Livia Sabag: aposta renovada na formação e na criação

por Redação CONCERTO 06/01/2026

Retrospectiva 2025: Livia Sabag, diretora cênica e diretora artística do Festival de Música Erudita do Espírito Santo 

Durante as últimas apresentações do 13º Festival de Música Erudita do Espírito Santo, senti orgulho dos artistas que participaram dos concertos e espetáculos, da equipe que trabalhou bravamente nesta edição, e uma grande alegria pelo crescimento do Festival. Desde 2022, o Festival deixou de ser um evento concentrado no mês de novembro e passou a ser um organismo formado por diferentes ações articuladas que abrangem criação, formação, difusão e inclusão. 

O Núcleo de Criação de Ópera estreou, pelo quarto ano consecutivo, uma nova obra, A profissão da senhora Warren, inspirada na peça homônima de Bernard Shaw, com música de Mauricio De Bonis e libreto assinado por mim, Eliane Coelho, o próprio De Bonis e Gabriel Rhein-Schirato, responsável pela direção musical e regência. O espetáculo, protagonizado por Coelho e Carla Cottini, reuniu no elenco e na equipe grandes nomes da cena lírica do Brasil e do exterior. 

Performances de alto nível marcaram também a série de concertos de câmara, com a curadoria sensível e engenhosa de Yara Caznok, que, em diálogo com os músicos, construiu repertórios diversificados, sofisticados e ao mesmo tempo extremamente acessíveis.  

O principal projeto de formação do Festival, o VOE (Vitória Ópera Estúdio), chegou à sua sexta edição com a participação de alunos bolsistas de todo o Brasil e orientação, direção cênica e musical do trio de ouro formado por Marco Gandini, Gabriel Rhein-Schirato e Fabio Bezuti.  

O Opera-cional e o Concurso Natércia Lopes também tiveram novas edições e os Concertos Itinerantes e o Ópera nos Bairros, projetos que buscam democratizar o acesso à cultura, ganharam novos formatos e criações, ampliando, em seus quadros artísticos e técnicos, a participação de profissionais do Espírito Santo e ex-alunos de programas do Festival. 

Foi emocionante ver essa engrenagem de formação e criação em pleno funcionamento, gerando frutos tão especiais. Mas confesso que, junto à emoção que senti naqueles dias finais, havia uma pontada de preocupação com o futuro destes jovens artistas brasileiros. Embora a música de concerto tenha voltado à pungência dos anos anteriores à pandemia, é preciso lembrar que, à exceção do que ocorre em poucas instituições, as condições e remunerações de trabalho em nosso país vêm-se deteriorando continuamente nos últimos anos.  

Para 2026, desejo que todos nós, artistas, gestores, produtores e outros agentes do nosso campo, possamos seguir criando projetos relevantes, com grande qualidade artística e impacto social, mas que estejam atrelados a melhores condições de trabalho, especialmente para que os nossos jovens talentos tenham um futuro possível – também dentro do Brasil.

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Livia Sabag [Divulgação]
Livia Sabag [Divulgação]

 

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