Orquestra Sinfônica Municipal de Botucatu e Karin Fernandes recuperam peça esquecida de Villani-Côrtes

por Redação CONCERTO 24/09/2026

Por Clara Zamboni

No sábado, 26, a Orquestra Sinfônica Municipal de Botucatu homenageia Villani-Côrtes em concerto na Sala São Paulo. Regida por Fernando Ortiz de Villate, a orquestra recebe Karin Fernandes para interpretar o Concerto nº 1 para piano e orquestra. 

O Concerto nº 1 para piano e orquestra permaneceu desconhecido por mais de 70 anos. Em entrevista à redação da Revista CONCERTO, Edmundo Villani-Côrtes relata que compôs a obra nos anos 1950. "Eu estava no Rio de Janeiro e mandei a partitura para J. Octaviano". João Octaviano Gonçalves, conhecido como J. Octaviano, foi um conhecido pianista e professor na Escola Nacional de Música do Rio de Janeiro, onde o compositor estudava.

Efigênia Guimarães Côrtes, sua esposa, completa: "E ele viu o concerto do Edmundo, viu a partitura, gostou muito. Tocou, deu uma vida nela. Gostou muito da composição e animou ele a continuar a escrever". A peça foi então executada uma única vez com a Filarmônica de Juiz de Fora sob regência de Max Gefter, com o próprio compositor ao piano.

 A curiosidade pelo concerto acompanhou a solista Karin Fernandes, que idealizou a reestreia, junto com a orquestra. Vencedora do Prêmio CONCERTO 2025 na categoria CD/DVD/Livros, a pianista é uma consolidada intérprete de peças brasileiras. Em 2012, sua dedicação à obra de Villani resultou no álbum Edmundo Villani-Côrtes Op. 80, que inclui o Concerto nº 3 para piano e orquestra, A terceira visão.

O primeiro contato da solista com a obra ocorreu apenas em janeiro de 2025. Villani-Côrtes conta que a pianista visitou sua casa e encontrou a partitura ao piano. Assim que leu o material, se interessou pela obra e adicionou-a ao seu repertório. O compositor também aprecia a nova audição da obra: "a oportunidade para uma música de um compositor brasileiro ser tocada é muito pequena.", referindo-se à programação das salas de concerto pelo Brasil.

Fernandes define o concerto como "neorromântico" ou "romântico tardio", diferente do caráter nacionalista do Concerto nº 3 e da escrita dodecafônica do Concerto nº 2. "Tem um pouco de influência de jazz, eu acho, na harmonia, mas é um concerto tranquilo. Para orquestra tem alguns trechos desafiadores por conta do andamento, mas para o piano eu acho tranquilo". Planos para uma nova gravação estão no radar da pianista, que está em busca de patrocínios para viabilizar o projeto.

Villani-Côrtes incorpora diferentes referências da música do século XX. Ao longo da carreira, foi orientado por mestres como Camargo Guarnieri e Koellreutter e atuou como pianista, arranjador e professor. Sua música não se limitou às salas de concerto: nos anos 1970, escreveu arranjos para a orquestra da TV Tupi e, entre 1988 e 1991, foi o pianista do recém-criado programa Jô Soares Onze e Meia, no SBT. Atualmente aos 95 anos, ocupa a cadeira nº 11 da Academia Brasileira de Música. 

O concerto conta com Caetê Jurerê (A súplica da floresta) e Djopoi (Oferenda), também de Villani-Côrtes. “Em seu catálogo, vemos o eco do nacionalismo musical de mestres como Camargo Guarnieri (com quem estudou), mas desprovido de rigores dogmáticos. Ao mesmo tempo, ele flerta sutilmente com o impressionismo francês nas texturas e cores harmônicas, misturando tudo isso ao balanço urbano do choro, da valsa e da bossa nova.", comenta Fernando Ortiz de Villate, diretor artístico e maestro titular da Orquestra Sinfônica Municipal de Botucatu. 

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Karin Fernandes e Orquestra Sinfônica Municipal de Botucatu, em maio de 2025 [Divulgação/ Daniel Batista]
 Orquestra Sinfônica Municipal de Botucatu e Karin Fernandes em maio de 2025 [Divulgação/ Daniel Batista]

 

 

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