Novo diretor musical da casa deu à obra uma interpretação musicalmente muito consistente
O maestro Fabio Mechetti regeu ontem a Orquestra Sinfônica Municipal em sua primeira apresentação no Theatro Municipal de São Paulo desde que foi anunciado diretor musical da casa. O programa da noite, que será reapresentado hoje, sábado, às 17h, foi a grande Missa de Réquiem de Giuseppe Verdi. Participaram os dois corais do teatro, o Lírico e o Paulistano, e os solistas vocais foram a soprano Betty Garcés, a mezzo soprano Ana Lucia Benedetti, o tenor Matheus Pompeu e o baixo Luiz-Ottavio Faria.
O Réquiem de Verdi é uma das maiores criações corais-sinfônicas da história. Composta em homenagem ao escritor Alessandro Manzoni, libretista e amigo de Verdi, morto em 1873, a obra celebra aquilo que o compositor considerava a síntese das virtudes morais e intelectuais do povo italiano. Estreada em 22 de maio de 1874, em Milão, o Requiem possui um caráter marcadamente teatral – em matéria publicada em 1997 na Revista CONCERTO, Lauro Machado Coelho cita o biógrafo de Verdi, Charles Osborne, de que a missa não seria para mortos, mas para os vivos. Conforme Osborne, “a intensidade da compaixão, em sua visão trágica da condição humana, tem uma estatura shakespeareana. E se essa é uma música mais apropriada para a sala de concertos do que para a igreja, tanto pior para a igreja”.
Regendo de cor, com gestos amplos e claros, Fabio Mechetti deu ao Réquiem uma interpretação musicalmente muito consistente. Orquestra, coros e solistas fizeram uma boa performance, bem equilibrados, e lograram construir o amplo arco dramático proposto na partitura.
O quarteto vocal teve uma participação igualmente muito boa. A soprano colombiana Betty Garcés tem voz potente e clara em todos os registros, e demonstrou grande presença artística em seus solos. O lindo timbre de Ana Lucia Benedetti, o tenor luminoso de Matheus Pompeu e a dramaticidade do baixo Luiz-Ottavio Faria, excelentes cantores, são conhecidos do público paulistano – eles por último estiveram juntos no excepcional Don Carlo encenado no mês passado.
Com todo o rigor da interpretação musical, apenas senti falta, em algumas passagens, de um pouco mais de intensidade emocional. Mas isso talvez seja uma percepção bem pessoal, já que o público, que lotou o Theatro Municipal, aplaudiu com euforia e grande entusiasmo ao final da apresentação.
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