Retrospectiva 2025: Paulo Zuben, diretor artístico-pedagógico da Santa Marcelina Cultura
2025 representou conquistas importantes para os objetivos da Santa Marcelina Cultura, que passam por desenvolver um ciclo completo de formação musical integrado a um projeto de inclusão sociocultural. Em um ano no qual a organização recebeu novamente o Prêmio Melhores ONGs, um dos mais relevantes reconhecimentos do terceiro setor brasileiro, a missão de formar pessoas para a vida e para a sociedade foi colocada em prática em diversas frentes.
No Guri, o maior programa de educação musical e desenvolvimento humano do país, os 30 anos completados em 2025 foram celebrados com mais de mil concertos, somente no mês de novembro, em todo o estado de São Paulo. A agenda de comemorações contou com flashmobs em setenta cidades paulistas e incluiu o plantio de mais de quinhentas árvores, uma para cada polo do Guri, como gesto simbólico de sustentabilidade e compromisso com as futuras gerações. Além disso, foi lançado um caderno de partituras de canto coral infantil, em parceria com a regente Ana Yara Campos, e o Coral Infantil do Guri esteve na turnê de Andrea Bocelli em São Paulo.
No ano de 2025 entrou em vigor o Guri nas Escolas Estaduais, permitindo que mais crianças, adolescentes e jovens tenham acesso à formação musical diretamente na rede pública. Em parceria com a secretaria de estado da Educação, serão duzentas dessas unidades em 2026, quando o Guri passará por ampliação e terá mais de seiscentos polos de ensino, com 120 mil vagas gratuitas, além de três novos grupos musicais, chegando a 32 em todo o estado.
Um dos eixos de atuação da Santa Marcelina Cultura é a parceria com instituições internacionais para intercâmbios artístico-pedagógicos em todos seus programas. Em 2025, na Temporada França-Brasil, recebemos músicos do Conservatório Nacional Superior de Música e Dança de Paris para oficinas, master classes, workshops, ensaios e uma performance artística com alunas e alunos do Guri e da Emesp Tom Jobim. Também foram realizadas atividades no estado com o Démos Philharmonie, projeto ligado à Filarmônica de Paris, que atende crianças em vulnerabilidade social na França, e o Coral do Guri de São Paulo se uniu à Orquestra de Câmara da USP e ao grupo francês L’Itinéraire para a execução de La Symphonia Botanica, da compositora Michelle Agnes, no Theatro São Pedro. Outro ponto relevante foi o intercâmbio de bolsistas da Emesp Tom Jobim com a Academia da Ópera Nacional de Paris, com atividades pedagógicas na França e no Brasil, formando uma orquestra especial que se apresentou em Paris e São Paulo, numa oportunidade única de vivência internacional e enriquecimento das trajetórias artísticas.
Com relação à Emesp Tom Jobim, referência no ensino de música brasileira, além das atividades gratuitas de formação para mais de 2000 alunas e alunos em cursos e habilitações em música popular e erudita, foram promovidos dezenas de concertos dos grupos artísticos – Banda Jovem do Estado, Coral Jovem do Estado, Orquestra Jovem do Estado e Orquestra Tom Jobim –, estabelecendo pontes entre o aprendizado e a profissionalização. Cabe destacar o concerto de encerramento da temporada da Orquestra Jovem do Estado, com obras de Borodin e Stravinsky, que teve a solenidade de outorga do Prêmio Ernani de Almeida Machado, a maior premiação do país para jovens instrumentistas.
A temporada do Theatro São Pedro trouxe óperas como Fidelio, a única escrita por Beethoven, a contemporânea Oposicantos, de Flo Menezes, e a cômica Falstaff, de Verdi. Os dois grupos de formação ligados ao teatro, a Academia de Ópera e a Orquestra Jovem do Theatro São Pedro realizaram as montagens de O Barbeiro de Sevilha, de Paisiello, e Candinho, do compositor e maestro brasileiro João Guilherme Ripper. Já a Orquestra do Theatro São Pedro completou 15 anos de atuação em 2025, celebrados com a Gala Lírica e a participação em uma gravação especial da Bienal de São Paulo, que também resultou em concerto no Theatro São Pedro. A temporada de espetáculos trouxe ao público o Cine São Pedro, com a Mostra Brasil-Alemanha, em parceria com o Instituto Goethe e a Cinemateca Brasileira, além de atrações para o público infanto-juvenil, balés com a São Paulo Companhia de Dança, a apresentação do Requiem de Fauré e a série intimista de música de câmara.
O compromisso com a excelência artística e iniciativas de formação, difusão e democratização do acesso à cultura seguem firmes para 2026, quando será comemorado o Ano da Cultura Brasil-China. Nesse sentido, diversas atividades que conectam os dois países estarão à disposição do público em breve.
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