Rosana Lanzelotte festeja bicentenário da Rainha Maria II 

por Luciana Medeiros 05/04/2019

Os livros de História do Brasil costumam destacar a figura de Maria I, conhecida como “a rainha louca”, mãe de D. João VI. E não se lembram da segunda Maria do império luso-brasileiro: Maria II, a primogênita de D. Pedro I e Leopoldina, que nasceu há 200 anos e passou a infância no Paço de São Cristóvão do Rio de Janeiro. 

Teve vida curta e conturbada: aos sete anos, foi coroada Rainha de Portugal, através da assunção ao trono e abdicação de Pedro I. Rainha à distância por dois anos, apenas em 1828 seguiu para o reino, mas não chegou a pisar em terras portuguesas. O navio que a levava foi desviado para a Inglaterra, já que o primo Miguel dera um golpe de estado e temia-se o pior caso a menina desembarcasse. Maria só conheceria Portugal aos 17 anos, quando finalmente assumiu a coroa, depois de se casar e enviuvar em dois meses e se casar novamente. Morreu aos 34 anos, no parto de seu 11° filho. 

É essa figura interessantíssima – chamada de “a educadora”, pela dedicação à formação dos filhos e à criação do ensino básico gratuito aos súditos – que a cravista e pesquisadora Rosana Lanzelotte relembra em espetáculo na Casa Museu Eva Klabin, no dia 11 de abril. O programa contempla a obra dos maiores gênios musicais da época em que Maria nasceu e conta com a atriz Helena Varvaki no papel da monarca. 

“Esse repertório contemporâneo do nascimento de Maria II é espetacular.  Ela conviveu com Marcos Portugal, Sigismund Neukomm e José Mauricio Nunes Garcia, gênios da época”, conta Rosana. “E pela vida afora valorizou imensamente a educação e as artes. Foi apelidada ‘a educadora’”.

Rosana destaca o imenso interesse que o Brasil despertava nos europeus no inicio do século XIX – “um Eldorado na visão deles” – e incluiu até um trecho anônimo recolhido pelos cientistas bávaros Spix e Martius. Também enfatiza a estrutura de O Amor Brazileiro, de Sigismud Neukomm, compatriota de sua mãe.

 

“A peça começa em compasso ternário, como uma valsa vienense das origens austríacas, e de repente se torna um lundu, passando a binário. Como uma metáfora do encontro de mundos”, define a cravista. “Neukomm definia a peça como uma fantasia sobre o lundu”.

A atriz Helena Varvaki faz intervenções encarnando a própria rainha, em textos criados por Rosana e pelo diretor cênico, Manoel Prazeres.  Fala do avô, um D. João VI melômano;  fala do pai e ao pai, mencionando seu desejo de assegurar os tronos para ela própria em Portugal e para o irmão, Pedro II, no Brasil.

 “Ela também escreveu quadrilhas, que nós apresentaremos; abriu caminho para o ensino de música em Portugal e para a chegada de gêneros musicais do Leste europeu”, continua a cravista. “Em seu reinado, criou-se o conservatório de música, o piano se popularizou, edição de partituras ganhou impulso, óperas foram frequentemente apresentadas”. O bicentenário de Maria II terá ainda exposições em Lisboa e em no Museu Imperial, em Petrópolis. 

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Rosana Lanzelotte [Divulgação]
Rosana Lanzelotte [Divulgação]

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