Retrospectiva 2025: Ana Flávia Cabral Souza Leite, vice-presidente da Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira
Como orquestra, chegar a 2025 não é apenas alcançar uma data no calendário. Celebrar os 85 anos da Orquestra Sinfônica Brasileira é, sobretudo, celebrar a permanência, não como imobilidade, mas como quem sabe que trabalhar para que uma orquestra continue existindo é atravessar o tempo com consistência, educar gerações com sentido, fazer negócios com finalidade social para cumprir o propósito de uma instituição cultural no sentido mais grandioso de sua função na sociedade.
O ano de 2025 foi um ciclo de grande prestígio para a Orquestra Sinfônica Brasileira, no qual essa permanência se tornou visível para a opinião pública. A orquestra esteve presente nos mais belos teatros do Rio de Janeiro e de São Paulo, em grandes espaços públicos – como a Praça Mauá, com o Projeto Aquarius – e também em milhões de lares brasileiros, por meio do especial Novela em Sinfonia, exibido pela TV Globo e agora reconhecido internacionalmente com a indicação ao Rose d’Or, um dos maiores prêmios mundiais para televisão.
A OSB teve mais uma vitória no Prêmio da Música Brasileira 2025, na categoria Lançamento Erudito, pela gravação das Bachianas Brasileiras nº 8, de Villa-Lobos, regida por Roberto Tibiriçá. Mas o seu maior prêmio foram as plateias entusiasmadas nos teatros, especialmente no Cultura Artística, em São Paulo, onde contou com a presença da CONCERTO, que depois anotou: “além da excelência técnica e do virtuosismo interpretativo, havia uma alegria genuína em fazer música”. É o que se leva para 2026: buscar o fazer artístico com rigor e leveza, inspirado pela missão de empunhar a música como vetor de transformação social.
Desde o anúncio de seu primeiro concerto, na década de 1940, a OSB já deixava claro seu propósito de democratização: “O povo irá ao theatro como se fosse ao cinema, em trajes communs (sic)”, abolindo o uso de casaca e smoking. Esse compromisso permanece atual e se estende aos palcos, com o concerto que vestiu o propósito, em que a OSB e a OSB Jovem usaram os trajes despojados da marca carioca Osklen, realizado em dezembro.
Com o mesmo espírito de renovação, a OSB projeta o futuro. Está aberto o Festival OSB Novas Compositoras, que selecionará sinfonias inéditas escritas por mulheres para estreia pela orquestra. O Conexões Musicais, programa educacional da Fundação OSB, passou em 2025 por 21 cidades de 8 estados, impactando mais de 20 mil pessoas, e seguirá ampliando sua atuação para novos territórios em todas as regiões do país.
Seguindo sua vocação histórica, as iniciativas da OSB convergem para a renovação do cenário musical brasileiro, compreendendo a cultura não como ornamento, mas como pilar para a construção de um futuro dialógico, plural e profundamente conectado com a sociedade que desejamos construir.
Como na música, onde cada nota só existe porque há uma próxima, a OSB segue afinando o tempo com ética, escuta e permanência. [Depoimento de dezembro de 2025.]
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