Karabtchevsky, Pink Floyd e a música eletroacústica

por Luciana Medeiros 08/11/2018

A série Álbuns, da Petrobras Sinfônica, que vem apresentando versões integrais de discos pop, celebra agora um fenômeno do rock n’roll, o histórico The Dark Side of the Moon, da banda inglesa Pink Floyd. A fusão de pop/rock e orquestra começou com Ventura, do grupo Los Hermanos, em 2016, e seguiu com Thriller, de Michael Jackson, no ano seguinte. Dessa vez, o grupo sinfônico carioca terá a regência de seu titular, Isaac Karabtchevsky, estreando dias 8, 9 e 15 de novembro, no Vivo Rio, e com apresentação no dia 26 em São Paulo, no Allianz Parque Hall.

Prestes a completar 84 anos, com um currículo de saudável mistura de gêneros musicais com as orquestras que dirigiu, o maestro discorre com fluência sobre o parentesco entre a música eletroacústica e o rock produzido pelos rapazes de Cambridge: Syd Barrett (guitarra e vocal), Nick Mason (bateria), Roger Waters (baixo e vocal) e Richard Wright (teclados e vocal).

“Esse concerto se insere no projeto de alcançar novos públicos, ampliar o alcance da orquestra”, conta Isaac. “Relaciono o Pink Floyd com a emersão da música eletroacústica e da música concreta no pós-guerra, uma linha que eu vivenciei de perto na Alemanha em aulas com Wolfgang Fortner e Pierre Boulez.”

De fato, a pesquisa de ruídos da música experimental da época combina com ideias colocadas em prática pelo rock sofisticado e conceitual do Pink Floyd. Em The Dark Side of the Moon, por exemplo, ficaram famosos recursos sonoros como os obtidos pela corrida em torno de um microfone, campainhas de bicicleta, som de aviões e ruídos de caixa registradora em On the run e Money.

[Reprodução]

“Na música concreta, é possível incorporar qualquer som, como o das ondas do mar ou o bater das asas de um pássaro”, prossegue o regente. “Qualquer ruído pode assumir valor estético, e isso me fascinou. A música do Pink Floyd me impressionou na época do lançamento e ficou na minha cabeça até hoje.”

O álbum lançado em 1973 foi um recordista de vendas, com 50 milhões de cópias distribuídas pelo mundo. E representa ainda hoje um marco da cultura pop experimental e lisérgica, ao lado, por exemplo, da mais palatável Sgt Pepper’s Lonely Heart Club Band, dos Beatles, de 1967, que também inclui experimentações sonoras e cruzamento de gêneros. Pink Floyd era mais radical.

“Pedimos a transcrição dos arranjos para a orquestra para o Ricardo Cândido, que fez um trabalho excepcional, transpondo sem perda nenhuma a música vocal para o instrumental”, ressalta Isaac. “Um verdadeiro artesanato, precioso.”

O nome da banda – uma curiosidade – surgiu de uma homenagem a dois bluesmen norte-americanos, Pink Anderson e Floyd Council.

O diretor executivo da OPES, Matheus Simôes, lembra que o público de Ventura e de Thriller chegou a 28 mil pessoas, que esgotaram os ingressos com meses de antecedência. “Buscamos um clássico do rock para a estreia do maestro Isaac Karabtchevsky na Série Álbuns, e o ‘Dark Side...’ carrega um conceito sinfônico, além do interesse em torno das suas lendas, como o paralelismo com o filme O Mágico de Oz: muita gente correlaciona cada faixa com cenas do filme de 1939, numa sincronia impressionante.”