Peça de Maurício Kagel é destaque da Orquestra Jovem do Estado

por Redação CONCERTO 27/05/2022

A Orquestra Jovem do Estado volta no domingo, dia 29, ao palco da Sala São Paulo para mais um concerto de sua série oficial. A apresentação será regida pelo maestro chileno Rodolfo Fischer e começa com a Peça para tímpano e orquestra de Maurício Kagel.

Argentino, Kagel começou seus estudos com Alberto Ginastera e logo se mudaria para a Europa, onde seria uma das vozes mais importantes na experimentação musical do século XX.

Sua peça para tímpano, que terá Márcia Fernandes como solista, foi escrita entre 1990 e 1992, durante período em que o compositor trabalhava no Rheingau Musik Festival. 

No final da vida, em uma entrevista, Kagel fez um balanço de seu trabalho como autor:

"Cada compositor está convencido de que sua última obra-prima será a mais bela e importante, mas durante toda a minha vida a continuidade sempre foi fundamental em minhas obras. As diferentes etapas podem ser qualificadas como orgânicas; mas ao contrário de muitos outros autores, nunca fui submetido a nenhum choque que tivesse causado uma mudança total de um minuto para o outro nas obras, como quando falamos de Picasso, mencionando seu período azul, rosa ou cubista. Isso não faz sentido no meu caso, pois meu percurso sempre foi linear e eu diria até orgânico. Claro que algumas peças são mais ou menos importantes que outras, mas não sou a pessoa certa para qualificá-las. A única coisa que posso declarar é que, durante toda a minha vida, depois de terminar uma partitura, todo o meu envolvimento, minha alma e meu amor pela música foram transferidos para ela. Ao final, sempre pude afirmar: era isso que eu queria, e então tinha que ser."

O programa continua com a Sinfonia nº 5 de Shostakovich, escrita em 1937, após as críticas recebidas do governo soviético pela estreia da ópera Lady Macbeth, atacada em um editorial no Pravda.

“Classificada, ainda em vida do compositor, como um dos clássicos da música russa, a Quinta sinfonia suscita tantas questões importantes que pode ser considerada um divisor de águas na carreira de Shostakvich”, escreve Lauro Machado Coelho em sua biografia do compositor.

“Ela é a primeira sinfonia a atribuir valor semântico a uma figura rítmica que – da mesma forma que o posterior DSCH – vai adquirir valor de marca registrada de seu estilo, comparecendo em outras obras posteriores. A nota repetida com o ritmo de anapesto – duas breves e uma longa – que aparece em todos os movimentos é usada da mesma forma que as três breves, uma longa da Quinta de Beethoven. E não é improvável que, ao buscar essa forma de unificar os movimentos de sua Quinta sinfonia, Shostakovich o fizesse de maneira a vincular-se ao exemplo de um compositor muito admirado na URSS pelo significado revolucionário de sua música”, completa o autor.

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Orquestra Jovem do Estado [Divulgação/Heloisa Bortz]
Orquestra Jovem do Estado [Divulgação/Heloisa Bortz]

 

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