinfonia nº 2 de Rachmaninov, e a Abertura Coriolano, de Beethoven. 

A violoncelista Marina Martins fará apresentações com a filarmônica no início de maio, quando toca o Concerto para violoncelo nº 6, de Boccherini, e o Choro para violoncelo e orquestra, de Camargo Guarnieri, sob regência de Helder Trefzger, diretor da Orquestra Sinfônica do Espírito Santo. Também em maio, outro importante solista brasileiro se apresenta com a orquestra: o violista Rafaell Altino, que vai interpretar o Concerto de William Walton, de quem se comemora os 125 anos de nascimento em 2027 – José Soares rege, nas mesmas datas, a Rapsódia para orquestra, de Yuzo Toyama, e a Quarta de Beethoven. 

Em junho, tem início o ciclo dos concertos para piano de Beethoven, com o nº 2 e Cristian Budu, sob regência de Mechetti (o programa inclui a Sinfonia nº 8 do compositor e Excelsior, de Wilhelm Stenhammar). Nos concertos seguintes, será a vez de Bendetto Lupo tocar o Concerto nº 1 e da filarmônica homenagear o compositor brasileiro Osvaldo Lacerda por seu centenário, tocando a Abertura para orquestra (fecha os concertos, com Mechetti, a Sinfonia nº 4, de Schumann). 

Aluno de Arnaldo Cohen em Indiana, nos Estados Unidos, Hans-Derek Yu toca em julho o Concerto para piano nº 3, de Bartók, sob regência de José Soares (Prólogo e fantasia, de Walton, e a Quinta de Beethoven, completam o programa). Cohen, então, assume o posto de solista no Concerto nº 3, de Beethoven, que estará ao lado da Sinfonia nº 1, de Brahms, e do arranjo de Walton para Sheep may safely graze, de Bach.  

Agosto começa com um concerto no qual os solistas serão músicos da filarmônica: o oboísta Alexandre Barros, o clarinetista Marcus Julius Lander, o fagotista Adolfo Cabrerizo e a trompista Alma Maria Liebrecht tocam a Sinfonia concertante K. 297b, de Mozart, sob regência de Henrik Schaefer, diretor da Ópera de Gotemburgo, que apresenta ainda ao público uma obra pouco tocada, a Sinfonia nº 8, de Niels Wilhelm Gade. Também em agosto, a filarmônica vai receber o vencedor do Concurso Wieniawski para interpretar o Concerto para violino nº 2 do compositor, em programa no qual José Soares também rege a Sinfonia nº 6, de Dvorák. 

Aos 23 anos, e com vitórias em concursos importantes, o violoncelista italiano Ettore Pagano será o solista, em setembro, do Concerto de Schumann, em apresentações nas quais a filarmônica fará também a estreia mundial de Pequena sinfonia do tempo, de Jonas Hocherman, vencedor do Tinta Fresca, concurso de composição da orquestra. 

Setembro tem uma outra estreia mundial de uma obra encomendada pela filarmônica: o Concerto tríplice de André Mehmari, que terá o próprio compositor ao piano, e o violinista Guido Sant’Anna e o violoncelista Rafael Cesário como solistas. A peça dialoga com Beethoven, que está no programa com a Sinfonia nº 6 – Pastoral. 

Outubro traz, no primeiro programa do mês, o início da trajetória sinfônica de dois compositores, com as sinfonias nº 1 de Mahler e de Beethoven. Em novembro, Sergio Tiempo toca o Concerto nº 4, de Beethoven, e José Soares rege a Sinfonia nº 12 – O ano 1917, de Shostakovich. Em dezembro, Kristina Miller toca o Imperador; e, encerrando a temporada, vêm as apresentações da ópera Fidelio. 

Fora de série

“A série terá como tema central a ideia da Filarmônica e Suas Histórias, em que cada um dos oito concertos focará em descrições musicais de valores humanos como o amor a fé, a etnia, a história e assim por diante”, explica Mechetti. 

Em março, o tema é Histórias de Fantasia, com peças de Mendelssohn (excertos de Sonho de uma noite de verão), Humperdinck (Abertura e Voo da bruxa de João e Maria), Grieg (Suíte nº 1 de Peer Gynt) e Dukas (Aprendiz de feiticeiro).  

Histórias de amor é o tema da primeira apresentação de abril, com destaque para a suíte Pelléas e Mélisande, de Fauré, o Prelúdio e morte de amor de Isolda, de Tristão e Isolda, de Wagner, e a Abertura Romeu e Julieta, de Tchaikovsky. No mesmo mês, será apresentado o programa História dos Povos, no qual o violonista João Luiz vai tocar uma seleção de obras do cubano Leo Brouwer e a filarmônica vai interpretar a Suíte nº 1 de Descobrimento do Brasil, de Villa-Lobos, Espanha, de Chabrier, e a Sinfonia nº 1 – Afro-americana, de William Grant Still.  

Histórias de guerra e a paz pautam o concerto de maio, com a suíte Guerreiras do Amazonas, de Alexandre Guerra; Trenodia para as vítimas de Hiroshima, de Penderecki; A vitória de Wellington, de Beethoven; e a suíte Guerra e Paz, de Prokofiev. Em julho, o tema é a fé: suíte da Sinfonia dos Orixás, de Almeida Prado; Três corais, de Bach, orquestrados por Respighi, de quem será tocada Vitrais de Igreja.  

A mitologia leva ao palco da Sala Minas Gerais, em setembro, obras de Sibelius (Pan e Eco), Liszt (Orfeu), Berlioz (balé de Os troianos), Ripper (suíte de Onheama) e Beethoven (As criaturas de Prometeu). Já em outubro, a filarmônica narra histórias de aventura, com Wagner (prelúdio de Lohengrin), Arutunian (Concerto para trompete, com Marlon Humpherys-Lima como solista), John Williams (Suíte E.T.) e Korngold (Suíte O príncipe e o mendigo).  

O encerramento da Fora de Série, em novembro, será com um programa dedicado ao humor, com a participação do Duo Jatetpok, de piano, e do ator Chico Pelúcio como narrador. Entre os destaques do repertório estão Os comediantes, de Kabalevsky, e O carnaval dos animais, de Saint-Saëns. 

Assinaturas 

A venda de assinaturas para as séries da filarmônica segue um calendário específico. A renovação de assinaturas, sem trocas de séries ou assentos, vai até o dia 19 de outubro. No mesmo período, quem pretende realizar trocas deve avisar a filarmônica – a efetivação virá em seguida, entre os dias 21 de outubro e 3 de novembro. Já novos assinantes poderão adquirir seus pacotes entre os dias 5 de novembro e 20 de janeiro de 2027.  

O valor para as séries individuais (Allegro, Vivace, Presto e Veloce), com dez concertos cada, vai de R$ 426 a R$ 1.684. A combinação de duas séries, com vinte concertos, custa de R$ 800 a R$ 3.168. Para a Fora de Série, com oito apresentações, os valores vão de R$ 360 a R$ 1.426. A filarmônica também oferece a tabela Jovem Assinante, para jovens de 12 a 18 anos, com 75% de desconto nos valores. 

Mais informações podem ser obtidas no site da orquestra; clique aqui. 

Orquestra Filarmônica de Minas Gerais durante concerto na Sala Minas Gerais [Divulgação/Rafael Motta]
Orquestra Filarmônica de Minas Gerais durante concerto na Sala Minas Gerais [Divulgação/Rafael Motta]

 

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