Retrospectiva 2025: Maíra Ferreira, regente titular do Coral Paulistano
O ano de 2025 foi para o Coral Paulistano um período de intensa produção, no qual tradição, diversidade e pensamento contemporâneo se encontraram de forma especialmente viva, algo que se estabeleceu como marca do grupo. Iniciamos a temporada de maneira poética e emocionante com The Sacred Veil, de Eric Whitacre, apresentada pela primeira vez em São Paulo, em dois concertos com casa cheia e público e cantores profundamente comovidos, contando com a participação de Rafael Cesario, ao violoncelo, e Rosana Civile, ao piano.
Ainda no primeiro semestre, Réquiem SP, espetáculo do Balé da Cidade de São Paulo que teve como protagonista o Requiem de György Ligeti, ocupou um lugar central na temporada. Apresentado pela primeira vez no Brasil, o projeto reuniu os corpos artísticos da casa: o próprio Balé, Coral Paulistano e Orquestra Sinfônica Municipal, sob a direção de Alejandro Ahmed e minha regência e direção musical. Obra emblemática da contemporaneidade, de rara execução, o Requiem impõe desafios extremos de precisão, escuta e resistência vocal. Enfrentá-lo em uma espacialidade diferente da tradição da música de concerto foi um gesto de coragem coletiva, acolhido com grande interesse pelo público. Uma realização artística memorável e inesquecível.
Em maio, o Coral Paulistano esteve ao lado do Coro da Osesp, na Sala São Paulo, em homenagem à maestra Naomi Munakata, que completaria 70 anos, um momento de encontro musical e também afetivo, celebrado diante de um público saudoso e amigo. Figura fundamental para a música coral brasileira e para a história do grupo, Naomi segue presente na identidade artística do Coral e, particularmente, na forma como conduzo o trabalho musical. Celebrá-la foi um gesto de preservar a memória, de gratidão e de continuidade do legado, reafirmando valores que permanecem conosco.
No palco do Theatro Municipal, concertos como War Requiem, de Benjamin Britten, a Mass, de Leonard Bernstein, e a montagem histórica de Porgy & Bess, de George Gershwin, sob a regência de Roberto Minczuk, com Coral Paulistano, Coro Lírico e Orquestra Sinfônica Municipal, evidenciaram a força do trabalho coletivo e a importância da integração dos corpos artísticos da casa, uma das qualidades mais marcantes do TMSP. Nesse caminho, a homenagem aos Secos & Molhados, com participação especial de João Ricardo, integrante e criador do grupo, revelou a potência da música popular brasileira apresentada neste importante palco lírico e realizada com cuidado e respeito à história de um dos grupos mais importantes da nossa música.
Encerramos o ano com um encontro marcante e muito significativo, atuando como coro e grupo anfitrião na montagem de Les Indes Galantes, em integração artística com a Cappella Mediterranea, o Chœur de Chambre de Namur e bailarinos convidados. Um contato singular com a música barroca, sob direção musical de Leonardo García Alarcón e direção cênica de Bintou Dembélé, reafirmando o Coral Paulistano como um coro histórico, diverso e plenamente contemporâneo, às vésperas de seus 90 anos, que comemoraremos em 2026! [Depoimento de dezembro de 2025.]
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