Angelica de La Riva canta Ripper na abertura do ano da OSB

por Luciana Medeiros 15/03/2019

A figura da soprano Angelica de La Riva é mesmo impressionante. Alta, esguia, traços impecavelmente clássicos – algo entre a madona e a top model. Na verdade, a madona está na dianteira: aos 40 anos, espera o primeiro filho, Sofia Fernanda. Ela faz nesse sábado, dia 16, sua estreia com a Sinfônica Brasileira, em concerto de abertura da temporada da orquestra na Sala Cecília Meireles, homenagem aos três recentes diretores da casa: João Guilherme Ripper, Jean-Louis Steuerman e Miguel Proença.

“Estou também cantando pela primeira vez uma peça do Ripper, pela qual estou apaixonada: Cinco poemas de Vinicius de Moraes”, conta a soprano, de Madri, antes de embarcar para o Rio de Janeiro. 

Com regência de Lee Mills, a OSB programou o Concerto para piano nº 1 op. 25, de Mendelssohn, que Steuerman interpreta. E inicia as celebrações do centenário de nascimento de Claudio Santoro, com o Mini concerto grosso do compositor amazonense, que abre a noite. A segunda parte é toda de Ripper e da cantora de ascendência cubana.

Encomendada pela Osesp, a peça de Ripper reúne os poemas Uma música que seja, O poeta aprendiz, Poema dos olhos da amada, Lapa de Bandeira e A partida. Estreou em 2013 e foi tocada também em 2017, em Belém – com Angélica na plateia. “A peça tem uma beleza estonteante e é um desafio: musicalmente complexa, com muitas mudanças de tempo, harmonias lindas e pouco usuais”, define a soprano. “Algumas passagens homenageiam a Bossa Nova.”

Angelica de La Riva [Divulgação / Pepe Botella]
Angelica de La Riva [Divulgação / Pepe Botella]

Morando em Nova York, Madri e Lisboa, De La Riva foi, há poucos anos, notícia por motivo extramusical. Atleta de remo, chegou a ser convocada para disputar um lugar na equipe do Brasil nas Olimpíadas de 2016. “O remo foi uma experiência espetacular na minha vida. E a disciplina, a busca da excelência, a solidão da prática do esporte se aproximam muito do que vivo na música”, assegura. “Esse momento já passou na minha vida, mas posso dizer que devo ao remo uma incrível consciência corporal que utilizo no palco também.”

Angélica não disputou as provas, mas subiu ao palco na abertura das Olimpíadas, convocada às pressas – 24 horas antes – para cantar o hino do evento. “Na hora, o teleprompter [tela onde são projetadas as palavras a serem cantadas] apagou”, conta, às gargalhadas. “E eu inventei a letra. Ninguém notou!”

Depois da apresentação deste sábado no Rio, ela segue para o Festival Música em Trancoso, na Bahia, onde canta zarzuelas e operetas, além de peças Villa-Lobos e Carlos Gomes. 

Serão cinco meses de licença maternidade – Sofia nasce em julho. Em seguida, pretende retomar seus projetos nos Estados Unidos, como os concertos “Mulheres na Música” e “Music Fiercely Human”, em que conta histórias de sua carreira – de professores caricaturais até frequentes encontros com o público que a assistia nos primeiros concertos nova-iorquinos... só que no papel de garçonete. Em outubro, estará na Juilliard School of Music para um workshop sobre as Quatro últimas canções, de Strauss. 

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