A Viena da passagem do século XIX para o século XX é um dos palcos mais importantes da história da música – e, nele, dois atores mexem até hoje com o imaginário do público: Gustav Mahler e Alma Mahler. Para além da relação de amor entre os dois, repletas de altos e baixos, a Orquestra Sinfônica da USP os aproxima por meio da música em um concerto neste sábado, dia 29: sob regência de Tobias Volkmann, o grupo toca as Quatro canções, de Alma, e a Sinfonia nº 4, de Gustav. Nas duas peças, a solista será a soprano Ludmilla Bauerfeldt.
A apresentação é uma rara oportunidade de ter contato com a música de Alma Mahler. “As Quatro canções revelam riqueza e pungência na sua escrita, bem como uma paleta harmônica expandida. A atmosfera assustadora de Licht in der Nacht permanece após o término da música, enquanto a rebeldia tonal de Ansturm mostra a consciência de Alma sobre os desenvolvimentos musicais modernos”, escreve o crítico Victor Carr Jr sobre as obras.
“Um retrato de Alma emerge da interligação das influências artísticas do passado e do período e das suas manifestações na sua música. Por exemplo, Alma adorava Richard Wagner, chamando-o de ‘o maior gênio de todos os tempos’. Uma de suas canções começa com o acorde de Tristão”, comenta Diane W. Follet, que se dedicou a pesquisar as obras da compositora.
Ela continua: “Suas canções, talvez até mais do que seus escritos (nos quais a memória seletiva ocasionalmente desempenhava um papel ), revelam a verdadeira natureza de Alma. Elas beiram o melodramático, assim como Alma; são complexos, como foi Alma; eles são contraditórios, assim como Alma. É nas suas canções que a conhecemos, e é através das suas canções que ela assume o seu devido lugar”.
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![A soprano Ludmilla Bauerfeldt [Divulgação]](/sites/default/files/inline-images/w-ludmilla_bauerfeldt.jpeg)
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